Foi com um misto de resignação e saudosismo que o ex-chefe da Superintendência Regional do Trabalho de Erechim, Moacir José Bertolazzi, acompanhou na manhã de ontem (6) a realização da mudança dos móveis que outrora preenchiam as espaçosas – e agora vazias – salas alugadas da unidade na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, número 71.
Isso porque desde o dia 31 de dezembro de 2019, em razão da aposentadoria do próprio Moacir (depois de 35 anos e nove meses de serviços prestados) a agência encerrou suas atividades.
Oficialmente, o motivo dado é que não teria sido encontrado ninguém para substituir o retirante chefe, que trabalhava sozinho há meses. “Quando entrei (como agente administrativo), éramos em nove servidores. Recentemente, só eu havia sobrado. Os colegas foram se aposentando e não havia reposição”, contou Moacir.
Mais uma perda
No “frigir dos ovos”, a realidade nua e crua é que Erechim e Alto Uruguai perdem mais um serviço para Passo Fundo – e empurram à terra de Teixeirinha aqueles que precisarem tratar de temas como rescisões trabalhistas (quando não são feitas em sindicatos), situações envolvendo seguro-desemprego e recursos administrativos, além das denúncias por pagamentos fora do prazo ou o não recolhimento do INSS.
“Eu estava atendendo, em média, de 15 a 20 pessoas por dia. Agora, caberá ao trabalhador ir a Passo Fundo buscar a solução”, resumiu Moacir, que não descarta dar assistência à população, a fim de tirar dúvidas e apontar os melhores caminhos que levem ao número 1.151 da rua Antônio Araújo, no centro de Passo Fundo – endereço para onde foi ‘deslocada’ a sepultada unidade local.
Depois de outo décadas
No Brasil, a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio ocorreu em 26 de novembro de 1930 e foi uma das primeiras iniciativas do governo implantado no dia 3 daquele mesmo mês sob a chefia de Getúlio Vargas. O "ministério da Revolução" - como foi chamado por Lindolfo Collor Collor, o primeiro titular da pasta – surgiu para concretizar o projeto do novo regime de interferir sistematicamente no conflito entre capital e trabalho. Até então, no país, as questões relativas ao mundo do trabalho eram tratadas pelo ministério da Agricultura, sendo na realidade praticamente ignoradas pelo governo.
Em Erechim, conforme Antônio Ducatti Neto – em seu livro ‘O Grande Erechim e sua História’, disponível no Arquivo Histórico Municipal – a Superintendência Regional teria iniciado as atividades por volta de 1940 graças a um convênio com a prefeitura, passando a funcionar de forma independente quase três décadas depois.
Sem vez e voz
O fechamento da octogenária agência de Erechim engrossa a lista das Superintendências que cerraram suas portas recentemente no RS. Nos últimos meses, perlo menos outras três já haviam paralisado os serviços – coincidentemente, ou não, todas em regiões com pífia representação política, como a nossa.