Paulo Balen e a família atuam há 11 anos no ramo da agroindústria. A decisão pelo ingresso na atividade aconteceu após a ideia de diversificar as atividades da propriedade, localizada no Km 14, Dourado, em Erechim.
Em um primeiro momento, o foco de trabalho estava voltado à produção de leite e algumas áreas de lavouras. “Como havia períodos em que ficávamos com menos serviço, e também com o objetivo de ampliar a geração de renda, optamos pela agroindústria”, comenta Paulo, dizendo, ainda, que: “Uma vez fiz um curso no Sebrae e um professor disse: o agricultor não pode ter somente uma renda, uma atividade, porque caso, em algum dia, surgir alguma dificuldade, os problemas podem comprometer toda a renda.
Por isso, sempre procurei diversificar. Hoje tenho frangos, um pouco de lavouras, uma área com eucaliptos, erva-mate, e tentamos cuidar de tudo isso”.
Evento impulsionou a ideia
O produtor recorda que uma reunião do Orçamento Participativo em uma comunidade vizinha, em Jaguaretê, foi o que impulsionou a decisão. “Durante o evento, o secretário de agricultura da época comentou que os produtores rurais poderiam fornecer merenda escolar. Fiquei otimista e já imaginei essa possibilidade. Vim para casa, falei com minha esposa e ela ficou mais entusiasmada que eu”, destaca, citando que, a partir dali, buscou mais informações e a família conseguiu ingressar em uma feira e, na sequência, começamos com a merenda escolar.
Segundo Balen, o resultado dos primeiros anos foi surpreendente. “Tivemos bastante trabalho e não havia muitas agroindústrias na época”, pontua.
O compromisso com a merenda escolar impulsionou a atividade e motivou a família a investir em máquinas e até na contratação de mão de obra para auxiliar nos serviços. “Foi uma fase muito boa”, ressalta.
Atualmente os produtos são comercializados na Feira do Produtor, no Bairro Três Vendas, todos os sábados pela manhã, e enviados para a merenda escolar.
Impactos da pandemia
A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe desafios extras à família e mudanças muito expressivas, que alteraram a rotina de todos. “Precisamos ficar em torno de três semanas sem fazer a feira e sem produzir. Ainda que temos outras atividades. Utilizei o tempo para conseguir garantir a renda”, salientou.
O momento atual, na avaliação do produtor, está bem complicado, ao considerar que as vendas caíram muito e a demanda da merenda escolar também diminuiu. “Muitas escolas estão adquirindo e montando cestas para doar às famílias de alunos com mais necessidade. Por isso, mantemos em torno de 25% das entregas”, acrescenta.
Em paralelo aos compromissos de trabalho, o dia a dia na propriedade e com os vizinhos, familiares e amigos, também passou por alterações. “Precisamos nos adaptar, diminuímos o contato com todos, há pessoas que não encontramos há quatro meses. Ficamos muito em casa”, relata.
Desafios
Na opinião de Paulo, o principal desafio é conseguir vender os produtos. “Temos tempo, mão de obra, equipamentos, contudo, a questão é para quem comercializar”, frisa.
Ao mesmo tempo, itens da matéria-prima, tais como farinha, manteiga e ovos, registraram um aumento expressivo, e a agroindústria não está repassando esse valor aos consumidores. “Por isso, diminuímos nosso lucro na atividade, levando em conta que os consumidores buscam promoções e a maioria está priorizando e adquirindo somente o básico”, salienta.
O produtor enfatiza que, caso a família tivesse somente a agroindústria, em tempos como esse, estaria sem renda. “Sentimos muito pelo dinheiro que não está entrando, mas tentamos compensar em outras atividades. Tudo isso nos preocupa muito, fizemos financiamento de máquinas, e as prestações continuam. No entanto, tenho muita fé que seja encontrada a cura para esse vírus. Assim, acredito que tudo vai retomar, aos poucos. Vamos torcer para que passe logo essa fase complicada”, reitera.