Na próxima terça-feira (26), o Senado em Brasília, irá sediar um debate especial com o foco no enfrentamento à violência contra a mulher. O objetivo é proporcionar um espaço de ampla discussão, diante dos dados alarmantes de violações de direitos e dignidade do público feminino.
A iniciativa partiu de um requerimento apresentado pela Pastoral da Juventude, ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), senador Paulo Paim, por meio da secretária da Diocese de Erechim, que também atua como multiplicadora da campanha nacional pelo regional Sul 3, Rocheli Koralewski. A audiência faz parte de uma série de ações pensadas a partir da Campanha Nacional de Enfrentamento ao ciclo de violência contra a mulher, lançada em 2018, no Acre. “A proposta é conversar diretamente com o poder público, para buscar e pensar políticas. É claro que não vai ser no primeiro movimento que isso vai acontecer, mas é um primeiro passo para termos medidas efetivas no enfretamento a violência”, destaca, frisando que o projeto da campanha é, além de promover a discussão desse tema dentro da igreja, com grupos de jovens, comunidades, paróquias, tem o foco em sensibilizar o poder público e entidades. “Fizemos o movimento de ir até os parlamentares. Como prevê a campanha da Fraternidade: “Fraternidade e Políticas Públicas”, já estávamos envolvidos desde a época da quaresma, provocados na reflexão de que, as mudanças que queremos fazem parte das nossas ações também, de exercer a cidadania”, ressalta.
Rocheli explica que foram mapeadas algumas lideranças que já tinham envolvimento em trabalhos e atividades em prol à segurança das mulheres. “Uma delas foi a deputada Maria do Rosário, que fez a aproximação com o senador Paulo Paim. Fomos até o no gabinete em Canoas, nos encontramos com ele e os assessores, apresentamos a proposta e pedimos um espaço representativo, por meio de uma audiência. O senador foi muito solícito e agendou o evento”, afirma.
Para a secretária da Diocese de Erechim, esse é um passo muito importante para estender o debate e a busca por soluções efetivas. Ela também reforça que é muito importante esse diálogo e a sensibilização das pessoas contra a violência. “É fundamental a mobilização e o entendimento que tudo inicia com o machismo, com o sistema patriarcal que, muitas vezes, “ensina” os homens a ser violentos e as mulheres a aceitarem isso. Nos baseamos muito no evangelho de João 10 em que Jesus diz: “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. É preciso buscar medidas para que isso realmente seja possível”, frisa, acrescentando que o Estado tem o dever de oferecer vida às pessoas. No Brasil isso nem sempre está acontecendo. Muito além do comprometimento, é preciso um olhar voltado às políticas públicas e que elas não sejam somente de governo, mas de Estado, e, principalmente, permanentes.
Quem quiser assistir a audiência na próxima semana, basta acessar a página da Pastoral da Juventude: www.pj.org.br ou pelo Facebook.
Cenário preocupante
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país em violência contra a mulher e os casos que chegam a ser denunciados apontam que, a cada cinco minutos uma mulher é agredida e treze mulheres são mortas por dia.
O secretário nacional da Pastoral da Juventude, Davi Rodrigues, provoca para importância desse espaço e destaca que um dos eixos da campanha aponta para aproximação de parceiros que atuam no enfrentamento à violência contra mulher. “A Pastoral da Juventude, quer provocar as diferentes lideranças, representantes de entidades sociais e políticos, desafiando cada um e uma a refletir, dialogar e desenvolver ações transformadoras, rompendo as correntes e apontando para a esperança de libertação”, afirma o secretário nacional da PJ.
O debate
A mesa de debate será composta pelo senador Paulo Paim, o secretário nacional da PJ, Davi Rodrigues, a multiplicadora da campanha nacional pelo regional Sul 1, Daiane Zito, a multiplicadora da campanha nacional pelo regional Sul 3, Rocheli Koralewski, a secretária geral do Conselho nacional das igrejas cristãs, pastora Romi Bencke e a representante da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Irª Maria Luiza.