A líder comunitária e técnica em enfermagem, Ivete Antônia Olczeski, 52 anos, mora no Bairro Novo Horizonte há 16 anos, e além de atender o público diariamente na UPA, na área da saúde, ela também se dedica, há 10 anos ao trabalho na comunidade. A sua motivação para se envolver nos assuntos da coletividade vem da sua vontade de querer construir uma sociedade melhor, um ambiente saudável para viver.
E, para conseguir transformar a realidade, enfatiza Ivete, é muito importante que haja a participação das pessoas. “O problema é que muitas pessoas não querem se envolver com a comunidade, porque isso gera um compromisso e aí acabam se afastando. As lideranças acabam ficando restritas e sempre as mesmas, não há renovação”, afirma.
A líder comunitária gostaria de ver as pessoas juntas abraçarem uma causa. “Mas ainda tem aquele pessoal que só sabe criticar, não ajuda a fazer, tem muito disso ainda”, afirma.
Ivete não vê dificuldades por ser mulher e participar da vida comunitária. Ela acredita que a mulher conquistou seu espaço em diferentes setores, na política, comunidade. “Na diretoria que eu estava era a única mulher entre 12 integrantes. Isso pra mim não representa nenhuma dificuldade”, diz.
Expectativa
Ante o cenário atual, na sua avaliação, a mulher está tendo oportunidades, mas ela precisa também se dedicar e construir o seu espaço. “Precisa colocar a cara a tapa, no entanto, muitas ainda ficam com receio e, ás vezes, por ser uma atividade mais masculina não querem se envolver”, afirma.
Motivação
Segundo Ivete, para conquistar o seu espaço a mulher não pode ter medo, precisa cultivar a coragem. “E se aparecer alguma dificuldade não deve desistir. Muitas mulheres estão indo atrás de direitos, buscando melhorias na qualidade de vida, e estão conseguindo”, afirma.
Ela acrescenta que hoje existe a possibilidade de se inserir no mercado de trabalho, na vida comunitária, mas o ponto principal é que a mulher tem que querer. E cita o próprio exemplo no convívio do grupo da comunidade, em que os homens respeitam a sua opinião. “Eles acatam também as decisões da mulher. Aí, a gente não se sente excluída do processo. A colaboração é bem-vinda”, afirma.
Foco e metas
“Sempre batalhei por tudo que eu quis, e se cheguei onde estou, foi por causa das lutas. Sou uma mulher solteira e provedora da minha casa. Tenho um filho - Felipe, que está encaminhado na vida. Tenho orgulho disso, mas tudo é assim, as conquistas são resultado de batalhas diárias. E as dificuldades precisam ser superadas”, observa.
Ivete acrescenta que pra não esmorecer, ante as dificuldades, tem que olhar para frente, focar naquilo que se quer, e seguir com determinação, meta, pois assim é possível alcançar os objetivos. “Eu sempre trabalho com foco e metas, então, traço um objetivo e corro atrás”, afirma.
Ser mulher
“Todas nós somos capazes e temos condições de batalhar e conquistar o nosso espaço na sociedade. Buscar nossa felicidade em conjunto com a família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, porque sozinho a gente não é ninguém. Buscar apoio na família, comunidade, nas pessoas que você confia. A mulher tem que batalhar e não está sozinha”, afirma.