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A realidade por trás do personagem de Papai Noel

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Ubiratan Peres de Ávila, há 28 anos se transforma no “bom velhinho”
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Um convite inesperado e uma forma de observar diversas realidades por trás da barba e do figurino de Papai Noel. Esse é um pouco do resumo da história de Ubiratan Peres de Ávila, que há 28 anos se transforma no “bom velhinho” para intensificar a magia do Natal.

“Quando tinha 25 anos fui convidado para trabalhar em uma loja vestido de Papai Noel, para ajudar a proprietária a incrementar as vendas do mês de dezembro. Hoje, com 53 anos, nunca parei de trabalhar nas noites de Natal. Naquele ano fui convidado também, por uma amiga, para ser o Papai Noel da família. O que eu não sabia era que a família era grande. Entre avós, irmãos, tios e tias e crianças, eram mais ou menos 25 pessoas, todos me esperando. Não foi fácil aparecer em público a primeira vez, imagina chegar em uma casa com todas aquelas pessoas. Mas aí é que está a magia do Natal, tudo e todos se transformam nessa data, carinho e amor não faltam e a alegria contagiante das crianças faz com que você também assuma um papel importante nessa história de amor”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.

Contudo, Ubiratan relata que ser esse personagem carismático também tem seu preço. “Através da barba branca, um dos artefatos principais que nos torna irreconhecíveis, enxergamos muitas coisas, entre elas, a desigualdade social que vivemos e, é nesse momento que deixamos de ser aquele velhinho que consegue realizar todos os sonhos e passamos a questionar o porquê de tantas diferenças entre seres tão iguais. Mas, o que realmente marca a passagem do Natal, são os abraços e o carinho dedicados a esse personagem. Na conversa íntima são revelados segredos, travessuras e, até mesmo os momentos de desobediência vividos ao longo do ano, sempre com a promessa de que, no próximo ano, tudo vai melhorar”.

Nessa trajetória de quase três décadas, Ubiratan está aproximadamente há 20 anos atuando na Escola de Educação Básica da Universidade Regional Integrada (URI) – campus Erechim, “foi ali que aprendi a trabalhar com as crianças e tenho as melhores lembranças sobre o Natal”, pontuou.

Encontros e reencontros

Na URI, a presença de uma família lhe despertou certa inquietação. “Conheci um casal de crianças muito especiais, Jean e Stefany Krebs, que entraram na tenda do Noel, montada pela escola especialmente para o evento, e permaneceram quietos olhando os acontecimentos a sua volta. Foi quando resolvi chamá-los para uma conversa e me deparei com uma situação bem complicada para mim, ambos eram surdos e eu não sabia a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para minha sorte, a mãe deles estava junto e intermediou a conversa. Aquele momento marcou muito a minha vida porque me senti impotente diante da situação, no entanto, o destino tratou de nos unir novamente e, eu e o Jean fizemos juntos o curso de Marketing juntos no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Erechim, momento em que ficamos muito amigos e conversamos muito durante todo esse tempo. Hoje não tenho problemas de comunicação com ele, e a Stefany, ela é só a melhor jogadora de futsal de surdos do mundo”, relembra Ubiratan.

Compreensão para tornar o Natal mais especial

Ser uma das principais atrações desse feriado refletiu na relação familiar de Ubiratan, mas a compreensão é a chave para entender que nem sempre ele estará próximo. “Faz muito tempo que não passo a véspera de Natal com a minha família, e, com isso, meus filhos cresceram com minha ausência nesse período, devido a necessidade do trabalho, mas, assim como as crianças que esperam o bom velhinho eles estão sempre ao meu lado, de braços abertos porque eles sabem que são os verdadeiros filhos do Papai Noel”, concluiu.

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