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Após uma visita, uma lição para toda a vida

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Oficial de Justiça aposentado, Hugo Ernesto Generali
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

Em meio a tantas histórias que um oficial de Justiça acompanha, uma se destaca na carreira do aposentado Hugo Ernesto Generali. Há 29 anos, no período do Natal, aquilo que seria mais uma ação da atividade profissional, lhe rendeu alguns ensinamentos sobre o que ele chamou de poder divino.

“Aos oficiais de Justiça são atribuídos os mais diversos serviços, porém, o mais traumático, com certeza, é a ação de separação de corpos. Nessa situação, o homem, compelido pela ordem judicial, deve afastar-se do lar conjugal com apenas poucos pertences de uso pessoal”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.

Assim, em 1990, munidos do mandado judicial, Hugo e seu colega, Francisco Haboski, foram a uma residência localizada no Bairro Linho. “O réu, que lamentavelmente era alcoólatra, nos recebeu educadamente e, após a leitura da petição inicial, em que foram expostas as razões da sua ex-esposa, preparou-se para abandonar a casa”, contou Hugo.

“Contudo, nesse momento um fato excepcional aconteceu: o filho do casal, um menino de 5 anos de idade, ao observar a cena, se dirigiu ao sofá da sala, onde tinha uma pequena caixa de papelão e ele a abriu e retirou uma nota, que hoje representa 5,00 reais e entregou ao seu pai, lhe dizendo ‘levai papai, o senhor poderá precisar’”, acrescentou.

Naquele momento, Hugo relembra que uma passagem cristã lhe passou pela cabeça e pensou, “é óbvio que aquela figura mística, que há mais de dois mil anos percorreu as estradas poeirentas da Galiléia, curando os enfermos e dizendo ‘deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus’, iluminou aquela criança, naquele belíssimo gesto”.

Atualmente, Hugo acredita que aquela atitude também proporcionou um suave e pequeno milagre. “O pai da criança, comovido pelo gesto, abandonou seu vício em embriaguez e retornou ao convívio com as pessoas que mais amava. Hoje, aquele menino, já adulto, está casado e tem dois filhos, Rafael e Gabriel – nomes que, por casualidade ou não, remetem aos arcanjos, e unem-se à casa do pai para celebrar a noite mágica de Natal”, concluiu o oficial de Justiça aposentado.

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