Setembro é também o mês que se ressalta a importância da inclusão da pessoa surda a sociedade. Podemos destacar algumas datas: o Dia Nacional do Surdo (26/09), Dia Mundial dos Surdos e dos Interpretes de Libras (30/09), além do Dia Mundial das Línguas Gestuais (23/09), que tem como objetivo colocar a linguagem gestual no patamar das línguas faladas e promover a aprendizagem e a identidade da comunidade surda na diversidade linguística e cultural. Em todo o mundo estima-se que há aproximadamente 72 milhões de pessoas surdas e que elas dispõem em sua comunicação de 300 diferentes sinais linguísticos.
A tradutora e intérprete da Língua Brasileiras de Sinais (Libras), Silvia Remos, que desde 2015 trabalha profissionalmente na área, participou na última semana do programa Bom Dia Entrevistas, da TV Bom Dia e destacou que é fundamental para comunidade surda o trabalho dos interpretes e tradutores. “Desta forma esse público tem seu direito garantido de acesso a informações, seja na área educacional cultural ou na sociedade em geral”, pontua.
História do setembro Azul
Silva, explica que a cor azul foi escolhida para representar a comunidade surda pela sua vibração forte ao olhar. “Outro motivo é para lembrar a importância destas pessoas terem seus direitos garantidos, pois durante a II Guerra Mundial quem tinha deficiência era identificado com uma fita azul no obro, pelos nazistas, assim ser depois exterminado em um campo de concentração”, pontua
Carinho que se transformou em trabalho
A intérprete conta que começou a apreender a língua de sinais em 2010, logo após descobrir que a filha então com três anos era surda. “Inicialmente tentamos o aparelho auditivo, mas não funcionou, então eu queria que ela se socializasse com as pessoas, principalmente na escola, foi quando procuramos APADA – Erechim (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivo) e começamos a apreender libras juntas, para se comunicar”, explica.
“É preciso estar sempre estudando”
Pós-graduada em Libras, Silvia, conta que em 2015, percebeu que poderia também trabalhar como interprete. “Então fiz vários cursos, na busca de apreender o vocabulário e melhorar ainda mais a tradução e recentemente conclui a pós. A língua de sinais exige pratica, não adianta você fazer o curso e parar de sinalizar é preciso contato com a comunidade surda, para que se compreenda melhor e cada vez possa sinalizar com mais clareza. Para mim no inicio foi difícil, por que é uma língua viva, ela segue se modificando e tem seus regionalismos como o português. É preciso estar sempre estudando”, ressalta.
Mercado de trabalho
A língua de sinais no Brasil é recente e foi oficializada em 2002, com isso o vocabulário passou por várias mudanças e padronizações na busca de acessibilidade, exigindo capacitação dos profissionais que trabalham com tradução. “Vejo esse como um mercado que tem muito a crescer, principalmente neste período de pandemia que passamos, muitas empresas buscaram os interpretes para palestras, eventos em geral. Acredito que a demanda deva aumentar, pois acessibilidade é um assunto cada vez mais em pauta e também ampliação da legislação sobre esse tema”, explicou.
120 pessoas surdas
Dados da APADA-Erechim, apontam que atualmente na maior cidade do Alto Uruguai existam cerca de 120 pessoas surdas. “Falando em âmbito regional esse número é muito e são poucos ainda os profissionais para realizar esse trabalho”, explica.
Valorização profissional
Segundo Sílvia, um dos pontos que ainda fazem o número de interpretes e tradutores ser menor é a valorização profissional. “Muitas pessoas ainda têm dificuldade de compreender como funciona esse trabalho. Não é apenas fazer gestos, é preciso ter uma grande atenção para receber a informação e simultaneamente gerar o sinal, fazendo assim a inclusão, mas estudos comprovam que essa atenção necessária é de até 30 minutos, portando muitas vezes em uma palestra de duas a três horas é preciso contratar mais de uma pessoa para se ter realmente um resultado excelente na comunicação com a pessoa surda”, destaca.
Mensagem a comunidade surda
A intérprete encaminhou uma mensagem a comunidade surda ao fim da entrevista. “Parabéns pelo trabalho que vocês fazem todos dias na busca de estarem mais juntos com sociedade. Vocês sempre poderão contar conosco interpretes e tradutores”, finalizou.