O Jornal Bom Dia, no debate de fatos que possam influenciar na vida do ser humano, busca, constantemente, um tema que possa ser colocado em pauta. Já falamos sobre a depressão e seus malefícios e hoje nosso tema será o ciúmes, sentimento que em muitos seres humanos faz a diferença no conviver com o próximo no dia a dia. Muitos garantem que não sentem e nem fazem questão de mencionar em seus vocabulários, mas para outros a situação pode ser diferente, mas ele faz parte da vida de cada um.
Mas, para falarmos um pouco mais aprofundado sobre isso buscamos a assessoria do psicólogo clínico, Paulo Kautz que trata do tema, também no seu dia a dia, quando o foco é relacionamento e comportamento humano.
Paulo aponta que, dificilmente alguém de nós, em algum momento da vida já não experimentou este sentimento chamado ciúmes; no amor, no trabalho, na família, nas relações sociais, na vida.
“Se alguma pessoa não o experimentou, a psicanálise apresenta-nos a possibilidade de uma possível repressão inconsciente, podendo até sua ausência sugerir dificuldades psico-emocionais. Assim, como a vivência extremada do ciúmes e a exagerada intensidade pode nos desvelar sérias patologias”, pontua.
Para ele, existe uma normalidade no ciúmes (uma defesa/uma reação), sentimentos como alegria, tristeza, medos, receios, onde o ciúmes na relação amorosa apresenta-se na possibilidade natural de perda do ser amado (medo de ser abandonado) gerando certo sofrimento.
“Também o receio de não ser suficientemente amado, desejado e a automática redução da autoestima, possibilitando profundos sentimentos de incapacidade. A “normalidade do ciúmes” dependerá muito de como se encontra a estrutura de personalidade da pessoa, sua formação e fortalecimento na identidade pessoal e fundamentalmente as bases da dinâmica da relação amorosa, gerando formas saudáveis de lidar com tal sentimento”, garante.
Porém, ressalta Kautz, existe o ciúmes que se aproxima do aspecto patológico, na vontade de controle e dominação sobre o outro, fantasias paranoides, obsessão pela posse, a perda da liberdade, o uso da violência.
“Fundamental compreender o que é natural e patológico no ciúmes, desenvolver a honestidade e a confiança na relação, bem como a comunicação, identificando a origem do ciúmes. Nenhum sentimento no amor pode ser maior do que a liberdade de escolha. Amor saudável nunca será nó, será sempre o laço desta escolha”, finaliza.