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Pandemias, idas, vindas e deuses

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Alcides Mandelli Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

Vejam que a história se repete. E as grandes inovações custam para acontecer, como veremos adiante.

Faz poucos anos, no máximo uma década, que os profetas de calçada se esbaldavam em avisos de catástrofes potenciais ou delírios tecno-apocalípticos. Tais vaticínios, sofismas ou mesmo falácias deslavadas apontavam para o inequívoco destino final da raça humana.

Por via das dúvidas, pessoalmente continuei a acreditar no meu fado pessoal; sempre aceitei a minha inexorável finitude como fato irreversível e sigo sem maiores lamentos. Porém, segundo alguns biólogos o estrago será bem maior e atingirá o Homo Sapiens “in totum”, além da minha estimada e única pessoa. Tais experts afirmam que mais cedo ou mais tarde todos seremos extintos como espécie.

Também há os que dizem que catástrofes cósmicas como a irrupção de uma tempestade de raios Gama produzida por uma supernova ou mesmo por alguma estrela em colapso poderá afetar diretamente este mísero planeta do Sistema Solar. Ainda devemos considerar a inversão do campo magnético da Terra e suas consequências simplesmente devastadoras.

Portanto, aviso aos céticos e incréus que tudo isso ou muito mais poderá acontecer. A Via Láctea poderá ser sugada pelo Buraco Negro num período aproximando de nada mais nada menos que um bilhão de anos. Deveras preocupante, não?

Por outra, a tecnologia moderna com seus ímpetos, imensos progressos e recursos quase infinitos, permite uma segurança inédita e excepcional à humanidade. Mediante pontaria certeira, poderão ser abatidos alienígenas belicosos e asteroides como aquele do golfo do México, que instantaneamente extinguiu da face terrestre os nossos irmãos dinossauros. Vejam, portanto, o que faz o progresso.

Porém, se dermos uma olhada para trás no túnel do tempo, não há como negar que, até o momento, muitas das calamidades foram patrocinadas, de fato, pela falta de conhecimento científico, incluindo aí a área médica.

Milhões de pessoas foram exterminadas pelo Vibrião da Cólera ou pela Yersínia Pestis ou ainda pelo vírus Influenza na Gripe Espanhola em outras pandemias - aliás, bem mais impactantes que a atual. Hoje, tais desastres e suas drásticas consequências, seriam facilmente evitáveis com ações como a simples fervura da água para consumo ou a eliminação de ratos do ambiente doméstico.

Faço essas ponderações e longo preâmbulo porque grandes estudiosos de todo mundo, solenemente, desconsideraram a possibilidade de uma pandemia como a Covid-19. Estavam os sábios, interessados e atentos ao controle de armas biológicas e o provável efeito bumerangue. Depois de muito estudo e desenvolvimento de várias hipóteses, concluíram para escapar da armadilha mortal seriam criadas convenções internacionais entre países graúdos e grandes potências militares, visando o total controle sobre vírus e bactérias desenvolvidos em laboratório.

O fato é que, na realidade, o velho e conhecido Coronavírus tornou-se repentinamente um mutante e pegou a humanidade e seus cientistas totalmente desprevenidos – para não dizer, de calças curtas.

O microrganismo proveniente do morcego se espalhou facilmente e infectou pessoas chinesas e não chinesas do mundo todo. E o pior: a disseminação desse surto fez-se mediante uma intrincada dinâmica de rede que mesmo os melhores epidemiologistas conseguiram prever e assim amenizar a praga com razoável eficácia.

Portanto, sem outras alternativas alvissareiras até o presente momento, apenas nos resta o resguardo pessoal e atenção especial aos idosos, doentes crônicos e desprovidos.

Pois então, leitores, percebam que a situação, apesar de grave, é bastante limitada e simples: devemos nos cuidar bem e cuidar bem dos outros enquanto terapias ou vacinas realmente efetivas não estiverem disponíveis.

A simplicidade também persiste no transcorrer desse desastroso terror quando constatamos que as grandes soluções passam por caminhos semelhantes ao de ferver a água ou mesmo eliminar os ratos e usar máscaras de pano nas pandemias anteriores.

Por ora, portanto, nos resta resistir bravamente e manter as melhores práticas de higiene pessoal, coletiva e ambiental: mãos limpas, pele e mucosas limpas, roupas limpas; moradias limpas, quintais limpos e locais de trabalho e transporte limpos: ruas e praças limpas, além de cuidados ambientais.

No momento essas são as principais armas de defesa da nossa espécie, além do uso de máscaras (limpas) e isolamento social. É bom a gente não esquecer essas recomendações tão singelas quanto antigas.

E por via das dúvidas também é bom lembrar que os seres humanos podem ser terrivelmente cruéis uns com os outros, e que somente os deuses habitam para sempre a luz do Sol.

 

Médico e Membro da Academia Erechinense de Letras

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