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Mulheres conquistam cada vez mais espaço no campo

O empoderamento, investimento em especializações e força de vontade fazem com que o público feminino fique à frente das propriedades rurais

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Lara Eduarda Faggion Guero
Mara Motter
Gráfico
Por Taiane do Carmo/Ragnara Zago
Foto Arquivo pessoal

O maior trabalho da terra não seria grande sem a participação das mulheres. Histórias distintas, de diferentes origens e vocações, mas todas com uma paixão em comum: a agricultura.

Ao longo dos anos elas conquistaram espaço e com seu talento ajudam a transformar a riqueza dos campos. De fi gurantes à protagonistas, o público feminino tem feito toda a diferença atuando no agronegócio. 

Com sua força, lidam com a vida, motivando quem está ao seu redor a melhorar a cada dia, gerando novas oportunidades para as futuras gerações. Atuantes e colaborativas, seus olhares diferenciados, atentos aos mínimos detalhes, são essenciais para que a produção e os negócios fluam.

Realidade atual

Antigamente, uma menina fi lha de agricultor, não via a hora de terminar o Ensino Médio para morar em grandes centros, e construir carreiras longe do agro. Hoje a realidade já é diferente, como no caso de Lara Eduarda Faggion Guero, de Cacique Doble.

Produtora rural desde os 15 anos de idade, ela sentiu a responsabilidade de contribuir na gestão da propriedade e dar continuidade à produção da família. Após se formar na escola, decidiu cursar Engenheira Agrônoma na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). “Sou filha de agricultores e sempre demonstrei interesse na área. Estar no ramo do agro é satisfatório, é um setor sólido, que mesmo com crises, se manteve firme nos resultados e alcançando as expectativas”, afirma.

Especialização

Para ela, buscar especialização no trabalho, como a formação acadêmica e ter conhecimentos, contribui no desenvolvimento da sociedade e impulsiona a economia como um todo. Refletindo sobre o aumento da atuação feminina no campo atualmente, Lara destaca a valorização das mulheres. “Hoje, é notório o aumento da atuação feminina na agricultura, percebo que existe um reconhecimento maior, visto que ela pode agregar das mais variadas formas com uma visão diferenciada na busca de melhores resultados, seja na partilha de conhecimentos ou na prática, do plantio à colheita”, salienta.

Conquista

Mas nem sempre foi assim. A mulher já enfrentou diversas guerras ao longo da história, tanto na luta por igualdade para conseguir seus direitos, quanto para ter seu espaço dentro da sociedade. “Anteriormente, o preconceito vinha disfarçado de preocupação sobre a fragilidade da mulher ao exercer seu papel profi ssional. Agora, com a crescente participação em diversos setores e o avanço tecnológico, essa ‘preocupação’ não faz mais sentido, já que as mulheres do agro vêm exercendo não só um papel ativo de trabalho no setor, mas também como empreendedoras, buscando uma agricultura cada vez mais eficiente, competitiva, sustentável e plural”, explana Lara.

Sucessão familiar

Na avaliação dela, fazer o que gosta e ainda dar manter viva a sucessão familiar, não tem preço. “Me sinto realizada, trabalho como produtora rural desde adolescente, é gratificante realizar o que amamos, principalmente quando estamos iniciando e quando possuímos apoio de nossos pais. Trabalhar com a agricultura, é trabalhar com um setor essencial para a sustentação da vida”, explica.

Experiência e reconhecimento 

Mara Motter, produtora de Três Arroios, também foi um exemplo que se destacou com sua atuação no ramo, como contado em outras matérias exibidas pelo Jornal e TV Bom Dia. Após ganhar um prêmio de reconhecimento nacional, hoje ela buscar servir de inspiração para mulheres que, assim como ela, foram desacreditadas no início das atividades no campo. “Enfrentei difi culdades e ouvi muitos nãos, mas quando acreditamos no que queremos, sem baixar a cabeça e seguindo em frente, obtemos êxito. Não é porque somos mulheres, que não vamos conseguir. As dificuldades surgem? Com certeza, mas isso acontece em todas as áreas profissionais. Hoje, eu não trocaria minha profissão por nada”, aponta.

Saiba mais (Dados Embrapa e IBGE)

O número de mulheres dirigindo propriedades rurais no Brasil alcançou quase 1 milhão. A partir do Censo Agropecuário de 2017, o IBGE identifi cou 947 mil mulheres responsáveis pela gestão de propriedades rurais, de um universo de 5,07 milhões. A maioria está na região Nordeste (57%), seguida pelo Sudeste (14%), Norte (12%), Sul (11%) e Centro-Oeste, que concentra apenas 6% do universo de mulheres dirigentes. Os dados foram obtidos a partir de um trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Embrapa e o IBGE, no âmbito de um Termo de Compromisso assinado entre as três instituições por intermédio do Programa Agro Mais Mulher.

De acordo com a pesquisa, juntas, elas administram cerca de 30 milhões de hectares, o que corresponde apenas a 8,5% da área total ocupada pelos estabelecimentos rurais no país.

Entre as proprietárias, 50% das atividades econômicas estão relacionadas à pecuária e criação de outros animais; 32% à produção de lavouras temporárias e 11% à produção de lavouras permanentes. Entre as não proprietárias (produtoras sem área; concessionárias ou assentadas aguardando titulação definitiva; ocupantes; comandatárias; parceiras ou arrendatárias), 42% das atividades econômicas estão relacionadas à produção de lavouras temporárias; 39% à pecuária e criação de outros animais e 7% à produção de lavouras permanentes.

Outros dados também foram identificados referentes às mulheres, entre eles, a porcentagem de estabelecimentos dirigidos por mulheres no total de estabelecimentos com recursos hídricos e irrigação. Em áreas onde foram construídas cisternas, em um total de 1 milhão, 23,9% são estabelecimentos dirigidos por mulheres; enquanto que em áreas onde foram identificados 1,3 milhão de propriedades com poços convencionais, 16,4% têm mulheres na gestão; 12,4% ocupam áreas com nascentes protegidas por matas de um total de 1,3 milhão de estabelecimentos; e 13,7% com rios ou riachos protegidos por matas de um total de 1,7 milhão de propriedades rurais.

Além disso, os estudos apontaram também que apenas 9,6% das mulheres obtêm informações técnicas através de reuniões técnicas ou seminários, enquanto entre os homens, a porcentagem é de 14,3%. No que se refere à participação em atividades associativas, como cooperativas, apenas 5,3% são cooperadas, enquanto 12,8% dos homens participam de algum tipo de associação.

 

 

 

 

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