Com mais de 150 participantes entre leigos, religiosos, seminaristas, diáconos e padres, a Diocese de Erexim iniciou sua 14ª Assembleia da Ação Evangelizadora na sexta-feira (6), véspera do Dia da Pátria, no Salão de Eventos do Seminário de Fátima.
Pe. José Carlos Sala, com cantos de animação, foi criando clima de alegre participação e integração de todos que iam chegando, especialmente com o hino da Assembleia, de sua autoria, Pe. Maicon Malacarne, coordenador diocesano de pastoral, introduziu o ofício divino de abertura da Assembleia e conduziu a apresentação dos participantes por Paróquias, Setores e Movimentos leigos. Na ausência do Administrador Apostólico, Dom José Gislon, que já se encontra em Caxias do Sul, onde, neste domingo, assume o ministério episcopal daquela Diocese, convidou Pe. Cleocir Bonetti para a abertura oficial.
Pe. Bonetti iniciou expressando agradecimento a Deus pela Assembleia, oportunidade privilegiada de comunhão com as comunidades, de se ouvir o que Espírito Santo diz à Igreja diocesana. Ressaltou a importância e a necessidade da vida em comunhão com Cristo, com o Papa, com a CNBB, com o futuro Bispo, entre os participantes, entre as paróquias, entre os agentes de pastoral. Com diversas referências a documentos da Igreja, especialmente as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, motivou a todos a retomar a dimensão missionária da fé, a fim de que a ação evangelizadora proporcione a todos encontro pessoal com Cristo Bom Pastor, na Igreja, que deve ser casa, espaço de maior proximidade e que deve acontecer nas casas. Concluiu desejando que na “casa de Maria”, o Santuário, de José, a Diocese, a Assembleia fosse realmente momento forte de comunhão. (Abaixo, íntegra do pronunciamento do Pe. Bonetti).
Após, Pe. Maicon convidou o assessor metodológico da Assembleia, Rodrigo de Andrade, leigo, de Curitiba, doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica daquela cidade para sua palavra de encaminhamento dos trabalhos. Ele lembrou o texto do evangelho dos discípulos de Emaús que iluminou a preparação da Assembleia. Como eles haviam perdido seu horizonte, perguntou pelo horizonte ao qual a Diocese quer chegar. Para alcançá-lo, necessitará superar algumas barreiras.
Aspectos da realidade
Dando continuidade à pauta de trabalho, Pe. Maicon convidou o professor Luiz Fernando Santos Correa da Silva, sociólogo com doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estágio pós-doutoral na Universidade de Coimbra, Portugal, Diretor do Campus de Erexim da Universidade Fronteira Sul, membro do Conselho de Leigos da Diocese, para caracterizar a realidade da região em seus diversos aspectos, social, cultural, político, econômico. Convidou também o Pe. Valter Girelli, Reitor do Seminário e Santuário de Fátima, professor no Instituto de Teologia de Passo Fundo, para falar da realidade diocesana e os desafios do Papa Francisco.
Professor Fernando referiu-se à origem e sentido da palavra realidade, à dimensão social da pessoa humana, à sua cidadania, com direitos e deveres, a aspectos da desigualdade social e pistas para superá-la. Ressaltou também a intolerância como uma característica da realidade atual. Chamou a atenção para alguns dados estatísticos, entre os quais o crescente envelhecimento da população. Apontou para a importância de a Igreja estabelecer canais de diálogo com a sociedade, num contexto de individualismo e da propalada teologia da prosperidade, buscando criar solidariedade e a cultura da paz.
Pe. Valter observou que os desafios da realidade social são os desafios da Igreja, pois está inserida nela. Acentuou as mudanças complexas, profundas e rápidas que caracterizam uma mudança de época. Citou passagens das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil referentes ao enfraquecimento das instituições, à pluralidade cultural e religiosa e a outros aspectos. Motivou a se ter um olhar positivo para a Igreja e sua ação, a criar possiblidades de experiências religiosas marcantes, a fortalecer a formação dos leigos, a marcar presença nos chamados novos areópagos do nosso tempo.
A representação da Igreja casa
Visando visualizar a dimensão da Igreja como casa, diversos participantes, literalmente, construíram uma casa destacando os 4 pilares apontados pelas Diretrizes Gerais, Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. A partir dela, houve a proclamação da passagem do Evangelho de São Lucas sobre os discípulos de Emaús.
Recordação das assembleias anteriores e da síntese das pré-assembleias
Ressaltando que, em toda atividade, é necessário ter presente o passado, foi apresentado, visualmente, apanhado das 13 assembleias anteriores.
Depois, o assessor metodológico retomou a síntese das pré-assembleias, cujos dados foram elencados em seis possíveis horizontes de ação com fronteiras a serem superadas em cada um.
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil e no Sul 3 da CNBB
Pe. Maicon expôs, brevemente, o objetivo geral das Diretrizes Gerais, “Evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. Referiu também os indicativos de ação nos 4 pilares sobre os quais se constrói a Igreja: da Palavra: iniciação à vida cristã e animação bíblica da vida e da pastoral; do Pão: liturgia e espiritualidade; da Caridade: serviço à vida plena; da Ação Missionária: estado permanente de missão.
Retomada da organização do 13º Plano Diocesano e proposta para o 14º
Pe. Maicon recordou como se estrutura o atual Plano Diocesano da Ação Evangelizadora, a partir dos setores e movimentos. Diversas observações das pré-assembleias indicam que não está tendo resultado. Sugeriu uma nova proposta, de horizontes comuns de ação. O assessor explicou a proposta e coordenou a leitura da sugestão na síntese das pré-assembleias.
HORIZONTE 1: Igreja na escuta da Palavra – Iniciação à Vida Cristã e Catequese;
HORIZONTE 2: Igreja aberta a todos: protagonismo e participação dos leigos;
HORIZONTE 3: Igreja: comunidade de comunidades;
HORIZONTE 4: Igreja aberta aos sinais dos tempos: mundo urbano;
HORIZONTE 5: Igreja que partilha o pão: vocação, missão e solidariedade;
HORIZONTE 6: Igreja que forma e envia discípulos-missionários: formação permanente e novos subsídios.
A indicação do assessor foi de que se ficasse no máximo em três.
Nas ponderações em pequenos grupos e nas intervenções do plenário, chegou-se a duas propostas. Uma tendo três horizontes ligados aos três pilares da Palavra, do Pão e da Caridade, ficando o da Ação Missionária como transversal aos três. Outra, de agrupar os seis horizontes em três.
Em votação, a assembleia definiu a segunda proposta, ficando a comissão de apresentar a síntese no dia seguinte.
Celebração conclusiva do dia
Na conclusão dos trabalhos do dia, em forma orante, houve a representação da passagem do evangelho sobre os discípulos de Emaús e do processo de confecção do pão. Nesse, foi lembrado que
poder se bonito, mas é difícil fazer o pão. Significa que é necessário ter disponibilidade, paciência, humildade, deixar-se transformar e fracionar, passando pelo fogo do amor e do Espírito Santo. Por esta razão, o pedido: ajuda-nos, Senhor, a ser pão para os outros.
A visita de Dom Girônimo
Em tratamento de saúde, deslocando-se em cadeira de rodas, Dom Girônimo Zanandréa, Bispo emérito, marcou presença na Assembleia. Em sua saudação aos participantes, manifestou sentir-se feliz pela alegria manifestada ao vê-lo. Disse que está melhorando e pediu para que todos continuem rezando por ele. Já está com dívida impagável a todos pelas atenções que lhe dedicam. Continuando a rezar por ele, ficará com dívida ainda maior.