21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Carne de gado: Preço explode e pode ter escassez

Reajustes variaram de 15% a 30% nos últimos dias. Há tendência de novos aumentam em dezembro

teste
Item indispensável na alimentação do gaúcho, pode virar artigo de luxo. Até para comerciantes aument
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Quem gosta de fazer um churrasco foi surpreendido, nos últimos dias, com um aumento significativo no preço da carne bovina, principalmente, mas também, incluindo a carne de porco e frango. Os reajustes variam de 15% a 30% nos mercados, açougues e casas especializadas de Erechim, dependendo do corte e do estabelecimento comercial. O elevado acréscimo no valor, de uma hora para outra, de um dos principais itens da alimentação dos gaúchos foi motivo também de espanto dos comerciantes.        

Exagero

Para o comerciante de carnes, Neri Zaleski, que trabalha nesse ramo há 35 anos, o aumento foi exagerado. “De uns dias pra cá aumentou quase 30% a carne de gado. Foi um absurdo, o que mais aumentou nesses 15 dias”, conta.

Ele conta que o preço da carne bovina vinha se mantendo equilibrado nos últimos 3 a 4 anos, no entanto, nos últimos 15 dias teve essa mudança. As vendas ainda não diminuíram, mas a reclamação dos clientes já é grande.

Neri afirma que isso é reflexo das exportações para a China, e que se continuar nesse ritmo, os fornecedores dizem que vai faltar o produto na mesa do consumidor.

Aumento expressivo

Segundo o proprietário da casa de carnes, Franciel Ascari, que trabalha há 20 anos nesse segmento, houve um aumento expressivo no preço da carne de gado nas últimas semanas, em média de 15% a 20%. “O aumento está vindo aos poucos, porque no mês de dezembro vai ter mais, acho que vai passar de 30%”, explica. E, acrescenta, “as outras linhas, porco e frango, também tiveram reajuste no preço do quilo. Está vindo tudo junto”.

“O problema é a exportação de carne para a China, o pessoal está segurando boi para pegar preço e mandar para lá. Frigoríficos grandes, que estão exportando e antes compravam carne no Mato Grosso, estão arrematando toda a carne da região”, comenta.  

Segundo Ascari, faz duas semanas que o preço mudou e já começaram os problemas. “Tanto que o meu fornecedor disse que até o final de janeiro vai ter carne, mas muitos lugares vão ficar sem. Pelos boatos que estão tendo, vai ter escassez de carne e um super aumento nos preços”, disse.

Ele ressalta que o aumento no preço já teve interferência nas vendas, que ao invés de aumentar no fim de ano, estão caindo. “O normal seria aumentar. O pessoal que comprava um churrasco com 3 kg de carne, hoje está comprando 2 kg, diminui a quantidade”, observa.  

O comerciante vende cerca de 2 mil quilos de carne de gado por semana, e que em função da elevação do preço baixou para 1,5 mil quilos por semana. “Só nesses 15 dias, que deu explosão de preços. Mas acredito que isso seja só no começo, depois deve normalizar”, comenta.

Pode afetar fornecimento

A proprietária de mercado e açougue, Cristiane Bregoli, que atua há 8 anos nesse setor, afirma que houve um aumento significativo nas duas últimas semanas no preço da carne bovina, um total de 15% de acréscimo. No entanto, por enquanto, não teve reflexo negativo e diminuição das vendas.

“O fornecedor regional, que me atende, disse que até janeiro garante o fornecimento para nós, porque não vai pegar clientes novos, e não vai deixar sem carne os mercados que atende. Mas a partir daí ele não sabe dizer, que poderá faltar carne e aumentar ainda mais os preços”, destaca.  

A comerciante lembra que todo final de ano é normal ter algum aumento no preço da carne de gado. “Aumentava R$ 0,50 centavos por quilo, no total do aumento. Mas nessa última semana já aumentou R$ 3. Nunca tinha visto um aumento assim, foi a primeira vez que aconteceu”, comenta.

Cristiane afirma que ainda não sentiu diferença nas vendas, o preço não assustou os clientes, que estão levando a mesma quantia de carne ainda. “Por enquanto, está normal. A minha casa de carnes é mais especializada em carnes nobres, então, o meu cliente não compra muito pelo preço, mas pela qualidade. Esse é o nosso diferencial”, explica. Ela comercializa em média, por semana, em torno de 1700 quilos a 2 mil quilos de carne de gado. “Por enquanto não baixou”, disse.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;