A história do adultério é mais uma das histórias que praticamente se confunde com a história da humanidade. Seria necessário um complexo tratado para tal relato, e mesmo assim pouco se saberia de tão amplo tema. Por conseguinte, tratarei de forma superficial e econômica esse assunto que apaixona a muitos – os envolvidos de fato nos fatos, e igualmente os não envolvidos, mas loucos por uma boa novidade. Aliás, adultério é a única situação que envolve três pessoas sem um saber. Por outra, há mulheres e homens cuja infidelidade é o único laço que as liga a seus maridos, e/ou esposas.
Para não tirar o mérito de quem quer que seja e não cometer injustiças poupando outros tantos – e sabe-se lá quantos são os tantos –, pinçarei celebridades históricas que pecaram contra o nono mandamento. Mandamento este, constante nas Tábuas Sagradas da Lei, transmitido direta e pessoalmente por Deus a Moisés no alto do monte Sinai – que é para não pairar dúvidas sobre a gravidade do ilícito.
Já dizia Honoré de Balzac, mestre das letras e do galanteio, que é mais fácil ser amante que marido, pois é mais difícil ter espírito todos os dias do que dizer coisas bonitas de vez em quando. Acrescento ainda a visão científica de conhecido e reconhecido especialista da área P. R. Valente, segundo o qual, as únicas espécies animais monogâmicas existentes sobre a Terra são os gansos e as baleias orcas. E há quem diga que a monogamia é a arte de sonhar com todas as mulheres menos uma.
Ainda como curiosidade, fica o questionamento do por que os taurinos chifres, tradicionalmente associados à virilidade, tornaram-se o símbolo dos maridos ou esposas traídos. Voltaire sustentava que o costume viria dos gregos, que chamavam de bode o marido traído pela mulher, pois a cabra na cultura grega era sinônimo de fêmea dissoluta. Feita esta breve introdução, vou aos fatos:
Júlio César, divino imperador romano, ficou conhecido também por aprontar das suas: além de submeter a Gália e o restante da Europa, conquistou o Egito, e, de quebra, a famosa rainha Cleópatra, que para César, um notório megalomaníaco, representava mais que uma mulher, e sim, toda uma cultura mais que milenar. Segundo relatos da época, a última rainha da terra dos faraós era considerada exímia nas artes amorosas. Entre outros preâmbulos românticos, ela ocupava vinte damas de companhia na preparação de seus famosos banhos, em águas tépidas e aromáticas, que duravam seis horas. E não era para menos, pois é sabido que, no auge de seu furor e ardor sexual, chegou a levar cem homens para cama numa única noite. Em Roma, enquanto César lutava mundo afora, a impertinente, empedernida e feiosa Calpúrnia (que nomezinho esse, não?), sua esposa, não deixava por menos e mandava ver com seus rapazes. O ti-ti-ti era tanto que Cícero, o magnífico orador e filósofo, em marcante pronunciamento no senado romano, cunhou a emblemática frase: “À mulher de Cesar, não basta ser honesta; tem que parecer honesta”.
Mais adiante, na Idade Média, destacou-se outro chifrudo histórico. O mítico rei Arthur. Sua fama não era por pouco, pois entre suas proezas constava a de ter matado sozinho 960 homens na Batalha de Monte Badon. O bravo soberano tinha por norma discutir junto a seus fiéis cavaleiros estratégias sobre as invasões saxônicas, a localização do Santo Graal, e outras coisinhas mais além dos destinos da antiga Grã-Bretanha, em torno da célebre Távola Redonda. Entre seus honrados pares, existia um especial, o mestre de armas, Lancelot. Este, por sua vez, resolveu dar uma mãozinha ao velho rei nas funções matrimoniais, oferecendo seus dotes íntimos e particulares à Rainha Geinevere (outro nomezinho de lascar). De modo que Lancelot acabou levando para si e para o reino do seu ex-sogro a dita graciosa rainha, sua antiga tentação.
Outro caso notório de galhada que marcou época foi o de Luís XV e sua amante preferida, Madame Pompadour. A amásia do rei foi a pessoa mais poderosa da França durante muito tempo. Qualquer demanda superior, necessariamente, passava pelas suas mãos e graças, desde os mais influentes anseios aos mais simples favores vassalos. Luís XV, além de namorador, era bastante criativo: instalou um pequeno elevador no Palácio de Versalhes que ligava seu quarto aos aposentos da outra amante, madame de Châteuroux, no andar de baixo. Sua última namorada foi Madame Du Barry, que optou por descansar em Londres durante a incômoda Revolução Francesa. No entanto, sem perceber que o mundo da nobreza estava acabado, resolveu voltar a Paris para recuperar um lindo castelo que lhe havia sido confiscado pela plebe rude, ignara e revolucionária. Deu-se muito mal no intento a formosa Madame, pois acabou com seu mimoso pescoço na guilhotina de Robespierre.
Logo adiante, Napoleão Bonaparte marcou época por seu espírito guerreiro e suas conquistas amorosas. A cada campanha o imperador francês encantava e encarava inúmeras amantes. Também foi apaixonado por Desirée e manteve um romance tórrido com a formosa Emilia durante seu exílio em Elba. Mas a mulher que mais profundamente marcou sua vida foi, sem dúvida, sua primeira esposa, a imperatriz Josephine de Beauharnais, que segundo as más línguas, fora amante de metade de Paris. Dizem até que durante as longas ausências do marido, aproveitava muito bem o palácio das Tulherias, protagonizando noitadas nada formais com seu Charles e outros amigos muito íntimos e pouco recomendáveis.
Dom Pedro I, como se sabe, declarou a Independência do Brasil no dia 7 de setembro de 1822. O fato ocorreu em São Paulo, ao retornar de Santos para o Rio de Janeiro. O que muitos não sabem é que o libertador voltava de alguns dias de folguedos com sua amante, Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. Esse patriótico amor gentil rendeu quatro filhos aos pombinhos imperiais. Em tempo, e para não pairar dúvida sobre a magnificência do monarca, houve ainda mais dois filhos fora do casamento oficial: um com Clemência Saisset e outro com a Baronesa de Sorocaba.
Juscelino Kubitschek, notável presidente brasileiro, morreu em acidente automobilístico na via Dutra, quando retornava de São Paulo para o Rio, após encontro com uma antiga amante na capital paulista.
Jango, presidente do Brasil deposto pelo golpe militar de 1964, faleceu em Buenos Aires, quando passava uma temporada com sua carinhosa amante argentina, “La Gordita”.
John Kennedy, 35º presidente americano, e seu irmão Robert, ministro da Justiça, além de traírem suas dondocas esposas, repartiam os agrados da loiríssima estrela de Hollywood, Marilyn Monroe. Marilyn, além de seus encantos, tinha lá sua sabedoria, e costumava dizer que os maridos são bons amantes principalmente quando estão traindo as suas esposas. Certa vez, perguntada sobre o que vestia para dormir, respondeu prontamente: “Apenas duas gotas de Chanel nº 5, querido...”
Mas há um último caso de adultério que merece citação neste artigo, mesmo não envolvendo figuras históricas e ocorrido há poucos dias.
Trata-se do namoro que resultou em gravidez entre Alfie Patten, de 13 anos de idade, e Chantelle, de 15 anos. O pequeno Alfie recentemente ficou conhecido mundialmente como o pai mais jovem da Inglaterra. Após a notícia ter sido alardeada aos quatro ventos, surgiram três moleques que se lançaram candidatos à verdadeira paternidade do bebê. Muito bravo e espumando de ódio e raiva, Alfie afirmou que faria exame de DNA “para calar a boca das pessoas” – segundo noticiou o Daily Mirror. E acredite, leitor, não deu outra. Bingo! A filha não era realmente dele. Praticada por um legítimo inglês, a proeza de Alfie já deve estar figurando no Guinness Book, o livro dos recordes, como a chifrada mais jovem e comentada do planeta nos últimos tempos.
Fico por aqui para não me tornar demasiado enfadonho e até porque as ocorrências e recorrências sobre o tema – como dito no início – são infindáveis. E, afinal, como disse Amaral Neto: “Voto secreto e casamento são um convite ao adultério”. Entretanto, no intuito de tranquilizar a leitora e o leitor mais arredio, deixo para reflexão geral a frase de um amigo, verdadeiro expert no assunto: “Corno é coisa que não existe. É algo assim, que os outros colocam na cabeça da gente”.
Cabe aqui lembrar um dito de minha avó: “Se existe alguma certeza neste mundo, meu neto, é que ninguém morre mocho”. E é bom frisar, segundo pesquisa idônea, oitenta por cento dos homens traem suas mulheres no Brasil. O resto vai para Argentina, Estados Unidos e Europa. Finalizando, eu afirmo sem medo de errar: “O casamento é a maior causa do divórcio.”
Do Livro Amigos & Medos – Crônicas do Cotidiano