O anúncio do governador do RS, Eduardo Leite, sobre a privatização da Corsan, joga luzes sobre um problema antigo em Erechim e o desempenho (aquém) da companhia aqui na Capital da Amizade.
Os avanços e os retrocessos
Historicamente, os chefes do Executivo tentaram de todas as formas, buscar uma solução melhor para a prestação desse serviço. A cada avanço, e a cada etapa vencida, movimentos de sindicatos, de vereadores, da Procuradoria Geral do Estado, do Tribunal de Contas e da própria Corsan, fez com que o edital lançado em 2016, fosse relançado e suspenso várias vezes.
Prerrogativa do Estado
O município era acusado de querer privatizar a Corsan, e eu mesmo escrevi várias vezes que essa prerrogativa era apenas do Estado. E agora com essa ação do Eduardo Leite, fica explicitado de quem é a competência.
Companhia queria ganhar tempo
Quando Erechim se movimentou, em várias oportunidades, a própria Corsan, com a preocupação de perder a concessão, questionava as intenções. Tudo isso para ganhar tempo para ela fazer o anúncio. Enquanto o processo de privatização estiver se desenrolando, Erechim segue sem contrato.
Moeda de troca na privatização
A única certeza nesse momento é que será privatizada. E essa foi a impressão que o prefeito, Paulo Polis, teve recentemente em reunião na capital do estado: Erechim, por possuir um bom resultado operacional, tem peso como moeda de troca na privatização. Definitivamente fomos enrolados até agora.
Resposta burocrática
Durante a coletiva de imprensa do governador Eduardo Leite, fiz uma pergunta sobre o fato de Erechim não ter contrato vigente com a Corsan. Mais tarde recebi a resposta da assessoria: “A Corsan continuará a prestar os serviços até que a situação contratual seja endereçada adequadamente. Em paralelo, estamos desenvolvendo um planejamento para sermos competitivos e idealmente continuar a sermos parceiros de Erechim, mas promovendo a coleta e tratamento universalizado do esgoto, otimizando a segurança hídrica e prestando serviços de excelência”.
Privatização: “notícia velha e o programado aconteceu”
O ex-secretário de Obras Públicas de Erechim, Vinícius Anziliero, trabalhou durante quatro anos no edital de água e esgoto. E no decorrer do processo doloroso, foi muito criticado por alguns segmentos. Após o anúncio da privatização da Corsan, postou numa rede social: “Notícia velha, o programado aconteceu, quando por inúmeras vezes defendemos que Erechim deveria ter seu próprio edital de concessão, a massa sindical e os pseudo representantes da grande massa populacional nos rotulavam, mentiam e mentiam sem parar”.
Afirma ainda que “fique bem claro, Erechim não tem contrato válido como divulgam os canais da Corsan. Aqui, se privatizada a Estatal, ainda carece de nova concessão. Enquanto isso, os investimentos de financiamento para o saneamento vão saindo e nós ficando para trás, amarrados pelo protecionismo dos que defendem o Estado e nos ditam as regras”, finaliza Vinicius.