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‘Nosso coração é nosso diferencial’

Afirmação é de Marcos Piangers, que esteve em Erechim nesta sexta-feira (22), participando do Astrus Update

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Para Piangers, exercitar a humanidade num mundo de algoritmos é vital.
Por Salus Loch
Foto Rodrigo Finardi

Enquanto refletia, antes de responder qual deve ser a ‘pedida/dica’ para o sucesso pessoal e profissional num mundo tecnológico em acelerada e constante mudança, Marcos Piangers cofiou (alisou) o bigode por alguns segundos, trejeito que o acompanha há anos, para em seguida abrir um sorriso fácil e comentar de modo simples, mas convicto:

- A sensibilidade com o próximo.

Senti que, embora tenha partido de dados técnicos e pesquisas, Piangers acreditava no que estava dizendo, falando com o coração.

Ali, entendi melhor o que lhe faz ser, hoje, um dos palestrantes mais requisitados do Brasil em temas como inovação, criatividade e, especialmente, o impacto da paternidade na vida de um homem, reflexo da experiência com as filhas Anita e Aurora – que resultou no livro ‘O Papai é Pop’, em 2015, verdadeiro ponto de virada na trajetória do jornalista.

Em entrevista ao Bom Dia pouco antes de sua palestra no Astrus Update, evento realizado no Pólo de Cultura nesta sexta-feira (22), o ruivo de olhos azuis cravejados num rosto cheio de sardas e sonhos discorreu sobre mercado e futuro, revelando, ainda, um pouco do que lhe motiva a seguir uma jornada com a frenética média de 100 palestras por ano, de norte a sul do país.

A seguir, os principais trechos do bate-papo:

2020 bate à porta. Que dica você daria para quem quer se destacar no próximo ano, e nos seguintes, considerando o atual contexto de disrupções e mudanças cada vez mais aceleradas causadas pelas novas tecnologias?

Sensibilidade com o próximo. Nosso coração é nosso diferencial. Num mundo dominado pelos algoritmos, irá se destacar quem se preocupar com o outro. A definição, aliás, parte de estudo do Google (projeto Oxigen) que indica que as três principais características do profissional do futuro serão, pela ordem: confiança (na outra pessoa, como por exemplo, no seu colega de trabalho); comunicação (entendida como a capacidade de saber falar, ouvir e interpretar o resultado da conversa); e empatia, que nada mais é do que se colocar no lugar do outro. Depois de tudo isso é que vem o conhecimento técnico que, digamos, é mais fácil de ser ensinado.

Há algum meio de cultivar/treinar a sensibilidade?

Sim. Há exercícios diários, que, mesmo singelos, têm um poder incrível. Cito a prática de jamais falar mal dos outros e a gratidão. Devemos agradecer mais e reclamar menos. Desde que tais elementos passaram a integrar minha rotina diária, vi que muitas portas se abriram.

Quando isso começou para você?

Acredito que na época do lançamento do ‘Papai é Pop’, a partir do momento em que conheci muitos pais melhores do que eu, que me ajudaram a reforçar alguns propósitos de vida, inclusive. Foi uma troca muito legal, que cresce até hoje.

Propósito de vida... Qual é o seu?

Não quero ser lembrado como um empreendedor, mas como um cara que serve os outros, tentando transformar para melhor a vida das pessoas, seus negócios e marcas.

Está conseguindo?

Acredito que estou no caminho, atuando em várias frentes, sabe. Sinto que há diferentes modos de impactar a vida das pessoas, seja com palestras a CEO´s de empresas, onde mostro que é possível fazer – e lucrar – mais, sem necessariamente explorar os colaboradores até o limite, reduzindo, por exemplo, os índices de Burnout; passando por encontros como este de Erechim, onde mostro o que vem por aí falando de Inteligência Artificial, mas também como construir uma economia mais colaborativa; até o estímulo a novos multiplicadores de uma paternidade consciente, algo que tem um p... efeito.

Objetivamente, como reduzir os índices de Burnout?

Empresas que dependem de ‘cérebros’, como desenvolvedores e outros, terão que humanizar o trabalho, sob pena de ficarem sem mão de obra. Esse caminho irá se impor. Aliás, já vemos experiências neste sentido com a inversão, em alguns lugares, dos modelos ‘startups’ – que estimulam que o colaborador permaneça num escritório descolado produzindo pelo máximo de tempo possível. Exemplo é a ‘Basecamp’, que entendeu a importância da vida social/familiar de seu colaborador, com efeitos positivos nos resultados do negócio.

Sobre o tema da palestra que lhe trouxe a Erechim: ‘Inovação e criatividade: uma espiada no futuro’, você poderia, por favor, sintetizar a explanação àqueles que não estiveram presentes ao Pólo de Cultura?

Claro. Primeiro, é importante dizer que a inovação só acontece quando se alia tecnologia e criatividade criando produtos, serviços ou soluções que sejam convenientes/úteis às pessoas e que, fundamentalmente, sejam acessíveis a um contingente maior de usuários, o que se dá com menor/melhor preço. Isso transforma indústrias, marcas e o mercado e representa uma força imparável. Quem não entender isso está fora do jogo.

Quem é?

Marcos Piangers é autor do best seller ‘O Papai é Pop’, com mais de 350 mil livros vendidos e lançados em Portugal, Espanha, Inglaterra e EUA. É especialista em novas tecnologias, criatividade, inovação e uma das maiores referências sobre paternidade do país. Já deu aulas e palestras para os maiores eventos e empresas do Brasil, além de palestrar em eventos internacionais e ser cinco vezes palestrante do TEDx, a maior conferência de ideias do mundo. Seus vídeos já ultrapassaram a marca de 400 milhões de views no Facebook.

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