Natural de Chapecó/SC, Adriano Piekas é jornalista e possui 13 anos dedicados à comunicação. Com mestrado em Marketing na Espanha, também já morou em Florianópolis, Porto Alegre e Dublin (Irlanda). Desde o início de 2019, viaja pela América Latina com uma mochila nas costas, enquanto realiza um sonho pessoal: o projeto Vida Na Mala - que inclui blog, canal do YouTube, Instagram, Facebook e a produção de conteúdo digital para empresas.
A fim de saber mais sobre as aventuras e os planos de Adriano, o Bom Dia traz a entrevista que segue. Quer inspiração para rodar o mundo gastando pouco? Então, confira:
O que te motivou a dar início ao projeto de girar o globo?
Sempre tive o desejo de viajar pelo mundo. O que me prendia era o medo: o medo de me esquecerem profissionalmente, o medo de gastar minhas economias, o medo de sentir medo durante o caminho. Porém, no início de 2013, após um fim de 2012 conturbado, decidi conhecer a Patagônia. O plano era ficar lá duas semanas. Fiquei quatro. Foi a minha primeira experiência viajando sozinho. Aquilo abriu a minha cabeça e mudou a minha vida. Já falava espanhol, mas, lá, me dei conta de que precisava melhorar o inglês. Sete meses depois, desembarquei na Irlanda para um intercâmbio. Nunca mais voltei. Na Irlanda, fiquei três anos. Depois, fui para a Espanha, onde fiz um mestrado. Então, há seis meses, decidi realizar um dos sonhos da minha vida: cruzar uma parte do mundo com uma mochila nas costas.
Certo, e como você define seus destinos e o que faz pra gastar pouco?
Faço um roteiro de países e o quanto estou disposto em gastar por dia com tudo (alimentação, hospedagem, passeios). Ao chegar ao destino, começo a conversar com outros viajantes e com moradores locais. Sempre se colhem dicas muitas valiosas! Em relação a gastar pouco, sigo alguns truques bastante conhecidos: durmo em quartos compartilhados em hostels (os chamados albergues), viajo sempre em ônibus e pego transporte local nas cidades. Táxi? Somente quando não há outra opção. Outra dica para viajar gastando pouco é: fuja dos lugares turísticos, principalmente para comer e beber. Os preços são sempre mais altos. Tente ainda cozinhar nos hostels. Em grande parte das vezes, além de economizar, você acaba também comendo de maneira mais saudável.
No processo de viajar e descobrir, você criou um blog. Quais assuntos você aborda nele?
Olha, meu objetivo é mostrar que é possível viajar e gastar pouco, especialmente quando há planejamento. Então, além de destacar os pontos turísticos de cada cidade, a proposta do ‘Vida Na Mala’ é mostrar caminhos para economizar e, assim, viajar mais: onde comer, onde se hospedar, como se locomover, como fazer passeios por conta própria, etc. Ainda faço entrevistas com pessoas interessantes que conheço pelo caminho, dou dicas de viagem e escrevo a respeito de impressões pessoais. Ou seja, tento trabalhar várias frentes.
Nestes seis meses de ‘estrada’, por onde você já passou? E qual dos lugares mais lhe chamou a atenção?
Foram, até agora, seis países: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Cuba e México. Com exceção de Cuba, cruzei todos de ponta a ponta.Lugares que mais chamaram a atenção? Que pergunta difícil de responder... Sabe, em muitos casos, deixamos a América Latina de lado quando resolvemos viajar. Percebi como isso é um erro, e grande. Nosso continente é espetacular: tem geleiras, montanhas, praias, vulcões, desertos, história, comida boa e a gente mais amável do planeta. Sério. Mas, vamos lá. Meus destaques são: o Salar de Uyuni (Bolívia), o maior deserto de sal do mundo; os sítios arqueológicos Incas e a Montanha de 7 Cores (Peru); os vulcões Cotopaxi e Quilotoa (Equador), a região do Caribe Colombiano, o povo de Cuba e as ruínas Maias e Astecas (México).
Em breve, você vai para o Sudeste Asiático. O que espera encontrar por lá?
Certa vez, num bar, em Chapecó, um amigo me perguntou: que lugar do mundo você gostaria de conhecer? Respondi logo de cara: o Sudeste Asiático. A região sempre me chamou muito, muito a atenção. Me parece que se trata de uma parte da Ásia que ainda conserva culturas milenares, o que me instiga. Uma região muito menos ‘pop’ que o Japão e a Coreia do Sul, por exemplo. Quero entender como os países do Sudeste Asiático são tão pacíficos (na maioria dos casos), apesar da pobreza. São raros os casos de assassinatos e até mesmo de assaltos. Um exemplo? O Vietnã. O país foi arrasado duas vezes. Primeiro, pelos franceses, depois, pelos estado-unidenses. Entretanto, se trata de um país pacífico e de gente amável. Pelo menos foi isso o que ouvi de muitos viajantes que cruzei pelo caminho. Também espero entender a cultura local, viver o cotidiano da gente. Obviamente, pretendo visitar pontos turísticos que estão entre os mais bonitos do mundo.
Que conselho você dá pra quem tem o desejo de conhecer outras culturas e país, mas segue preso ao cotidiano?
Um tempo atrás, recebi um vídeo do ex-presidente Mujica, do Uruguai. Ele dizia: “quando compro algo, ou você compra, não pagamos com dinheiro. Pagamos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter aquele dinheiro”. Isso é forte, não? Pensamos em ganhar dinheiro, em trabalhar, em estabilizamos. Isso é errado? Não, de nenhuma maneira. O problema é que, em algumas situações, esquecemos de viver. Quer exemplos? Raramente viajamos, deixamos de encontrar amigos, não vemos a família porque estamos cansados. No fim, também amamos menos do que deveríamos. Isso ocorreu comigo por mais de dez anos. Então, quando vi que as coisas andavam mal em termos sentimentais, resolvi colocar tudo numa balança: de um lado, os medos financeiros e profissionais. Do outro, a necessidade de ser mais leve, de aproveitar um pouco mais a vida. Desse modo, eu diria: você não precisa largar tudo e sair pelo mundo. Porém, não reprima os seus desejos e, se viajar é um objetivo, viaje! Não tenha receio. Em muitos casos, pegar a mala e sair é um tema de superação pessoal, o qual ajuda muito em questões de autoestima e autoconfiança. É quando eu digo que viajar se torna um investimento, e não um gasto!