No último dia 15 se comemorou o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. E, em tempos de pandemia da covid-19 fazer a higiene das mãos é fundamental. Segundo o Trata Brasil, no Brasil 2% das pessoas ainda não têm acesso a um banheiro, isto é, 4 milhões de brasileiros. O município de Erechim tem 38.983 moradias, sendo 37.699 delas na área urbana. Segundo o Instituto Trata Brasil, 100% delas (38.983) tem banheiro, segundo dados de 2018.
De acordo com o instituto, o consumo per capita de água em Erechim é de 138,17 litros diários por pessoa (dados de 2018). Segundo a bióloga, Claudia Santin Zanchett, que trabalha na 11ª Coordenadoria Regional de Saúde e coordena as ações do programa Vigiágua (RS) na região Alto Uruguai, a água é indispensável, neste momento, para seguir os protocolos de higienização e conter o vírus. Ela cita como exemplo lavar as mãos com agua e sabão. “E essa água precisa ser potável”, diz. Assim como toda água para consumo humano, ingestão, usada na preparação de alimentos e higienização deve ser água potável, precisa atender os padrões da legislação brasileira de potabilidade.
Conscientizar
De acordo com o Trata Brasil o Dia Mundial da Lavagem das Mãos foi criado para conscientizar a população da importância da lavagem das mãos, principalmente, em ambientes hospitalares. Todos os anos, milhões de pacientes ao redor do mundo contraem infecções relacionadas à assistência na saúde, ou mais conhecida como infecção hospitalar. Tal infecção é considerada como um dos eventos adversos de maior frequência nos serviços de saúde, muito pelo fato da má higienização, principalmente das mãos.
Prevenção
Além disso, há diversos micro-organismos resistentes que podem ser passados ao paciente por meio das mãos dos profissionais de saúde. Dessa forma, a higiene das mãos acaba sendo a principal ação para diminuir a transmissão de infecções e microrganismos resistentes, não só em ambientes hospitalares como no próprio dia-a-dia, sendo considerada uma das medidas essenciais para a prevenção e controle de infecções, promovendo a segurança de pacientes, profissionais da saúde e a população como um todo.
Conforme o Trata Brasil, cuidados básicos com a higiene corporal, como lavar as mãos antes de ingerir alimentos e depois que usar o banheiro, são essenciais para evitar doenças e, consequentemente, salvar milhares de vidas. “Vale ressaltar também, a importância de lavar as mãos na atual situação que o país e o mundo vivem com o novo coronavírus e o quão importante é a higienização para combater o vírus”.
Saneamento básico
Em Erechim, conforme pesquisa do Trata Brasil, a grande maioria da população tem acesso a água tratada. Isso significa que 99.007 pessoas têm acesso à água, o que representa 94,2% da população, e, 6.052 ainda está sem acesso à água, isto é 5,8% do total.
Mas essa não é a realidade do país. Atualmente, o Brasil ainda tem 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável, dessa forma, são pessoas que não possuem este recurso básico para a higienização correta recomendada pelas autoridades médicas, ou possuem, mas é de qualidade duvidosa, pondo em risco à saúde humana.
Esgoto
Além disso, 100 milhões de pessoas vivem em localidades sem acesso à coleta dos esgotos, o que significa que estas pessoas estão vulneráveis em relação a outras doenças (diarreia, leptospirose, dengue, malária, esquistossomose e outras), comprometendo o sistema imunológico e, sobretudo, o desenvolvimento de crianças. Em Erechim não há tratamento de esgoto, que se mistura à rede de captação pluvial e volta pra natureza.
“O saneamento básico é vital para uma boa saúde e é de extrema importância toda a população apresentar abastecimento de água em residência, pois só assim poderemos usar a nossa principal arma nesse combate: a lavagem das mãos”, diz o instituto. Em Erechim, no ano de 2018, houve 25 internações por doenças de veiculação hídrica, 24 delas por diarreia. Das internações totais 14 eram mulheres e 11 homens.
Coleta e tratamento
Em Erechim, segundo o Trata Brasil, 100% do esgoto não é coletado e nem tratado. No Brasil, menos da metade, 46% dos esgotos do país são tratados, isto é, 53,7% dos esgotos são lançados sem tratamento na natureza.
Em 2018, o país lançou aproximadamente 5.715 piscinas olímpicas de esgotos não tratados na natureza por dia. Em Erechim, em 2018, o volume de esgoto não tratado foi de 5.298,02 mil metros cúbicos, o que significa 2.119 piscinas olímpicas, já que em média uma piscina olímpica tem no mínimo 2.500 metros cúbicos, dependendo da profundidade.
Esgoto e água
Conforme noticiado pelo Jornal Bom Dia, mais uma vez, o edital de água e esgoto é suspenso em Erechim. Foi reaberto em 31 de agosto e cancelado no dia 9 de outubro.