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Conhecimento: uma ferramenta que se mostrou poderosa para a humanidade

Doutor em Ciências da Comunicação, Otávio Jose Klein, reforça a ideia de que, por meio do ‘conhecer’, muitas perguntas já foram e ainda podem ser respondidas

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Conhecer é um processo que ocorre na relação de um sujeito que busca entender o objeto estudado
Por Da Redação
Foto Marcos Quadros

Você sabe o que é o conhecimento? Já parou para pensar sobre isso? Existem diferentes tipos e junto com eles, há formas para quem quer adquiri-lo. Desde o princípio, a Filosofia se preocupou com o “problema” conhecimento. Os primeiros filósofos da Grécia por exemplo, questionavam o mundo cosmos (homem e natureza) para tentar encontrar a verdade e um princípio único que abrangesse toda a realidade do ser. Já no Império Romano com a transformação do cristianismo em sua religião oficial e durante todo o período da Idade Média, grande parte das verdades estavam  sujeitas às autoridades religiosas.

 

Outras formas de conhecimento também coexistiram no mundo antigo e medieval, mas foi somente com o avanço da modernidade que a questão foi realmente sistematizada. Na entrevista abaixo, conversamos com o professor e doutor em Ciências da Comunicação, Otavio José Klein, para entender melhor o que é o ‘conhecimento’, suas formas, e como ele pode ser construído. 

O que é e como surge o conhecimento?

“Conhecer é um processo que ocorre na relação de um sujeito que busca entender o objeto estudado e pode ocorrer de diferentes formas na História recente da humanidade: na arte, na filosofia, no senso comum, na religião e na ciência”, explica Otávio.

 

Como conhecer

Segundo o especialista, as pessoas conhecem o mundo por meio de fontes distintas. Pode ser pela religião, pelo senso comum, mas é possível, também, pela ciência, que surgiu com a criação do método científico no século XVII. “Buscar conhecer algo, implica em uma escolha, ou seja, seguir um caminho para isso. Se eu escolho a ciência, aliás, como em todas as outras formas, devo iniciar nela uma busca por produzir conhecimento. Com a ciência sendo utilizada para esse fim e também para conhecer a realidade, por causa de seu método, percebemos que o mundo avançou mais rapidamente nos últimos anos, quando comparado aos milhares de anos anteriores”, ressalta.

Impacto na sociedade

O conhecimento é uma ferramenta que se mostrou poderosa para a humanidade. Com ele o ser humano já respondeu perguntas e tantas outras ainda precisam ser respondidas. “Segundo Boaventura de Sousa Santos, existe uma relação profunda entre conhecimento e sociedade e para cada forma de conhecimento existe um tipo de sociedade. Quando uma religião dominante é assumida como a forma hegemônica de conhecimento em uma sociedade, por exemplo, o resultado vai ser a absolutização de verdades estabelecidas e a consequência será uma sociedade exclusiva de crentes. Já uma sociedade de cidadãos é o que se espera a partir da ciência, que é o resultado do uso da razão humana (capacidade do ser humano) a partir de métodos para chegar à verdade. Porém, ainda é necessário lembrar que a ciência evoluiu e ainda evolui, porque ela própria é objeto do conhecimento humano”, salienta Klein.

Dogmatismo, Ceticismo e Utilitarismo

“Alguns se apegaram a algumas verdades, absolutizando-as e fanatizando-se. Este tipo de atitude diante do conhecimento é conhecida como dogmatização. Outros, que são os céticos, não veem a possibilidade de um conhecimento que seja firme e seguro. Para eles o conhecimento universalizável não existe. Outros, ainda, têm uma atitude utilitarista do conhecimento, consideram apenas os conhecimentos monetarizáveis, ou seja, que são úteis na sociedade de mercado. Estas três atitudes, em relação ao conhecimento, nos desafiam para uma proximidade maior com o conhecimento que pode, inclusive, nos ajudar a romper as grandes dificuldades pelas quais passa o nosso mundo”, observa o professor.

Desafios no Brasil, para quem busca conhecimento

“O primeiro deles é a necessária tolerância diante de diferentes formas de conhecimento, especialmente com os tradicionais, de povos em suas culturas específicas, as quais foram desprezadas pelas formas que prevaleceram no ocidente nos últimos séculos. O segundo desafio é fazer com que o conhecimento contribua com a democracia em nossa sociedade. O terceiro, é fazer com que todos percebam a importância do conhecimento. Em muito já se avançou, porém vemos crescer as visões de que não é o conhecimento que resolve, mas também, o que acontece na visão do poder político central, onde as políticas públicas de educação são as primeiras a serem sacrificadas em tempo de crise econômica”, conclui.

Sobre Otávio Jose Klein 

Otavio José Klein possui graduação em Filosofia, mestrados em Ciências da Religião e Comunicação Social, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2008) com estágio de doutoramento na Universidade Beira Interior (UBI) de Portugal (2006). Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. Tem experiência de ensino na área de Comunicação, nas disciplinas de: metodologia da pesquisa; epistemologia da comunicação; história da comunicação; ética e legislação; É pesquisador em comunicação na linha de pesquisa de Processos e Práticas Culturais em Comunicação e Comunicação Regional. Tem desenvolvido pesquisas em Comunicação (comunitária, pública); Hábitos midiáticos; Comunicação e cidadania e Telejornalismo Regional; Mercado de Trabalho em Design e Midiatização da Sociedade (teoria e epistemologia).
 

 

 

 

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