A cadeirante erechinense, Stefany Julia Siteneski Rodrigues, está determinada a estudar, fazer sua faculdade de direito, porém os desafios são muitos. Um deles, que vem preocupando e gerando problemas para a acadêmica do terceiro semestre de Direito da URI, que mora no Bairro Morada do Sol, é como chegar até a universidade. Tanto se fala em acessibilidade, mas na prática a história é diferente. Nem pagando se consegue transporte para cadeirante.
Segundo Stefany, é a segunda vez que ela vem a público falar sobre essa situação devido à dificuldade em conseguir transporte, tanto público como privado, para ir até a universidade. Depois de muita luta e negativas ela conseguiu uma empresa, porém no final desse ano encerrou os serviços. Agora ela está novamente atrás de um novo transporte.
A estudante já está procurando, mas ainda não encontrou nenhuma empresa disposta a fazer o serviço. “A maioria alega não fazer o trajeto até a URI ou não transportar cadeirante”, afirma.
Necessidade
Ela comenta que tem uma cadeira de rodas que fica na URI, e que só precisa ser transportada individualmente. “Eu vou sentada no banco como qualquer outra pessoa, só preciso que me ajudem a fazer a transição para outra cadeira, que não demora cinco minutos, requer, minimamente, a colaboração de alguém”, disse.
Segundo ela, os vereadores erechinenses aprovaram um projeto de lei que estabelece o transporte escolar adaptado para universitários cadeirantes, mas foi vetado.
Angústia
“Até agora nada, falta um tempo para iniciar as aulas, mas o quanto mais cedo resolver esse problema, melhor, porque aí quando começar as aulas tenho como ir”, desabafa. E, acrescenta, “nem pagando estou conseguindo me locomover”.
Transporte público
Stefany afirma que usou durante um tempo o transporte público, só que foi vítima de preconceito e comentários maldosos. “Por exemplo: o que uma aleijada vai fazer na universidade, ou, estou perdendo ônibus por tua causa. Inclusive as pessoas ligavam no gabinete dos vereadores para reclamar da minha presença. Isso é muito degradante e humilhante, porque tenho liberdade de ir e vir como qualquer outro cidadão desse país, mas as pessoas não conseguem entender isso”, diz.
Conforme a acadêmica, além disso, tem também a questão do estado de conservação dos elevadores, que estão sempre sujos, os cintos de segurança vandalizado. “Os elevadores são tão bonitos, mas na prática é complicado, na maioria das vezes não funcionam. Não posso obrigar ninguém a trabalhar com sorriso no rosto, mas também não precisa olhar como se estivesse cometendo algum crime”, afirma.
Ela acrescenta que os ônibus de Erechim têm elevadores, mas são poucos em bom estado de funcionamento. “Na grande maioria das vezes tento acessar, mas várias vezes fui deixada na parada onde estou, alguém diz que é porque o elevador não funciona e não posso te levar. É uma situação complicada. A esfera pública não vai me ajudar”, comenta.
Sem contar que o transporte público não passa perto onde ela mora. “Fora a questão das pessoas, elevadores e, tudo o mais, quando está chovendo a parada fica a três quadras da minha casa”, diz.
Pagar pelo serviço
Ano passado Stefany conseguiu ir para a universidade com uma empresa privada. “Estou me dispondo a pagar e, mesmo assim, não tem empresas que fazem esse serviço. Será que meu dinheiro tem valor diferente das outras pessoas. Continua o impasse, quem eu procuro diz que não faz a rota de casa ou não faz a universidade, série de desculpas”, diz. E, acrescenta, “tenho direito como cidadã de ir e vir, como qualquer outra pessoa, não estou pedindo nada extraordinário, só poder ir para universidade, só isso”.