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Economia

Paralisação dos empregados da Caixa também atinge Erechim

Movimento nacional por tempo indeterminado começou nesta quinta-feira (10); trabalhadores rejeitaram proposta apresentada pelo banco e cobram mudanças, principalmente no custeio do Saúde Caixa

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Por Carlos Silveira
Foto Rodrigo Finardi

 Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela instituição para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A mobilização também alcança a região de Erechim, que integra a base do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Erechim e Região.

 A decisão de paralisação foi tomada após as assembleias realizadas em todo o país apontarem forte rejeição à proposta da Caixa. Segundo informações divulgadas pelas entidades representativas, mais de 90% dos trabalhadores que participaram das votações rejeitaram os termos apresentados pelo banco. A greve foi aprovada em dezenas de bases sindicais e começou oficialmente nesta quinta-feira.

 Em Erechim, a paralisação atinge o atendimento presencial da Caixa. A cidade possui duas agências da instituição e integra uma base sindical que abrange dezenas de municípios do Alto Uruguai. O Sindicato dos Bancários de Erechim tem sede na avenida Maurício Cardoso e representa trabalhadores de Erechim e de outros municípios da região.

Saúde Caixa é o principal ponto de conflito

Entre os diversos itens que estão sendo discutidos na campanha salarial, o principal foco de resistência dos empregados está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos trabalhadores.

 A proposta apresentada pela Caixa prevê mudanças no modelo de custeio. Atualmente, os empregados contribuem com 3,5% do salário-base, além de valores relacionados aos dependentes. A proposta eleva a participação sobre o salário-base para 5,5% e também aumenta os valores pagos por dependentes. Para os trabalhadores, a mudança representa aumento significativo da participação financeira dos empregados.

 O movimento sindical defende maior participação da Caixa no financiamento do plano e questiona especialmente o modelo apresentado pela instituição. Entre as reivindicações está o fim do teto estatutário de 6,5% para os recursos destinados à saúde e a retomada da proporção de custeio de 70% pelo banco e 30% pelos empregados.

 A questão ganhou peso durante as rodadas de negociação. Em 29 de agosto, a Caixa apresentou o que classificou como proposta final para o Saúde Caixa, acompanhada de encaminhamentos para outras demandas dos empregados. O sindicato, entretanto, avaliou que ainda permaneciam divergências importantes, principalmente em relação ao plano de saúde.

Carreira e remuneração também estão na pauta

 A paralisação, porém, não está restrita ao Saúde Caixa. A pauta dos trabalhadores envolve também carreira, remuneração variável, processos seletivos internos, funções gratificadas e condições de trabalho.

 Durante as negociações, a Caixa concordou com a criação de um grupo de trabalho para discutir temas como PFG, PCS, processos seletivos internos e remuneração variável. A categoria reivindica, entre outros pontos, maior transparência nos critérios de remuneração variável, revisão do Super Caixa e negociação das regras dos programas que interferem diretamente na renda dos empregados.

 Também estão em discussão os modelos de atendimento Figital e Genesys, que, segundo os representantes dos trabalhadores, têm provocado mudanças na organização do trabalho e aumento da pressão sobre os empregados.

 A negociação ainda envolve questões relacionadas a pessoas com deficiência, afastamentos por motivo de saúde, férias, monitoramento de metas e outras condições de trabalho.

Negociações continuam

 Mesmo com o início da greve, as tratativas entre Caixa e representantes dos empregados não estão encerradas. A instituição afirma que mantém aberto o diálogo com as entidades sindicais e que pretende buscar um entendimento para a renovação do acordo coletivo.

 A Caixa também destaca a necessidade de conciliar a valorização dos empregados com a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à população. As entidades sindicais, por outro lado, defendem que uma nova proposta precisa responder às principais reivindicações da categoria.

 Na avaliação dos representantes dos trabalhadores, a expressiva rejeição registrada nas assembleias demonstra que a proposta apresentada ficou distante das expectativas dos empregados. A expectativa agora é de que a paralisação pressione a empresa a avançar nas negociações e apresente novos termos.

Atendimento ao público

 Com a greve, os clientes da Caixa devem encontrar restrições no atendimento presencial das agências, inclusive em Erechim. A instituição orienta os usuários a priorizarem os canais digitais e remotos, além das alternativas disponíveis nas lotéricas e correspondentes bancários para os serviços que puderem ser realizados por esses meios.

 Serviços como movimentações de conta, pagamentos, transferências e consultas podem continuar sendo realizados por canais eletrônicos, embora operações que dependam exclusivamente do atendimento presencial possam sofrer impacto durante a paralisação.

 A greve não tem prazo definido para terminar. O movimento deverá continuar enquanto não houver entendimento entre a Caixa e os representantes dos empregados ou nova decisão das assembleias da categoria.

Legenda: Em Erechim a paralisação atinge duas agências, da Tiradentes e Sete de Setembro

Foto: Rodrigo Finard

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