A vida do ser humano é como uma caixinha de surpresas que vai se adaptando a cada momento em que se apresenta uma oportunidade ou uma dificuldade. Nesta jornada que para uns pode demorar um pouco e para outros uma longa caminhada, a adaptação é uma constante e o gosto de amar o que faz torna a vida bem mais fácil e alegre.
As profissões escolhidas, hoje, são as mais diferentes possíveis, seja com passagem pelos bancos universitários, experiência de vida, aprendizado e necessidade. Dentro destas escolhas existem àqueles que querem ser apenas palhaços, aquela figura que vestida de uma forma mais alegre e divertida acaba desempenhando um grande papel da sociedade, embora grande parte da população os vê como invisíveis, principalmente quando estão realizando suas atividades junto a um semáforo de uma cidade ou outra.
E é com uma figura destas que nos deparamos na manhã desta quinta-feira, 25, junto ao semáforo defronte o campus de URI de Erechim, uma figura extremamente simpática, falante e que, além de buscar o sustento para ele e sua esposa, também propaga a palavra de Deus, já que pertence a uma igreja na cidade de Curitiba, Paraná, onde mora atualmente.
O mineiro
Estamos falando de Weslei Cipriano Campos, 46, natural de Governador Valadares, Minas Gerais que chegou em Erechim para conhecer a cidade, espalhar a palavra sagrada e trazer um pouco de alegria as pessoas as quais mantém contato durante o tempo em que se encontra através da arte do palhaço de circo, já que esta é a sua profissão. “Estamos junto ao semáforo falando do amor de Deus para as pessoas e mostrando a minha arte por meio do boneco e o malabarismo”.
Quase todo o Brasil
Nesta jornada, Weslei destaca que já percorreu muitas cidades no Brasil, ou seja, são mais 500, sendo que faltam somente dois estados para conhecer todo o território, ou seja, o Amazonas e o Ceará.
Dia a dia
Com relação a rotina do dia a dia, destaca que é a mesma de um cidadão comum, que acorda cedo, higieniza-se, lê a Bíblia e trabalha nas ruas levando a arte. “Minha esposa está em casa cuidando das tarefas domésticas, mas também me auxilia neste trabalho, já que além desta atividade ao ar livre também estamos juntos as escolas e casas de recuperação, creches, hospitais, ou seja, aonde nos convidam nós levamos este trabalho unindo arte e a fé”.
Garimpo
“No farol executamos um trabalho de garimpo, pois tem horas que vem uma pepita e outras não. Recebemos olhares de todos os jeitos. As vezes a profissão de malabarista de farol não é tão aceita, acham que todos são malandros, mas quando param para conversar se deparam com um cidadão que está trabalhando e que tem uma vida por trás. Vale a pena parar e conversar com artistas de rua pois eles têm um motivo para estarem ali”, pontua.
Bem recebido
No Rio Grande do Sul, Weslei ressalta que está sendo muito bem recebido, já que está a quase dois anos em solo gaúcho. “Por onde caminhamos somos muito bem recebidos, como também o Nordeste e a Paraíba. Estamos amando o povo gaúcho”.
Sobrevivência
Falando em sobrevivência, pontua que se Deus abençoar o trabalho, a diferença é muito grande, seja em qual for a atividade que for executada. “Eu sobrevivo não somente pelas pessoas, mas também com a mão de Deus que me guarda e assim posso tocar no coração das pessoas para que possam contribuir. A minha roupa de personagem foi a minha esposa que fez e nela adaptou o boneco, uma criatividade que chama a atenção de todos”.
Suporte
Como suporte financeiro, Weslei ressalta que recebe uma verba da igreja ao qual pertence. São vários os pregadores que executam atividades distintas, como em comunidades mais carentes, nas ruas como ele e nas áreas indígenas para levar a mensagem da Bíblia a todos.
Domingo na praça
Neste domingo, 28, ele estará juntamente com a sua esposa na Praça Municipal Prefeito Jayme Lago, oportunidade em que irá fazer uma apresentação de malabarismo com objetos e com uma mini bicicleta e, como sempre, levar a mensagem e orações.
Origem dos palhaços
Com relação a origem do palhaço, há relatos de figuras semelhantes ao contemporâneo desde 2500 a.C, no Egito antigo. São encontradas várias outras referências, como em Roma, Grécia, China e até em civilizações americanas, como a dos astecas. Podemos achar referências à arte de fazer rir quatro mil anos atrás.
A origem da palavra Palhaço é italiana. Na época das caravanas medievais e das feiras que originaram as cidades, os artistas de rua procuravam atrair o público através de imagens e figuras que eram mais comuns a todos, na sua grande maioria, camponeses.