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Cultura

A história de uma revolução que se transformou em símbolo da identidade gaúcha

Desfile Farroupilha terá início às 9h, com o percurso pela Avenida Maurício Cardoso até a Praça da Bandeira

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

 O dia 20 de setembro ocupa um lugar especial no calendário e na memória dos gaúchos. A data marca o início da Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, movimento que teve início em 1835 e se estendeu até 1845, tornando-se um dos acontecimentos mais marcantes da história do Rio Grande do Sul.

Representa a lembrança de um período de intensas disputas políticas, econômicas e sociais que marcou profundamente a formação histórica da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. A Revolução Farroupilha começou em 20 de setembro de 1835, quando tropas lideradas por Bento Gonçalves tomaram Porto Alegre.

As razões que levaram ao conflito

 Entre os fatores que contribuíram para o início da revolta estavam as insatisfações de setores da sociedade gaúcha com o governo imperial e questões econômicas relacionadas à produção e comercialização do charque, um dos principais produtos da economia regional naquele período.

 Os produtores gaúchos enfrentavam dificuldades para competir com o charque produzido no Uruguai e na Argentina, enquanto reivindicavam mudanças na política tributária. Também havia insatisfação com a administração da província e com a participação do Rio Grande do Sul nos conflitos militares ocorridos na região do Prata.

 A revolta, entretanto, não pode ser reduzida a uma única causa. A documentação histórica mostra um movimento complexo, envolvendo principalmente setores das elites estancieiras e militares, mas também diferentes grupos sociais. Entre os participantes estavam combatentes negros, incluindo os conhecidos Lanceiros Negros.

De revolta provincial à República Rio-Grandense

 Nos primeiros anos do conflito, os farroupilhas conquistaram importantes posições. Em 11 de setembro de 1836, após uma vitória militar, Antônio de Souza Netto proclamou a República Rio-Grandense, tendo Bento Gonçalves como presidente.

 A guerra também ultrapassou as fronteiras da província. Em 1839, os farroupilhas, com participação de nomes como Giuseppe Garibaldi, conquistaram Laguna, em Santa Catarina, onde foi proclamada a chamada República Juliana.

 O conflito, porém, continuou por anos, alternando vitórias e derrotas dos dois lados. O desgaste das tropas e as dificuldades enfrentadas pelos revolucionários acabaram levando à negociação de uma solução para a guerra.

O fim da guerra

 Depois de aproximadamente dez anos de confrontos, a paz foi negociada. Em 28 de fevereiro de 1845, foi assinado o Tratado de Poncho Verde, encerrando oficialmente a Revolução Farroupilha. A guerra terminava, mas sua memória permaneceria profundamente ligada à identidade cultural do Rio Grande do Sul.

Do conflito histórico à tradição gaúcha

 Com o passar do tempo, a Revolução Farroupilha deixou de ser lembrada apenas como um episódio militar e político do século XIX. A história passou a ocupar um espaço importante nas manifestações culturais e tradicionalistas do Estado.

 A Semana Farroupilha, os acampamentos, os CTGs, as músicas, as danças, o chimarrão, a culinária, a indumentária e as manifestações campeiras fazem parte desse processo de preservação e transmissão de tradições.

 No calendário oficial do Estado, os Festejos Farroupilhas envolvem CTGs, Movimento Tradicionalista Gaúcho e diferentes instituições e segmentos sociais. O 20 de Setembro é feriado estadual desde 1995.

O 20 de Setembro em 2026

 Neste ano, os Festejos Farroupilhas 2026 têm como tema “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”, destacando a influência indígena e missioneira na formação cultural do Estado. A patrona dos festejos é Marianita Ortaça, artista, cantora, compositora, gaiteira e percussionista ligada à cultura missioneira.

 A programação oficial já começou. Em 14 de setembro, a Chama Crioula chegou a Porto Alegre e foi acesa no Palácio Piratini, dando início aos festejos oficiais de 2026. A centelha foi gerada em Rio Pardo, em 14 de agosto, e conduzida até a capital por cavalarianos.

 Na capital gaúcha, o tradicional Desfile Farroupilha está marcado para o dia 20 de setembro, na Avenida Edvaldo Pereira Paiva, integrando a programação oficial dos festejos.

Uma data para conhecer e refletir

 O 20 de Setembro permanece como uma das principais referências da identidade cultural do Rio Grande do Sul. Conhecer a Revolução Farroupilha, porém, significa também compreender que a história é formada por diferentes personagens, interesses e experiências.

 Ao recordar os acontecimentos iniciados em 1835, o Estado preserva uma parte importante de sua trajetória. Ao mesmo tempo, as celebrações contemporâneas permitem que novas gerações conheçam as tradições e reflitam sobre a diversidade de influências que ajudaram a formar a cultura gaúcha.

 Mais de 180 anos depois do início da Revolução Farroupilha, o 20 de Setembro continua sendo uma data de memória, cultura e identidade para o povo do Rio Grande do Sul.

Desfile Farroupilha de Erechim

 O Desfile Farroupilha terá início às 9h, com o percurso pela Avenida Maurício Cardoso até a Praça da Bandeira. A atividade integra a programação do 14º Acampamento Farroupilha de Erechim, realizado pela 19ª Região Tradicionalista e pela Prefeitura de Erechim.

 O Centro Municipal de Eventos e Tradições Gaúchas Zulmir José Sotoriva, na Rua Josefina Dalla Rosa, no bairro Boa Vista, é o principal espaço das atividades do Acampamento.

Programação do dia 20

9h – Desfile Farroupilha


Avenida Maurício Cardoso, seguindo até a Praça da Bandeira

17h – Encerramento e extinção da chama

18h – Show com Cantilena Vocal

 

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