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“Minha casa é meu caminhão”, afirma a motorista de 37 anos

Márcia Regina Tavares da Silva tem 37 anos de idade e muitas histórias na bagagem

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Márcia é motorista há 1 ano e dois meses
Por Izabel Seehaber
Foto Reprodução/ Arquivo pessoal

Márcia Regina Tavares da Silva tem 37 anos de idade e muitas histórias na bagagem. Isso mesmo, nada melhor que esse termo quando o assunto se refere a quem possui o caminhão e as estradas como principal companhia, há um ano e dois meses.

O veículo foi equipado com toda estrutura necessária para oferecer conforto e segurança à motorista. Além disso, a decoração em tons de rosa, torna tudo mais agradável e especial. A relação com Erechim existe por conta da irmã, que reside na cidade e é uma das sócias da transportadora a qual Márcia trabalha.

Os trajetos

Entre os caminhos que percorre estão os estados de: Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, entre outros. Na relação de produtos que são transportados está: carne, frutas e vários outros itens.

De acordo com Márcia, a ideia de ser motorista de caminhão surgiu após um momento muito delicado para a família. “Nunca havia pensado nisso, mesmo gostando do veículo, mas o ato de ir para a estrada, é diferente, pensava que não tinha coragem. Contudo, meu pai, que tinha um caminhão próprio, sofreu um acidente grave em 2018, quando transportava erva-mate. Como o impacto foi muito grave, ele acabou perdendo a mão esquerda. Naquele instante pensei: vou fazer carteira de motorista para ajudá-lo. Com isso, eu e meus irmãos nos unimos ainda mais para fornecer esse suporte a ele, para que continuasse trabalhando”, relatou.

No entanto, e para a alegria de todos, o pai de Márcia se recuperou muito rapidamente e quando perceberam, estava dirigindo novamente o caminhão, o trator, exercendo as outras funções na fazenda, como se nada tivesse acontecido. “Com essa surpresa, meu irmão, que tem uma transportadora, com carretas e bitrens, me convidou para trabalhar para eles. Saí de Porto Alegre e encarei o desafio. Sempre fui assim, surgiu uma oportunidade, eu abracei”, afirmou.

Ela recordou que, na época, foi até o Centro de Formação de Condutores no dia 4 de dezembro e comentou que precisava ter a carteira antes do Natal. No dia 17 fez a prova, passou e no dia 19 já viajou para Caxias do Sul para carregar frutas e levar à Cuiabá. “Meu irmão me acompanhou, mostrou o funcionamento. A partir da segunda viagem, já estava sozinha no trabalho. Me apaixonei pela profissão. Mesmo com questões como: tenho uma data de saída, porém, não há definição para o retorno. Mas como não tenho filhos e sou divorciada, o motivo de voltar para casa é a minha família”, acrescentou, citando que as vezes fica 60 dias fora de casa, e, em outros períodos, 90 dias.

“A cabine como minha casa”

A cabine se tornou uma espécie de lar para Márcia. Há um espaço bem equipado, com geladeira, caixa de cozinha, maleiro (inclusive, ela fez um cabide no caminhão), tem televisão e a cama é confortável.

Desafios diários

Na opinião da motorista, entre os desafios está o desrespeito, que muitas vezes acontece com as mulheres que exercem a profissão, inclusive nos locais em que há carregamento ou descarregamento. “Desde o fato de usar um banheiro, muitas vezes o acesso é somente aos espaços que estão em péssimas condições. Em outros momentos, chegam a duvidar que a motorista é uma mulher”, pontuou.

Para Márcia, o fato de prosseguir na profissão se sustenta na paixão pelo trabalho. “Em comparação com outras profissões, imagino que as motoristas têm em torno de 50% a mais de dificuldades. Ficamos longe dos familiares, sem estrutura adequada, exceto em alguns estados que estão sendo providenciadas melhorias”, salientou.

Em relação à segurança, ela comenta que o veículo é rastreado e monitorado por todo o percurso, possui controles nas portas, há travas no baú e há seguro do veículo. Porém, o principal, do ponto de vista dela, é a fé, principal aliada de todos os momentos. “Não trocaria de profissão, pois nos acostumamos, conhecemos muitos lugares, pessoas, fizemos amizades”, comentou.

Mensagem a elas:

“Acho que nós mulheres, em muitos momentos, subestimamos nossa capacidade de fazer as coisas e investir nas oportunidades. Isso porque há insegurança, dúvidas. Por isso, eu diria que, quando vier algo inesperado, que dá medo, é isso que tem que abraçar. Pense em você, na sua felicidade. A mulher tem uma capacidade que nem imagina. Temos que olhar para o horizonte, aproveitar esses momentos e seguir em frente. Somos fortes, guerreiras, determinadas. Se você estiver bem, irá atrair coisas boas”, Márcia Regina Tavares da Silva.

 

 

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