Você costuma reclamar da vida? Acorda pela manhã cansado, estressado, insultando e amaldiçoando as atividades que ainda não aconteceram? Se a resposta for sim, pare um minuto para pensar em quantas pessoas existem no mundo, em situações que exigem superação e mesmo assim, são felizes! Quantos gostariam de estar no seu lugar e se inspiram em você.
Reclamar é um hábito. Quando mais você o faz, mais sentimentos ruins atrai para o seu dia e caminhada. Pessoas mal humoradas e difíceis de lidar, espalham desgraças por onde passam. Ninguém sabe como conversar e agir com elas.
Superação
Maurício Pan, de Barra do Rio Azul é deficiente visual. Ainda na infância, enfrentou a hidrocefalia, que é o acumulo de líquidos nas cavidades internas do cérebro, podendo ocasionar dificuldades cognitivas e perda da visão. Mesmo com os desafios encontrados a partir do empecilho, sua infância foi mágica. “Apesar das limitações pela falta de visão, cresci igual uma criança sem deficiência. Não deixei de brincar, correr e ser feliz”, conta.
Atividades realizadas
Hoje, aos 28 anos, Maurício é formado no Ensino Médio e busca preencher sua vida com atividades. “Já requentei a Associação Passofundense de Cegos, (APACE), a Associação dos Deficientes visuais de Erechim, (ADEVE), curso de Braile e algumas aulas de orientação e mobilidade com a bengala”, expõe. Além disso, ele pratica até um instrumento de tecla. “Durante alguns anos fiz curso de musicografia e toco teclado, o básico, que já me faz muito bem”, salienta.
O jovem enxerga apenas vultos, e não consegue distinguir cores, somente claro e escuro. Durante o dia, busca na leitura de livros digitais em Braile e demais práticas oferecidas em seu município, um passatempo para não perder a esperança na vida. “Leio, me divirto com jogos - sempre buscando os que possuem acessibilidade para deficientes visuais -, frequento oficinas do CRAS eaos domingos saio em companhia da galera do time de futebol de onde moro. Também ajudo em algumas tarefas da casa, dentro de minhas possibilidades.
Equoterapia
O Centro de Referência em Assistência Social de Barra do Rio Azul, em parceria com o Patronato São José, oferece aulas de equoterapia, que consiste em um método educacional baseado na interação do praticante com o cavalo, dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, objetivando ao desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência, necessidades especiais ou não necessariamente. Maurício participa ativamente desta atividade, e faz questão de sempre expor as imagens nas redes sociais. “O contato com os animais, natureza e com as pessoas que trabalham lá, traz muitos benefícios para os meus dias. É uma experiência única em minha vida”, relata.
Dificuldades
Nem tudo são flores. O jovem sente na pele os desafios enfrentados em sua vida. “O não cumprimento da lei de cotas afeta bastante, assim como a falta de acessibilidade em alguns locais e a não existência de materiais como: máquinas de cartão acessíveis aos cegos, cardápios em braile nos bares e restaurantes, falta de piso tátil em muitos lugares, de audiodescrição e libras na maioria dos filmes e séries”, enfatiza.
Mensagem final
Maurício fez questão de deixar uma mensagem, para todas aquelas pessoas que pensam em desistir da vida, em função das dificuldades. “Não desista, tudo tem seu tempo, nada é para sempre, dias melhores virão”, finaliza.
Saiba mais
Conforme dados do Portal do Ministério da Educação (MEC), do total da população brasileira, 23,9% (45,6 milhões de pessoas) declararam ter algum tipo de deficiência. Entre as deficiências declaradas, a mais comum foi a visual, atingindo 3,5% da população.
Segundo dados do IBGE, no Brasil, das mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual:
• 528.624 pessoas são incapazes de enxergar (cegos);
• 6.056.654 pessoas possuem baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar);
Outros 29 milhões de pessoas declararam possuir alguma dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes.
Direitos das pessoas com deficiência visual
O Dia Nacional do Cego é comemorado no Brasil em 13 de dezembro, desde 1961. Para a diretora de políticas de educação especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, Patrícia Neves Raposo, a data é importante não para destacar a pessoa cega ou a cegueira, e sim para levar a sociedade a refletir e conscientizar-se de que as pessoas cegas são cidadãs, participantes da sociedade, em todos os seus setores e espaços, e que os direitos delas devem ser respeitados. "Os indivíduos com deficiência se escolarizam, produzem, são cidadãos capazes e ativos na sociedade", afirma.
O Ministério da Educação trabalha em uma série de programas e ações voltados aos cegos. Como exemplo, destaca-se o Programa Escola Acessível, que promove condições de acessibilidade ao ambiente físico, aos recursos didáticos e pedagógicos e à comunicação e informação nas escolas públicas de ensino regular. Outro exemplo, o Programa Livro Acessível, oferece, junto com o FNDE, no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), livros em formatos acessíveis, inclusive em braille.
Mais um avanço para a classe foi o lançamento da Rádio ONCB – O som de todas as vozes. A rádio pode ser ouvida na página e além de transmitir músicas é um espaço que surgiu para trazer informações gerais, orientações e comentários sobre o segmento, onde os comentaristas também são pessoas com deficiência visual.