Para se ter resultados na vida tem que colocar, literalmente, as mãos à obra. Depois de construir a sua trajetória profissional na Caixa Econômica Federal, o erechinense, Vinícius Dimas Pedrollo resolveu apostar na sua credibilidade pessoal e familiar para empreender na construção civil, e, assim, criar o seu próprio negócio.
Caminhada
Para isso, seguindo o exemplo familiar, foi a luta, e começou os estudos no antigo "subúrbios", atual Imlau - “colégio que eu sempre amei”, disse. Em seguida se formou técnico em contabilidade, depois, administração na URI-Erechim. Trabalhou no Banco Mercantil de São Paulo de 1969 a 1976. E de 1979 a 2008, na Caixa Econômica Federal, onde assumiu como gerente geral da Caixa, em Porto Alegre, vindo da Agência Cruz Alta, se aposentando, na Caixa, na capital do Estado, em 2008.
No entanto, nunca esqueceu a vontade de empreender e montar o seu próprio negócio. E é nessas horas que se vê que a história de vida nos acompanha aonde a gente for. E ela pode ser decisiva, quando se quer empreender. E, assim, mesmo aposentado, Vinícius começou a escrever uma outra página da sua vida profissional, como pequeno empresário da construção civil. Como ele mesmo gosta de ressaltar. Ah, um detalhe, com a parceria do seu filho Vinícius Forcellini Roman Pedrollo, hoje, engenheiro da obra.
O filho se formou pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e chegou a fazer algumas matérias na Escócia, num intercâmbio. “Já tinha estagiado (não era formado) no Residencial Dona Bela, e no Residencial Aldo Pedrollo ele figura como responsável técnico da obra”, diz.
O estalo inicial
Vinícius foi presidente do Clube Esportivo e Recreativo Atlântico, em 1983, ano em que idealizou – “sou o sócio nº 1” -, juntamente com os demais atlantistas, o Parque C.E.R. Atlântico. “Fui o primeiro presidente do Atlântico Futebol Clube (AFC). Pensávamos, com a criação do AFC, a volta do futebol profissional do Galo, mas que, infelizmente, face a inviabilidade financeira não foi possível. Mas ficou o legado, do que é hoje o AFC”, lembra.
Mas até chegar à presidência, também houve uma caminhada. “Em 1977 e 1978 fui secretário executivo do C.E.R.A (funcionário remunerado), aliás, no C.E.RA eu duvido quem foi mais que eu”, brinca. E, acrescenta, “fui funcionário, presidente, vice-presidente, trabalhei na secretaria como tesoureiro, ecônomo, até porteiro”.
E aí que veio o estalo inicial. “Eu ‘achei’ que tinha perfil empreendedor quando ajudei a construir o Parque do C.E.R.A e, também, o AFC. Aí pensei: se eu pude junto com demais atlantistas - tipo teu pai (Jorge Augusto Müller), construir tantas obras para ‘Os Atlânticos’ porque não posso construir para mim?”, lembra
Construção Civil
“Já em Erechim eu havia participado de alguns empreendimentos na construção civil, mas como figurante, e não como protagonista, como foi em Porto Alegre onde fundei a empresa Pedrollo Incorporadora. Nos três empreendimentos que fiz sempre operei na modalidade preço de custo, que me parece a mais justa”, conta.
Ele lembra que ainda em 2005, em parceria com o também erechinense, Ademir Carlos Rigoni, levantou o 1º prédio com 20 apartamentos, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. “Quando cheguei em PoA, em 2001, via que tinha este nicho para explorar. Construir na modalidade preço de custo, em parceria com amigos de Erechim, tanto que 90% dos condôminos foram de Erechim”, comenta.
Dona Bela
Mais tarde, em parceria com o engenheiro Telmo Brusco, construiu o residencial Dona Bela, no bairro Petrópolis, na capital, com 25 apartamentos. “Esse prédio foi uma homenagem a minha querida mãe Isabella Roman, casada com meu pai, Aldo Felice Pedrollo, e com o qual teve nove filhos”, disse.
Para definir o nome do prédio, pensou em Isabela Pedrollo, ou "Dona Bela, Tia Bela, Vó Bela e escolheu Dona Bela. "Minha mãe nunca pôs os pés em Porto Alegre, mas achei por bem homenageá-la. Melhor mãe do mundo, mulher humilde e cuja missão principal nesta terra foi criar com carinho nove filhos. E 100% do seu tempo foi mãe. A exemplo do meu pai, a maior virtude dela era a humildade, a ‘rainha das virtudes’", conta.
Aldo Pedrollo
E, como a Bela, não poderia ficar sozinha, em outubro, deste ano, Vinícius vai entregar o residencial Aldo Pedrollo, com 30 apartamentos. “Exatamente ao lado do residencial Dona Bela. Homenagem para Aldo Felice Pedrollo, primeiro filho de Ernesto e Paulina. Também homem humilde, servidor público municipal. Figura pitoresca de Erechim e que não sabia fazer mal para ninguém, o Paulo Müller sempre salienta isso”, lembra.
Legados
“Todo empresário visa lucro, mas é importante ter prazer naquilo que faz. Ser justo com teus parceiros condôminos, com o operário mais humilde e com os teus fornecedores”, afirma Vinícius.
Próximo empreendimento
“Pretendemos lançar nos próximos dias o 4º empreendimento, ainda não sabemos que tipo de homenagem, nome do prédio, etc. e tal, mas, novamente, nosso público-alvo são os erechinenses, que costumam investir em Porto Alegre. Sempre, 90% dos nossos condôminos/compradores são erechinenses”, diz.
Ele comenta que já comprou o terreno de aproximadamente mil metros quadrados, também no bairro Petrópolis. “Distante apenas 500 metros do último empreendimento, o Residencial Aldo Pedrollo”, afirma. Vinícius salienta que sempre trabalha com grupo fechado, todos se conhecem. “É quase uma família”, diz.
Os apartamentos são sempre de dois quartos para o investidor que visa obter uma renda com alugueis ou mesmo aquele que pretende mandar o filho estudar em Porto Alegre. “O condomínio é de valor baixo para facilitar a locação”, explica.
Empreender
Vinícius observa que a família Pedrollo nunca foi muito de empreender. “Por não termos posse para empreender, ou mesmo, "estudar fora", nossa meta era passar num Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, como foi meu caso. Era a ‘salvação’", observa.
“Especificamente, no meu caso, posso afirmar que, por não ter disponibilidade financeira, apostei na minha credibilidade pessoal e familiar. E não no dinheiro (não tinha mesmo). Isso é essencial. Imagina só que no 1º empreendimento, em pleno Bom Fim, depois do centro, o bairro mais verticalizado de Porto Alegre, onde os terrenos são poucos, e por isso, muito valorizados. Assim, sem ter tradição nenhuma no mercado da construção civil e na capital do Estado, eu consegui convencer as proprietárias do terreno a fazer permuta. Uma vez que eu não tinha dinheiro para comprar o terreno. Então, credibilidade é essencial”, ressalta.
Vinícius faz questão de enfatizar a importância da confiança que o grupo de investidores de Erechim depositou nele para conseguir lograr êxito. “Não me fizeram favor e nem eu para eles, mas sim negócios. Mas importante enaltecer que isso foi fundamental no sucesso”, disse. E, acrescenta, “o que importa mesmo ao empreender é saber se o público para o qual vais oferecer o produto, concorda contigo”.