O Sistema FIERGS, por meio da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) e do Observatório da Indústria do RS, revisou as projeções econômicas para o Brasil e Rio Grande do Sul em 2026. A estimativa geral do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho manteve-se em 2,2%. A principal revisão ocorreu no crescimento da indústria, cuja expectativa de alta subiu de 0,8% para 1,8%, em razão do desempenho da indústria da transformação. A previsão de crescimento da agropecuária foi revisada de 9,5% para 9,2%, enquanto a projeção de serviços recuou de 1,7% para 1,5%. As novas projeções foram divulgadas nesta quinta-feira (17).
A produção industrial gaúcha teve revisão de crescimento de 0,6% para 1,7%, por conta do desempenho positivo no primeiro semestre (+3,6%). O resultado foi impulsionado pelos segmentos de alimentos e derivado de petróleo, que juntos foram responsáveis por 91,7% do crescimento. A projeção para as exportações da indústria gaúcha foi revisada de US$ 16,7 bilhões para US$ 16,9 bilhões em 2026.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a revisão da projeção para a indústria está em linha com uma melhora nos resultados observados em alguns segmentos, no entanto o ambiente econômico exige cautela nos próximos meses. “A elevação da projeção para a indústria, especialmente com a contribuição de alimentos, com impulso significativo das exportações, e de derivados do petróleo, como reflexo do conflito no Oriente Médio, é um sinal positivo. Ao mesmo tempo, seguimos diante de um cenário de juros elevados, crédito restritivo e incertezas no país, como a crise institucional, que limitam um crescimento mais forte. É importante criar condições para que a indústria cresça de forma disseminada e consistente, ampliando a geração de empregos e renda no estado”, afirma.
A projeção para o PIB brasileiro foi mantida em 1,9% em 2026, com ajustes na composição setorial. A agropecuária teve a estimativa reduzida de 2,1%, em abril, para 1,6%, enquanto a projeção da indústria subiu de 1,3% para 1,7%. Já os serviços continuam com crescimento previsto de 1,9%.
O economista-chefe do Sistema FIERGS, Giovani Baggio, afirma que a revisão das projeções é importante para ajudar empresas e investidores a recalibrarem suas decisões diante das mudanças no cenário econômico. “O documento aponta que o cenário de juros elevados, desaceleração da atividade econômica e aumento das incertezas no ambiente doméstico e internacional são desafios para os próximos meses, ainda mais tendo em vista o elevado endividamento público e privado. As atualizações das projeções contribuem para uma visão mais clara do ambiente econômico e auxiliam o setor produtivo na tomada de decisões”, ressalta.
Confira os principais resultados da revisão para o Brasil e para o RS na comparação com a revisão de abril
PIB
Brasil: 1,9%, projeção mantida
RS: 2,2%, projeção mantida
Produção industrial
Brasil: 1,5%, ante 0,9% na projeção anterior (abril)
RS: 1,7%, ante 0,6% na projeção anterior (abril)
Geração de emprego
Brasil: 850 mil vagas, ante 855 mil da projeção anterior (abril)
RS: 23,5 mil vagas, ante 40 mil da projeção anterior (abril)
Taxa de desocupação (média do ano)
Brasil: 5,4%, ante 5,9% da projeção anterior (abril)
RS: 4,0%, ante 4,4% da projeção anterior (abril)
Inflação
IPCA: 4,9%, ante 5,1% da projeção anterior (abril)
INPC: 4,8%, ante 5% da projeção anterior (abril)
Taxa de juros
Selic: 13,75%, ante 13,25% da projeção anterior (abril)
Taxa de câmbio (final do período)
Dólar: R$ 5,15/US$, ante R$ 5,08 da projeção anterior (abril)
Exportações
Brasil: US$ 368,9 bilhões em exportações totais, ante US$ 345,2 bilhões da projeção anterior
RS: US$ 22,2 bilhões em exportações totais no final do ano de 2026, ante US$ 22,1 bilhões da projeção anterior. A Indústria de Transformação deve exportar US$ 16,9 bilhões ao final de 2026, ante US$ 16,7 bilhões da projeção anterior
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