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Correios: “nossa empresa não dá prejuízo”

Depois de 35 dias, entregas voltaram a ocorrer normalmente. Afirmação é do diretor do Sindicato dos Correios Subsede Passo Fundo, Gelson Luis Zapello

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“Vamos manter nosso foco e trabalhar em prol dos nossos clientes, razão do nosso trabalho”
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Depois de 35 dias de greve, os serviços dos Correios voltaram a funcionar normalmente. A retomada das atividades ocorreu no último dia 21 de setembro. Com uma das maiores logísticas da América Latina, a empresa atua em todos os 5570 municípios do Brasil e tem 357 anos de história. “Um patrimônio que não é do governo, dos funcionários, mas sim da população brasileira”, afirma o diretor do Sindicato dos Correios Subsede Passo Fundo, Gelson Luis Zapello.

Segundo Gelson, após o julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST) no dia 21 de setembro, os funcionários dos Correios voltaram ao trabalho, mesmo sabendo que perderam direitos e benefícios.

“Foi um ataque em que a empresa juntamente com o governo fez com os trabalhadores. Nós aguardávamos que a empresa viesse até nós e mantivesse o acordo coletivo. Não estávamos pedindo aumento salarial, sabemos que a pandemia afetou a todos”, disse. E, acrescenta, “mas o governo fechou as portas para negociação, que foi para julgamento e o TST tirou as nossas cláusulas do acordo coletivo”.

Conforme ele, após esse ataque, as duas federações que representam os funcionários em Brasília, juntamente com 36 sindicatos, estão entrando na Justiça para reaver os direitos perdidos. “A gente sabe que a luta será difícil, mas vamos fazer de tudo para manter os direitos e benefícios, que ao longo dos anos a gente obteve”, diz.

Lucro milionário

O diretor afirma que somente no primeiro semestre de 2020, mesmo com a pandemia, os Correios tiveram um lucro de R$ 614 milhões. “A nossa empresa não dá prejuízo, ela é rentável, talvez a população não saiba, mas é o governo que pega o dinheiro dos Correios e não o contrário”, observa,  

Gelson explica que a empresa oferecia os benefícios em troca do índice salarial. “Nós aceitávamos e agora estamos com menor salário de todas as estatais, com a retirada de direitos e benefícios fica quase que inviável o nosso trabalho com a empresa dos Correios”, diz.  

Corte de benefícios adquiridos

Os profissionais dos Correios, em termos financeiros, estão perdendo cerca de 43% do salário com aos atuais cortes, o que resulta numa perda aproximada de R$ 800. Ele comenta que a média salarial do carteiro hoje é de R$ 2 mil sendo que os mais novos ganham em torno de R$ 1,6 mil.  

Segundo Gelson, foram muitos benefícios perdidos, em torno de 49 cláusulas do acordo coletivo, como por exemplo o vale-peru de fim de ano, o vale-alimentação das férias e quando o profissional fica doente, que somente vai receber pelos dias trabalhados.

Além disso, eles perderam o auxílio-creche e o auxílio para pai ou mãe que tenham filho ou filha com deficiência. “Era uma ajuda de custos, mas também perdemos. Ao tirar férias ganhávamos o salário e mais 70%, agora voltou a ser conforme a CLT, salário mais 33%. As perdas são enormes”, diz.

Retorno às entregas

“Voltamos com dignidade, vamos manter nosso foco e trabalhar em prol dos nossos clientes, razão do nosso trabalho”, afirma. Segundo Gelson, as entregas da região de Erechim já estão sendo colocadas em dia, e se tiver atraso é algo pontual. “Vamos trabalhar como sempre fizemos respeitando o nosso cliente. A gente espera que não tenha mais estes problemas”, diz.

Privatização  

O diretor do sindicato sabe que o governo quer privatizar os Correios e ressalta que a empresa atua em todos os 5570 municípios do país e tem a melhor logística da América Latina. “Não entendemos o porquê da privatização. Temos que salvar a nossa empresa, fazer que ela volte a ser como era antes”, afirma.

Erechim

Segundo ele, em Erechim entre carteiros e profissionais da agência são cerca de 70 pessoas, o que não representa um número expressivo. O tempo de entrega das correspondências, em condições normais, tem prazo médio de cinco dias. Em função da greve podem ocorrer atrasos, porque nos dias que a empresa ficou parada houve acúmulo de serviço. “Imagina todo o Brasil parado, atrasa São Paulo, Porto Alegre, e aí tem o efeito cascata”, observa.

Renovação de frota  

Ele comenta que os Correios estão renovando a frota dos veículos, motos e até bicicletas, está fazendo investimentos. “Está para chegar as motos em Erechim”, diz. Os carteiros irão utilizar novamente as bicicletas, no momento serão duas. Gelson lembra que antigamente tudo era entregue pelos carteiros de bicicleta. E conclui dizendo: “está é uma empresa que tem dignidade, respeito e integridade”.

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