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“A pandemia mostrou que sem os trabalhadores, a economia não gira”

No Dia do Trabalhador, o Jornal Bom Dia traz uma série de reportagens especiais

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Silvio Ambrozio e Osmar Padilha
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

“Mais que uma data de comemoração, o 1ª de maio é para reforçamos as lutas e bandeiras defendidas pelos trabalhadores”, essa é a opinião de Silvio Ambrozio, do Sindicato de Alimentação de Erechim e região, e secretário da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA – RS).
Em meio a pandemia provocada pelo novo coronavírus, Ambrozio relata que esse feriado será diferente, mas que o cenário revela a importância dos trabalhadores para a sustentação econômica do país.
“Claro que devemos comemorar sim o Dia do Trabalhador, mas não podemos esquecer que essa data é resultado da organização de muitos trabalhadores, que, inclusive, morreram na luta para conquistar direitos importantes. Ainda, temos que ressaltar nossas bandeiras atuais em um momento repleto de incertezas”, complementou o secretário.
Para Ambrozio, as principais pautas de reivindicações dos trabalhadores estão atreladas a busca por condições dignas de trabalho, principalmente em situação de crise sanitária mundial, em que as organizações de saúde recomendam que se evite aglomerações e redobre os cuidados de higienização.
Além disso, o secretário comenta a necessidade de fortalecer a democracia. “Nós observamos várias manifestações contra nosso sistema democrático, com apoio do presidente da República, e isso me deixa bem apreensivo, pois a democracia foi conquistada com muita luta e organização dos trabalhadores”.
Ambrozio destaca que a nova realidade imposta pela covid-19, traz diversas preocupações, principalmente com as condições de trabalho em fábricas, indústrias e comércio. “São categorias de extrema importância, principalmente no setor de alimentação, que é essencial para nossas vidas, no entanto, as empresas precisam assegurar um ambiente seguro para a permanência das atividades”.

Momento de conscientização

Para o secretário, esse momento deve servir para ampliar a conscientização das pessoas com relação a importância de algumas funções na sociedade. “A pandemia vem a mostrar isso, que sem nós, sem os trabalhadores, a economia não gira. Deve ser destacado também a solidariedade que tentamos repassar para todos os trabalhadores, pois vemos que muitas pessoas estão sendo demitidas”.

Retirada de direitos

Nesse cenário de demissões, Ambrozio ressalta que outras medidas estão sendo aplicadas pelo governo federal, que fragilizam ainda mais o dia a dia dos trabalhadores. “A suspensão de contratos é um exemplo, pois as pessoas saem sem garantias e precisam, individualmente, procurar o governo para que seu salário seja complementado, sem mencionar que muitos trabalhadores não tiveram acesso ao auxílio emergencial no valor de R$ 600,00. Ou seja, temos muita insegurança nesse país e o governo ainda aplicou medidas que retirou a possibilidade de o sindicato participar de negociações com os empregadores”.
Essa preocupação é partilhada por Osmar Padilha, que também faz parte do Sindicato de Alimentação de Erechim e região. “Muitas empresas estão se aproveitando dessas medidas que retiram a segurança que o sindicato trazia aos trabalhadores”.

 

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