21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Preço pago ao produtor de carne aumenta em torno de 20%

Coordenador geral do Sutraf, Douglas Cenci, avalia que acréscimo é justo e que o repasse desproporcional ao consumidor está relacionado a outros fatores, com a exportação

teste
No mercado, o consumidor pode pagar R$ 30, R$ 40, enfim, muito mais do que o produtor recebe
Por Izabel Seehaber
Foto Igor Dalla Rosa Muller

Nos últimos dias um assunto que ganhou ainda mais destaque é o aumento expressivo no preço da carne para os consumidores, principalmente de gado. Em reportagem publicada pelo Bom Dia, o colega Igor Dalla Rosa Muller, apontou que os reajustes variam de 15% a 30% nos mercados, açougues e casas especializadas de Erechim. Isso depende do corte e do estabelecimento. Tal acréscimo no valor, pesa no bolso dos consumidores e, por outro lado, minimiza os atrasos em reajustes aos produtores de carne, sendo que o preço pago a eles melhorou em torno de 20%.

Quem explica o assunto é o coordenador geral do Sutraf, Douglas Cenci, citando que o repasse ainda não chega como deveria ao produtor. “No mercado é pago um preço exorbitante pela carne e o agricultor, muitas vezes, não é reconhecido pelo trabalho. Isso é uma questão que já vem sendo discutida há anos, e envolve toda a dedicação ao trabalho até a entrega do animal”, relata, pontuando que esse processo vem ocorrendo de forma muito lenta e os mercados estão ganhando uma fatia muito significativa do valor total.

Segundo ele, a elevação do preço ao consumidor pode estar motivada por três questões: a primeira é a exportação (a qual impulsionou de vez essa realidade); a redução do rebanho e por consequência, a oferta de carnes, pois já faz um tempo que o produtor vem sofrendo com baixos preços; e a terceira é o período, sendo que é tradicional ser registrado um aumento nesse mês.

Douglas explica que o preço praticado na região varia conforme a semana, o produtor e a qualidade do gado, mas gira em torno de R$ 12/quilo de carne do boi abatido. “Enquanto que no mercado, o consumidor pode pagar R$ 30, R$ 40, enfim, muito mais do que o produtor recebe. Claro que tem o custo de abate, entre outras questões, no entanto, passa-se no mínimo dois anos criando um boi para o abate. Por isso, a maior parte do serviço é atribuída aos agricultores, assim como os riscos, e, sendo assim, se torna injusta essa relação de preço”, relata.

De acordo com o coordenador, a avaliação é que esse aumento para o agricultor, não é injusto, mas sim, necessário e veio até atrasado. “Há quatro anos não havia um reajuste significativo no valor das carnes. O custo de produção aumentou muito e foram muitos anos com, se não prejuízos, dificuldades para produzir. O complicado é que vem desproporcional ao consumidor”, assinala.

 

Perspectivas

Quanto ao futuro, o cenário depende muito das exportações. “O mercado brasileiro tem enfrentado desafios para reagir, o governo não tem adotado medidas para fortalecer o consumo interno, que engloba desde o reajuste de salário mínimo, liberação de recursos para movimentar a economia, por meio da habitação e outras linhas de crédito, enfim, um momento difícil”, comenta Douglas, ponderando que, para o produtor, o investimento acontece a longo prazo. “Por mais que resolva ampliar a produção, é algo que demanda tempo, em torno de cinco anos para aumentar o plantel. Outro fator é que, geralmente quando aumenta o preço, o produtor vende todo o gado que tem disponível e vai comercializar as fêmeas que poderiam ser matrizes”, acrescenta.

Em meio a tantos desafios, o coordenador afirmou que “estamos “reféns” desse sistema de mercado que explora tanto consumidor como produtor”.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;