Aos oitos anos de idade, quais seriam os principais pedidos de uma criança no Natal? Você pode estar pensando em brinquedos, doces... e se fosse um Papai Noel? Isso mesmo, a figura emblemática, que atrai olhares curiosos dos mais baixinhos, poderia se materializar em uma espécie de companhia para uma menina que tinha muitos amigos imaginários...
Se em um primeiro momento essa história pode parecer um tanto comum, principalmente por envolver o “Bom Velhinho”, mas para essa jornalista, possui um significado amplo e envolve um misto de sentimentos, desde alegria intensa, família reunida, saudades e lembranças. Hoje, aos 32 anos, não esqueço e só reforço a importância do Natal e todas as suas composições... inclusive, é claro, a figura do Papai Noel.
Recordo-me que, na época, as dificuldades financeiras eram mais expressivas. Nunca faltou nada em casa, mas os recursos eram limitados, todo gasto era calculado exatamente para não colocar em risco o orçamento familiar. Meu pai era quem trabalhava fora, em uma empresa no ramo de cereais, inicialmente como motorista e mais tarde, como mecânico agrícola. Minha mãe sempre atuou como dona de casa, preocupada com o cuidado de cada um. Em comum eles sempre tiveram o foco no bem-estar de todos da família.
Naquele tempo (em que situo essa história do Noel), minha irmã era estudante, estava início da graduação em Biologia.
Enfim, em meio às preocupações e sonhos, era preciso controlar os investimentos que não fossem tão urgentes e manter as prioridades. Isso envolvia os presentes, que sempre foram concedidos no Natal... Era mais uma forma de expressar o carinho e amor.
Eu, criança, ficava com a sensação de expectativa em relação aos mimos e já pensava como seria o dia que poderia retribuir de forma material...
Um dia, surgiu a ideia: ‘e se eu ganhasse um Papai Noel?’ Mas sem insistência, lembro que o pensamento foi: “Não importa o presente, já tenho o melhor de todos, uma família linda, cheia de amor”.
Contudo, o dia 24 chegou e próximo ao pinheirinho e ao presépio, uma caixa retangular chamava a atenção... ao abrir, a grata surpresa: ali estava o Noel, com seu trompete. Isso mesmo, bastava ligar um botãozinho e ele começava a mexer os bracinhos e “cantar”. Os olhos brilharam, era tanta alegria que não sabia expressar. Sentia até receio de deixar muito tempo fora da caixinha e sujar. Por isso, o cuidado era redobrado. Emprestar para alguém, nem pensar. Pode parecer “egoísmo”, no entanto, eu tentava mensurar todo o empenho de meus pais para comprar o Noel. Ele foi adquirido de forma parcelada, em uma reconhecida loja de móveis e eletrodomésticos. Muito esforço e, é claro, amor. Isso foi suficiente, sempre é o bastante.
O tempo passou rápido, veio a fase adulta e o período natalino prossegue, com algumas alterações... a quantidade de pessoas na hora do almoço em família não é a mesma, nem no momento da troca de presentes, há espaços vazios, porém, o Noel, ah o Noel, ele continua ali, intacto, e tornou-se o elo com as mais doces e especiais recordações. Elas nos preenchem e, junto às pessoas que amamos e que podemos abraçar, fazem o Natal jamais perder o sentido!