O jornalista Carlos Machado saiu de Erechim aos 18 anos para estudar, concluindo duas graduações: História e Jornalismo - sendo a última na UFRGS, considerada uma das melhores universidades do Brasil.
Ao longo de sua carreira trabalhou nos maiores grupos de comunicação do Rio Grande do Sul: Rádios Guaíba, Gaúcha, Bandeirantes e FM Cultura e na TVE.
Atualmente, mora em Portugal, onde faz Mestrado em Jornalismo.
Apesar da longa bagagem, o Natal que mais lhe marcou foi vivido em Erechim, no distante ano de 1996 – quando Carlos, então criança de origem humilde do bairro São Vicente de Paulo, tinha apenas dez anos de idade. Diz ele: ‘Foi graças à convivência com meus amigos no Jupem que pude perceber um mundo maior, que comecei a almejar voos mais altos, que percebi o quão importante é vencer as barreiras e preconceitos sociais para crescer’.
Carlos é a prova viva de que a cultura integra e não tem fronteiras. Confira essa linda história:
“Um Natal que me marcou é o de 1996, que foi o meu primeiro ano como integrante do Grupo Jupem. Eu tinha 10 anos. No final de cada ano, o Jupem faz uma grande confraternização com todos os integrantes e familiares que desempenham alguma atividade relacionada à cultura polonesa em Erechim. Foi o primeiro Natal que eu me senti igual a todos, incluído. Pois a Sociedade Rui Barbosa é um lugar onde as diferenças sociais são deixadas de lado.
Até os 18 anos eu morei no bairro São Vicente de Paulo, conhecido como Florestinha. Um local, muitas vezes, só lembrado pelo poder público em época de eleições. Lá há casebres construídos sobre as linhas da estrada de ferro e onde a criminalidade avança por falta de apoio e investimento público nas áreas da segurança e infraestrutura.
Foi graças à convivência com meus amigos no Jupem que pude perceber um mundo maior, que comecei a almejar voos mais altos, que percebi o quão importante é vencer as barreiras e preconceitos sociais para crescer.
De volta ao Natal de 1996, a divisão do "Oplatek" (hóstia, em Polonês) entre minha família e a família de dezenas de jupenianos naquela confraternização de final de ano foi o primeiro exemplo que tive de que a cultura, realmente, não tem fronteiras. E aprendi, ainda, que quando crianças e adolescentes têm oportunidades, eles podem crescer. Basta estímulo e incentivo da família, da sociedade e do poder público”.