O Fisiculturismo, também conhecido como culturismo, é uma modalidade de competição aonde os atletas trabalham os músculos do corpo, em busca de hipertrofiá-los, ou seja, aumentar a massa muscular o máximo possível. O objetivo não é testar quem consegue carregar mais peso, mas sim mostrar quem possui mais desenvolvimento e definição muscular.
Nos campeonatos as apresentações podem ser em grupo ou individuais, ambas a nível de comparação. Um dos nomes mais populares no meio é o ator Arnold Schwarzenegger, que já foi sete vezes campeão na modalidade, segundo a Federação Internacional de Fisiculturismo. Além disso, Schwarzenegger, é empresário, político austro-americano e serviu o estado da Califórnia entre os anos de 2003 a 2011 sendo o 38º governador.
Categorias
Segundo o professor e fisiculturista de Erechim, da academia Top Training, André Morganti, praticante do esporte a mais de 25 anos, as principais competições podem ser divididas em categorias que são classificadas em: Fisiculturismo Júnior para atletas com menos de 23 anos e que estão no início da carreira, Fisiculturismo Sênior para atletas com mais de 23 anos e com experiência de carreira, Fisiculturismo Master para atletas com níveis musculares elevados e Fisiculturismo Clássico para os atletas que não desenvolvem os músculos ao extremo, mas preferem uma estrutura física mais leve e natural.
“Há duas federações básicas, uma divide os atletas por altura, e a outra por peso, no dia da competição os atletas, ficam enfileirados em cima do palco. Após isso passam por uma avaliação que é composta por aproximadamente seis juízes, entre eles árbitros que solicitam que os participantes executem poses compulsórias, essas são analisadas, em um conjunto de critérios em comparação a outros participantes”, afirma.
Durante a competição, além das poses obrigatórias, o participante pode realizar uma apresentação livre que também é avaliada pelo júri. De acordo com o professor a modalidade não é exercida apenas para homens, existem campeonatos especialmente voltados para as mulheres fisiculturistas e que estão se popularizando cada vez mais.
Embora se evidencie um corpo trabalhado com músculos e uma estética exuberante, Morganti destaca que a modalidade vai muito além do que apenas músculos. “Exige esforço, dedicação, disciplina, muitas vezes precisa abrir mão de muitas atividades para ter os resultados esperados, é um esporte difícil de resiliência, por trás da estética envolve saúde, bem-estar, tempo”, observa.
Alimentação
A dieta de um fisiculturista, segundo o professor, é rica em proteína, sem alimentos gordurosos, doces ou refrigerantes. Alguns exemplos de alimentos são: ovos, carne de frango, batata, verduras e frutas. Alimentos saudáveis, de alto valor nutricional. Para conseguir adquirir um corpo escultural, o treino deve ser acompanhado por um conjunto de especialistas envolvendo personal training, nutricionista e fisiculturista. “O atleta vive duas fases: fora da competição, onde tem uma limitação calórica e acaba adquirindo mais gordura, para favorecer o desenvolvimento da musculatura, e quando se aproxima a competição, onde entra em uma dieta de restrição calórica, e corta alguns alimentos, carboidratos, para conseguir emagrecer e perder a gordura da pele, para ficar mais fina e mostrar na competição. ”, diz.
André ressalta que além disso, quem pratica a modalidade necessita de um treinamento reforçado, que pode levar horas, somente fazendo exercícios de aquecimento. “O treinamento é voltado para o desenvolvimento máximo da musculatura, para isso a alimentação deve ser correta, pois a preparação é diferente do treino de outros atletas, ela é mais específica, é voltada para a musculatura do corpo, visando uma competição”, enfatiza.
Nos campeonatos, os atletas usam óleo no corpo, e em alguns casos, também tinta. Morganti explica que esses produtos são usados para evidenciar a forma dos músculos. “Durante a competição o atleta, fica, muito exposto a luz, isso faz com que não apareça tanto o contorno do corpo, a maioria usa óleo específico para o corpo, que tem o objetivo de fazer com que os avaliadores visualizem melhor as formas”, observa.
Antes das competições os atletas ficam em uma restrição de água, o fisiculturista explica que este fator pode ocorrer em alguns casos. “Dentro da preparação final, ele pode ficar sem beber água, geralmente nos dois últimos dias, no último, ou nas últimas horas. Ele corta a ingestão de líquidos, para que a pele possa ceder, fluídos, e fique mais fina, colocando os músculos à mostra. Esse é o motivo básico, pelo qual o atleta restringe, a água”, explica.
No Fisiculturismo o uso de anabolizantes é proibido, porém segundo o professor existem competidores que ainda utilizam. “Pelo fisiculturismo ser um esporte em que o corpo fica mais à mostra, é mais perceptível, mas não é só nesta modalidade, essa realidade infelizmente está no mundo esportivo, mesmo às federações o proibindo. Em outros esportes o uso do doping aparece nos resultados das provas, na performance, o atleta possui um rendimento melhor. Além de ser proibido, se for pego usando poderá perder títulos, não participar de competições e ainda ser desclassificado”, afirma.
No Brasil o Fisiculturismo ainda é visto de uma forma limitada, mas o cenário está mudando, argumenta o especialista, “existe um certo preconceito, porque as pessoas não estão acostumadas a ver essa postura. Quem pratica já está neste meio, mas quem não conhece, vai causar estranhamento. A modalidade ainda não é considerada um esporte, este ano inclusive, está em experiência para se tornar um esporte Olímpico, já esteve em jogos Pan-americanos. Pode ser que daqui para frente se torne mais conhecida. Com o advento das redes sociais, o Fisiculturismo se expandiu, os atores na mídia estão constantemente temente divulgando e favorecendo o conhecimento para as pessoas. Mas em um contexto geral, não é tão conhecido como em países de primeiro mundo como Estados Unidos, Canadá e em outros da Europa”, enfatiza.
Para quem quer iniciar no fisiculturismo o personal aconselha, “o primeiro passo é ter muita vontade e procurar por profissionais da área que orientem. Ir em academias que possuam treinadores capacitados, se a pessoa tiver o perfil, e gostar, é só continuar treinando que é possível realizar o sonho de chegar ao nível de atletas nacionais e internacionais”, conclui.
Sobre Morganti
“Comecei a competir em um campeonato do litoral paulista em 1997, mas já treinava em 1993. Participei de vários campeonatos e cheguei a ser vice-campeão Gaúcho. Além da conquista na competição Estadual em SC, fui campeão Sul Brasileiro Master. Participei alguns anos do levantamento de peso em diferentes cidades brasileiras, como São Paulo e Curitiba. Em 2015 participei do campeonato Brasileiro de Fisiculturismo, foram diversas experiências que me fizeram ter paixão pela modalidade. Essa arte está no meu sangue e faz todo o esforço valer a pena”.
Inspiração
“Sempre gostei do esporte, fui fã do Bruce Lee, e também pratiquei Kung Fu por anos. As artes Marciais sempre fizeram parte da minha vida. Foi então que me encontrei no Fisiculturismo, como sempre fui muito magrinho, achava que ficando mais forte, conseguiria ir melhor no mundo da luta. Adquiri gosto pela musculação, e ao longo da carreira me inspirei em ídolos como Arnold Schwarzenegger e outras personalidades. Após treinar muito recebi apoio para começar a competir. Com o tempo descobri mais à respeito da modalidade e procurei me especializar por meio de cursos para trabalhar na área. Atualmente sou professor e fisiculturista, realizo assessoria para atletas, em diferentes âmbitos”.