Quando cheguei no local as crianças estavam brincando, andando de balanço, interagindo umas com as outras. O lugar em questão foi a Associação Beneficente Recriando a Vida, localizada no Bairro Presidente Vargas.
Segundo a fundadora e coordenadora da associação, Andreia Meireles, o Recriando a Vida existe há mais de 10 anos. “Antes era mantida pelas Irmãs Teresianas, quando elas foram embora em 2014, eu, e 10 amigos assumimos a entidade”, disse.
“O objetivo e a preocupação da associação é retirar as crianças da rua, para isso trabalhamos em dois turnos, manhã e tarde, de segunda a sexta-feira, com crianças de 6 a 13 anos. Aqui são feitas oficinas, oferecido alimentação, cada dia tem uma oficina diferente com as escolas”, disse.
Conforme Andreia, a maioria das crianças que frequentam a associação são do Bairro Presidente Vargas e arredores, muitas estão em vulnerabilidade social. “A única refeição que alguns fazem durante o dia é aqui na associação e na escola”, comenta.
Doações
A coordenadora afirma que a entidade se mantém com doações de alimentos, roupas, cestas básicas, e hoje tem 89 crianças cadastradas. “Não temos convênio com o município, já procuramos, entregamos a documentação, mas toda nossa equipe é formada por voluntariados, e aí não pode ser, tem que ser contratado da casa, mas não temos condições de fazer isso”, disse.
Segundo Andreia, a instituição recebe a colaboração de mais de 50 voluntários, que contribuem para manter as portas abertas da associação, na área de educação, cozinha, higienização, entre outras tarefas.
Dificuldades
“Temos todo tipo de dificuldade. Tem dias que a nossa preocupação é com a alimentação”, afirma. Ela acrescenta que o aluguel é pago por uma empresa, outra contribuiu com o gás e tem aquelas que ajudam com o café da manhã e doações. “Eu já trabalhava com as Irmãs, não quis que esse trabalho terminasse. Devagarinho, ano após ano, a gente está evoluindo, mas ainda as dificuldades são grandes”, observa.
Andreia ressalta que a entidade não tem vínculo com o governo e que caminha com as próprias pernas. “Tudo que oferecemos para as crianças é com o nosso esforço, caminhamos com as nossas próprias pernas e a colaboração dos doadores. Sempre digo que temos anjos que colaboram, quando está quase acabando a comida, os alimentos, no momento que a gente mais precisa aí vem os anjos, pessoas que a gente nem conhece e doam alimentos”, afirma.
Como doar
A coordenadora observa que quem quiser fazer doações tem que ir na associação (Rua João Michel), e pode doar comida, roupas, produto de limpeza, de modo geral, a associação precisa de um pouco de cada coisa.
“Não dá para se queixar da comunidade e das empresas, porque senão estaríamos com as portas fechadas. Graças a Deus está vindo alimentos e a sociedade está colaborando, a nossa entidade está sendo bem aceita”, destaca.
Buscar valores
Segundo Andreia, o trabalho realizado com as crianças já está gerando resultados. Depois da escola os alunos vão até a associação e já dá para distinguir a diferença neles em termos de educação e aprendizado. “As professoras das escolas dizem isso. E a gente sempre fala para eles trilhar e seguir o caminho do bem, fazer coisas boas, buscar os valores da vida”, afirma.
Se as crianças não estivessem aqui?
Conforme Andreia, se as crianças não estivessem na associação estariam na rua, provavelmente, porque em casa não teriam ninguém. “Temos muitas famílias desestruturadas, por isso que a gente tem parceria com a igreja católica, igrejas evangélicas, para também levar formação para as crianças e famílias”, observa.
“Já vi muitas crianças se perderem, inclusive alunos nossos, que perderam a vida devido ao tráfico de drogas, pré-adolescentes. Esse é um dos problemas da comunidade e, por isso, que existe a entidade, a gente está tentando encaminhar essas crianças para o caminho do bem”, comenta.
Andreia comenta que as crianças e famílias não tem custo nenhum. Os familiares que não trabalham são convocados a ajudar na organização e limpeza da casa.
Fazer o bem
Andreia sempre orienta os alunos a procurar fazer o bem, e mostrar que isso é importante, assim como, ajudar o próximo. “Ajudamos sem querer nada em troca, e sempre contribuindo com a comunidade”, diz.,
Natal Solidário
No mês de novembro a entidade lançará a campanha do Natal Solidário. “Ano passado ajudamos mais de 300 famílias da comunidade e arredores com cestas básicas”, disse.