A pandemia se alastra há mais de um ano. O Covid-19 mudou o mundo e as pessoas, na forma de agir, no trabalho, nos encontros das famílias, dos amigos, no ir e vir dos cidadãos. Transformou a sociedade que ansiosa procura novo jeito para continuar a viver. As vacinas chegaram, mas novas cepas assustam a população e já não é mais possível manter as pessoas em distanciamento social. Em alguns lugares, é inevitável a aglomeração. Por isso, hospitais estão lotados (UTIs sem espaço algum), profissionais exaustos, mídia alertando, informando, mas parece que ninguém quer ouvir. Discussões políticas não levam a nada! Mais de quinhentas mil mortes no país. O importante é a conscientização de cada um, de que o vírus, em alguns casos, é mortal. Perdemos vidas. Perdemos amigos, pessoas de nossas relações. E para isso não tem saída!
Questionamos algumas pessoas sobre o assunto, para saber como estão enfrentando esta situação – na vida pessoal e profissional. Acompanhem os depoimentos:
Dra. Jaqueline Buaes Graeff - Médica Dermatologista e Médica do Trabalho, e Professora da Faculdade de Medicina da URI Erechim: “Há um ano e meio nossas vidas mudaram drasticamente. Tivemos que nos adaptar, reinventar, para conseguir seguir com nossas atividades. O convívio familiar não foi mais possível, sendo o contato mais próximo a rede social.
Como Médica atuando em consultório, hospital e também atendendo empresas, a mudança foi grande. Inicialmente não sabíamos muito bem como proceder, mas não podíamos parar. Vidas dependiam de nós. Os cuidados de higiene com as mãos especialmente foram intensificados, espaçamento entre consultas, triagem de pacientes antes do atendimento é a rotina atual. Tivemos que lidar com o medo dos pacientes em vir ao consultório, com as inúmeras fake news que só faziam aumentar o medo, com inúmeros "tratamentos" milagrosos.
Ficamos expostos e vulneráveis a uma doença desconhecida e nossas orientações foram muito questionadas por quem nada sabia sobre saúde. Lutamos, muitos de nós adoecerem, mas não desistimos, pois nossa missão é sempre a VIDA em primeiro lugar.
Como mulher, mãe, profissional vejo tudo isso como um grande aprendizado, um período de mudanças em nossas vidas, muitas das quais permanecerão. Acredito totalmente na ciência e na vacinação da população como única forma de controle dessa pandemia. Além claro da responsabilidade de cada um como cidadão, em respeitar e seguir as normas. As perdas tem sido muitas e imensuráveis. Perdi, como muitos, familiares, colegas e amigos e isso não tem preço.
Meu apelo é para que as pessoas tenham sensibilidade, humanidade e responsabilidade diante de um momento grave, para que possamos, o quanto antes poder dizer: passou!”
Luana Gasparetto Fontanella, Psicóloga clínica hospitalar Hospital Santa Terezinha: “Vivencio a pandemia desde o início devido meu trabalho no hospital. Enfrentar o momento atual é lidar com o sofrimento, a dor, a solidão, a intolerância e individualidade… mas também é acolher, dar suporte, confortar. É afastar-se de muitas pessoas pelo fato de amá-las e querer protegê-las, é ter uma vontade enorme de estar perto das pessoas que a gente gosta e não ver a hora desse momento acontecer como antes! É desafiador, é reinventar-se no trabalho, é tolerar as frustrações e ter muitas emoções… emoções intensas, instáveis e sempre presentes no meu dia a dia… é ser humano, ter respeito e acreditar que possamos sair desse momento com muitos aprendizados”.
Paula Rosa – Presidente da AAIE-Associação de Apoio ao Idoso Erechinense: “A realidade da pandemia tem sido desafiadora em todos os aspectos da vida cotidiana, ou seja, tem causado impactos negativos no mundo do trabalho, nas relações familiares, na prospecção de novos investimentos e, principalmente no que para os brasileiros sempre foi importante -, “o contato humano”. Pensando essa conjuntura, todos os dias tenho buscado me desafiar a não esmorecer em ideais e metas, logo, traço um planejamento de ações possíveis. Enquanto Presidente da Associação de Apoio ao Idoso Erechinense- AAIE, uma entidade composta integralmente por idosos considerados grupos de risco para o COVID-19, estamos sendo criativos em oferecer atividades remotas e manter através de ferramentas virtuais o contato e vínculo de atendimento. Considero que essa fase triste do mundo está ensinando a sermos mais humanos e valorizarmos mais a família, o trabalho que nos edifica e sustenta e, a necessidade de podermos estar com aqueles que amamos”.
Ivonete Peres Alos, consultora: “Novas receitas, novos sabores e a família foi a parte boa!
A parte ruim? Não estar com os amigos.
Trabalho, vida familiar, relacionamento social e consumo mudaram nestes meses em que o vírus se tornou o tema principal de nossas conversas. O atendimento remoto foi o principal desafio: adaptação às ferramentas digitais, aprendizado e acompanhamento do resultado para o cliente.
Embora o trabalho não tenha diminuído por conta da necessidade das empresas diante do cenário de pandemia, as horas antes gastas em transporte, deslocamento e atividades sociais foram ressignificadas. Com mais tempo disponível, foi possível praticar atividades que sempre foram muito prazerosas. Cozinhar passou a ocupar minha mente e parte dos meus dias: durante os primeiros meses da pandemia, semanalmente, enviei lanches para os funcionários da Unidade COVID-19, do Hospital Santa Terezinha.
Minha rotina ficou dividida entre o atendimento online dos clientes, preparação de algumas aulas, teste de novas receitas de bolos e doces, filmes e séries na TV, cuidado com meus pais, quando necessário”.
Fabiana Rocha Tonin Cavagni – advogada: “Advogar em tempos de pandemia tem sido desafiador. O contato pessoal ficou mais distante e restrito, a rotina se modificou com a adoção dos protocolos de saúde, mas as novas formas de trabalho, especialmente online, possibilitaram a expansão dos limites territoriais e até, agilizaram procedimentos que antes eram presenciais. Observo a necessidade de um atendimento mais humano, mais sensível. Já que o distanciamento físico é necessário, precisamos nos aproximar em sentimento: empatia, fraternidade e esperança. Estamos todos muito frágeis, nos sentimos indefesos e já não temos mais as “certezas” de antes. Certamente a pandemia modificou nossa forma de ser e de agir de forma profunda, e essa mudança irá refletir nas próximas gerações”.
Cleusa Mokva - Consultora MKT: “O momento exige cautela e criatividade. Temos que olhar para a verdade sem perder a esperança. Uma nova realidade está se desenhando e o despertar de uma consciência mais humana se faz necessária para superarmos esta crise provocada por nós, seres não tão humanos, pois ainda vivemos e olhamos de uma forma muito superficial para as necessidades e dores alheias. Quando nos permitimos silenciar, enxergaremos com clareza os emaranhados em que estamos vivendo e a partir daí podemos encontrar soluções mais assertivas em relação a nossa vida com um todo. Acredito que sairemos desta crise mais fortalecidos, com mais fé e ação positiva para rompermos a barreira da nossa ignorância”.
Libera Pivoto Bresolin - aposentada: “Procurando não desesperar. Tendo consciência que é uma pandemia, como tantas outras vividas pela humanidade e que um dia, tudo via passar. É uma guerra contra um vírus, que não deveria se transformar numa guerra entre pessoas.
Adoto todos os cuidados e protocolos estabelecidos, como o uso da máscara, o álcool gel e o distanciamento social. Procuro preencher o tempo livre com atividades de lazer individual, leituras, reflexões, bons programas e palestras na internet e muita fé em DEUS”.