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Dos desafios à aprovação: o sonho de ser PRF

Ex-chefe de segurança do Presídio Estadual de Erechim, Eduardo Seibert Rohde, está entre os aprovados em um dos maiores e mais concorridos concursos públicos do país, o da Polícia Rodoviária Federal

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Eduardo Seibert Rohde, de 33 anos, foi aprovado no concurso da Polícia Rodoviária Federal
Coordenador-Geral Substituto da Universidade Corporativa da PRF (UNIPRF), Leandro Wachholz
Por Nathan Breitenbach
Foto Arquivo Pessoal

A busca por motivação surgiu cedo, por meio de livros e vídeos. Natural de Ceu Azul-PR, em 23 de outubro de 2018, Eduardo Seibert Rohde, de 33 anos, veio a Capital da Amizade para trabalhar no Presídio Estadual de Erechim. Atuou em regime de plantão, e em maio de 2019 recebeu o convite para trabalhar na segurança. Pouco tempo depois, assumiu a função de chefe de segurança. “Ali me deparei com inúmeros desafios que foram muito importantes para o amadurecimento pessoal e profissional, porém o desejo de pertencer à Polícia RodoviáriaFederal voltou à tona ao final do ano passado”, explica. 

​Filho de cabeleireira e de um atendente de posto decombustíveis, pai de dois filhos - um de oito e outro de três anos, decidiu estudar novamente em setembro de 2020. Quando estava fazendo expediente, estudava uma hora pelamanhã antes de ir para o trabalho, e mais uma hora à noite, mesmo assim achava que não era suficiente. Ao suspeitar que em breve abriria outro concurso da PRF, sabia que nesse ritmonão conseguiria aprovação.

Vontade antiga

Devido às funções que assumiu no presídio, os cursos e Pós-Graduações que realizou, já estava com a carreira bem encaminhada na Susepe, mas a vontade antiga de entrar na PRF falou mais alto e em dezembro de 2020 saiu da função dechefe de segurança e voltou a fazer plantões. “Assim, poderia dar o meu máximo nos estudos, e não me importava se seria aprovado nesse concurso. Eu queria chegar na prova com atranquilidade de ter feito o meu melhor”, conta. Seguindo os estudos de janeiro à maio de 2021 - quando fez a prova,precisou se dedicar intensamente para o concurso, conseguindo uma boa pontuação e a aprovação.

Inspirações e críticas

Além da própria mãe, se inspirou no livro “De faxineiro a Procurador da República” de Manoel Pastana. Também, leu a biografia do Airton Senna, presente de um amigo, que fez conhecer um verdadeiro exemplo de dedicação e perseverança. Ainda, refletiu com a história de alguns professores ao longo da preparação, como exemplo Daniel Sena, Evandro Guedes e Ronaldo Bandeira. Também contou com mais apoio do que crítica. Tentava entender o porque aquela pessoa estava criticando, analisava a vida dela e comparava com a que pretendia ter. Se fosse crítica construtiva absorvia, se não, apenas escutava e relevava.

Sensação momentânea

Certa vez ouviu uma frase de um palestrante que dizia: “todos nascem com um cérebro zerado”, ou seja, o ser humano possui condições de desenvolver e aprender. “Haverá momentos de desânimo, incertezas, descrenças, é natural, isso faz muitas pessoas desistirem dos estudos. Porém, deve se ter consciência de que essa sensação é momentânea, em um dia em que se está mal, é mais vantajoso relaxar, fazer alguma coisa que goste, e logo no dia seguinte voltar à rotina mantendo o foco; exceção não pode virar regra”.

Faculdade

Criado em Cascavel-PR, começou a trabalhar aos 16 anos como pintor de casas e prédios para ajudar nas despesas emcasa. Fez todo o Ensino Médio trabalhando durante o dia e estudando a noite, sempre em escola pública. Ao final do Ensino Médio não tinha condições de pagar uma faculdade, enunca fez vestibular em faculdade pública porque não tinha muito tempo para estudar e achava que não conseguiria passar devido ao grau de dificuldade. “Fiz o Enem em 2005 econsegui me inscrever no Prouni daquele ano, com a minha nota consegui apenas o curso tecnólogo em Marketing –presencial na Faculdade Alfa Brasil em Cascavel-PR,instituição que não existe mais”, lembra.

Materiais

O concurseiro iniciou os estudos em 2012 com o Alfacon para a PM-PR. Antes disso, comprava livros e apostilas, mas nunca os lia até o final, pois “era mais vontade do que dedicação”. Na preparação para a PRF, adquiriu a mentoria de Ronaldo Bandeira, e de início seguiu à risca, mas conforme avançava via que precisava mais. Observou o que precisava melhorar e procurou por professores e materiais que se adaptava melhor. 

Simulados

Dependia de cada matéria, assistia videoaulas de professores que gostava - assuntos mais fáceis, lia o material impresso várias vezes. Aliado a isso, adiquiriu dois projetos de simulados, o Projeto Missão, voltado para a PRF, que tinha simulados com rankings todos os fins de semana e banco de questões inéditas para praticar. Além disso, adiquiriu o Projeto Caveira que seguia a mesma metodologia. Como cada simulado desprendia quatro ou cinco horas, fazia simulado aos domingos em horário de provas. Adquiriu também um pacote de correção de redações do Redação Online, onde as redações dos simulados que fazia, enviava para correção. Comprou alguns materias avulsos na internet, que achava que ajudariam por serem mais focados nas matérias que devia melhorar.

Nove horas líquidas de estudo

Para se dedicar aos estudos, precisou abrir mão da carreira na Susepe. Muitos fins de semana e feriadões via amigos indo para praia, fazendo churrasco, se divertindo de modo geral, mas mantinha o foco estudando. O lazer era brincar com osfilhos cerca de uma hora ou menos ao fim do dia, e assistir um filme por semana como forma de recompensa pela semana de estudo. De setembro à dezembro de 2020 estudou duas horas por dia, uma hora antes de ir trabalhar e uma hora à noite. A partir de janeiro deste ano, foi aumentando gradualmente echegou a fazer nove horas líquidas num dia.

Rendimento

Percebeu então, que exagerando em quantidade o rendimento diminuía, o corpo sentia e os resultados nos simulados caíam. Foi adaptando até estabelecer seis horas líquidas por dia, era uma quantia executável e não ficava muito cansado para manter uma constância. “Nos dias de folga eu acordava por volta das 6h30, começava estudar às 7h e parava 8h30 paratomar café. Retornava às 10h e parava novamente ao meio dia para almoço. Sempre fazendo intervalos de 10min a cada 50min ou uma hora de estudo. Retornava às 14h e parava às 17h para café da tarde/janta. Estudava novamente das 20h às 22h. Descontando os intervalos, dava as seis horas líquidas, e se ao final eu via que tinha prolongado algum intervalo ou algo havia atrapalhado, eu prolongava além das 22h para fechar as seis horas. Tentava sempre adaptar meus afazeres nos intervalos entre os horários de estudo”, acrescenta.

Concursos

Especificamente para a Polícia Rodoviária Federal, estudou em 2016 e 2017, mas não com muita dedicação, porque nesse período fazia concurso do DEASE-SC, PC-SC, PM-SP, SUSEPE e PC-RS, e quando os editais abriam, estudava para essas provas em específico, quando não havia prova em vista mantinha  os estudos para a PRF.

Em 2017 fez concurso para agente de Polícia Civil de Santa Catarina, onde conseguiu ser aprovado também, mas nãodentro das vagas. Após todas as etapas, ficou na posição 545 ao final, e ainda está no cadastro aguardando nomeação. Início de 2018 fez também o concurso de agente de Polícia Civil do Rio Grande do Sul e mais uma vez obteve aprovação –novamente fora das vagas, dessa vez bem distante, próximo da posição 2 mil. As outras fases eram durante o curso da Susepe, e devido estar distante e não ter recurso financeiro na épocapara fazer os exames de saúde, acabou desistindo do concurso.

Investimento

Financeiramente, algumas vezes precisou de ajuda. A própria inscrição do concurso da Susepe a mãe de Eduardo pagou porque ele não tinha como bancar na época, além de outras situações que ela e o padrasto ajudaram também. “Mas ao longo de todos os concursos, devo ter investido algo no valor de um carro popular. Só no concurso da PRF, em materiais e cursos gastei cerca de R$ 2.000,00, nas demais etapas foram aproximadamente mais R$8 mil”, ressalta.

Aprovação

Esse foi o primeiro concurso da PRF que fez. Em 2018 entrava na Susepe e queria conhecer o trabalho e o órgão. Na época, o segundo filho tinha acabado de nascer, queria curtir ele e também não estava estudando. Por ter se dedicado bastante e estar atingindo boas notas nos simulados, sentia que seria aprovado nesse concurso, porém, não esperava que ficaria dentro das vagas ao final das etapas, imaginava que ficaria no cadastro reserva e demoraria um tempo para ser chamado. “Ao final das etapas fiquei em 656, são ao total 1.500 vagas para a primeira turma, considerando concorrência ampla, cotas e PCD. A sensação da aprovação é a melhor possível, sentimento de dever cumprido e recompensa por todo esforço empregado”. 

 

Expectativa

Na PRF, deseja contribuir com a experiência, aprender bastante, e somar à instituição que vem demonstrando excelência em segurança pública, tanto no combate ao crime quanto na fiscalização das rodovias. “Minha família ficou muito feliz, sempre me apoiaram, minha esposa sempre me ajudou e os filhos apesar de nem sempre compreenderem, as vezes queriam atenção, mas sabiam a finalidade do pai ficar em casa no quarto estudando por horas. Também procurei tirar um tempo para ficar com eles ao final do dia, para que soubessem que eles teriam ‘a hora deles”, conta. A mãe do concurseiro veio de Cascavel para ficar cuidando dos filhos para que ele e a esposa fossem realizar a prova em Porto Alegre. “Sempre com palavras de motivação e me incluindo nas orações dela”. 

 

UNIPRF

À reportagem, o coordenador-geral substituto da Universidade Corporativa da PRF (UNIPRF), Leandro Wachholz, explicou que o concurso tem a prova escrita, testes físicos, psicológicos, médicos e investigação social. Após o candidato ser aprovado nestas, será chamado, dentro do número de vagas para o curso de formação. No curso de formação, que ocorre em Florianópolis-SC de 24 de setembro a 22 de dezembro, é realizado a formação do servidor. “Para o certame atual, teremos 1.500 vagas, que foram disputadas por 304 mil candidatos que possuem formação em ensino superior. Em número de candidatos tivemos o concurso de 2002 que teve 596 mil candidatos para 600 vagas. Este será o concurso nacional da PRF com maior número de vagas”, afirma. O curso de formação terá 20 disciplinas, que serão ministras em 500 horas de treinamento. Neste ano, contará com alunos de outros países, vindos da Espanha e Mercosul. 

Avaliações

Durante o curso de formação o aluno passa por avaliações de provas práticas, objetivas e testes psicológicos complementares. Também terá a investigação social em comportamentos e histórico do candidato. Cerca de 600 instrutores estarão trabalhando em três campis no norte da Ilha de Florianópolis. A estrutura conta com o maior complexo de tiros da América Latina, duas pistas para aulas de condução veicular e demais estruturas. Segundo Eduardo, a expectativa para o curso de formação é adquirir muito conhecimento, pois sabe que é exigente em relação à disciplina e requer bastante dedicação do candidato para obter a aprovação ao final. “Consegui alugar um apartamento em Canasvieiras, próximo à UNIPPRF, e a família irá comigo. Estaremos indo no próximo dia 20, o início do curso será dia 24 de setembro, com previsão de término para 22 de dezembro. Expectativa de sermos nomeados ao final do curso na formatura com a presença do presidente da República, assim como foi no curso anterior”, conclui.

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