Um voo. Para algumas pessoas é algo natural, que praticamente faz parte da rotina. Já para muitos, é um sonho ou uma expectativa. E, ainda, há aqueles que são apaixonados por aviação e tem nela uma carreira profissional.
Nesta semana, na quarta-feira (23), foi celebrado o Dia do Aviador. A data celebra os profissionais que pilotam aviões, sejam eles comerciais, de transporte ou privados. Para conhecer um pouco mais sobre a área, a reportagem do Bom Dia visita o Aeroclube de Erechim.
O presidente da entidade, Walter Osvaldo Otto Jr., destaca que a entidade está organizada de modo que os interessados podem, desde dar os “primeiros passos” na carreira, como também investir na vocação, no prazer de voar. “Muitas pessoas tem isso como um hobby e o local é aqui. O Aeroclube tem um campo de pouso, opera com aeronaves próprias e algumas terceirizadas e está sempre aberto a toda comunidade”, salienta.
Ao todo, o Aeroclube conta com mais de 70 associados, contudo, pelo local passam muito mais pessoas, desde alunos, pilotos de diversas regiões e outras pessoas ligadas à aviação.
Quanto à Escola, Walter comenta que geralmente são formadas de três a quatro turmas por ano, as quais contam com uma média de 10 a 20 alunos por turma. “Independentemente da faixa etária ou etnia, o que não pode faltar é gostar de voar”, reforça o presidente.
No que se refere ao cenário da aviação, Walter comenta que é algo muito vasto e os aviadores de Erechim estão inseridos em um pequeno nicho que é a Escola de Aviação. “É algo instigante, apaixonante e estamos sempre nos atualizando, pois é uma área que costuma ter avanços de ponta, tanto na área de materiais como de tecnologia. Diante disso, há muitos desafios a serem superados. Por isso, reforçamos o convite para que toda a comunidade visite a sede do Aeroclube e passe pela experiência de voar”.
Admiração que iniciou na infância
O passo-fundense, Lucas Rorato, de 26 anos, é formado em Engenharia Mecânica e tem na aviação uma companhia e admiração que vem desde a infância. Para ele, algo que sempre chamou a atenção é o som do motor dos aviões. “Quando estava almoçando, ouvia um barulho e saía correndo para ver o que era. Isso sempre me instigou. Poder ver tudo lá do alto é um prazer muito grande”, declara.
À reportagem ele citou que sempre foi incentivado pelo pai e quando atingiu a maioridade, ingressou no curso de piloto privado. “No entanto, o sonho sempre esteve direcionado aos voos por instrumentos e por isso iniciei o curso nesta semana no Aeroclube de Erechim”, relata.
Responsabilidade e diversão
O aviador Guilherme Omizzolo ingressou na aviação em 2011. É mais um apaixonado por aviação. Até o momento, a maior distância que percorreu foi de Chapecó a Minas Gerais. Segundo ele, como as condições climáticas eram boas, o voo foi muito tranquilo.
Para Guilherme, o que mais encanta na atividade é o misto de responsabilidade com diversão. “Como há o transporte de pessoas, é preciso ter cuidados redobrados e muitas vezes precisamos lidar com situações adversas. Ao mesmo tempo, é algo especial, pois cada dia que voamos, é uma nova visão, uma nova experiência, por mais que voamos no mesmo lugar, há sempre uma nova paisagem”, destaca, citando que cada vez mais são solicitados exames anuais obrigatórios aos aviadores.
O Aeroclube de Erechim conta com uma estrutura organizada e oferece, desde cursos iniciais até capacitações para níveis mais avançados. “O início é o curso para piloto privado que é onde o aluno e futuro aviador irá aprender as manobras básicas como decolar, pousar, fazer curvas, subir, descer, entre outras”, pontua Guilherme.
Tudo inicia na parte teórica, as aulas são realizadas à noite e o aluno deverá passar por uma banca da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), exames de saúde, e posteriormente poderá começar as aulas práticas.
Na sequência, a quem interessar, também há um curso de piloto comercial. “A partir do momento que ele é avaliado, poderá trabalhar com fins lucrativos”, explica.
O aviador recorda a história da aviação e salienta que para a época, o projeto de Santos Dumont foi um marco. “Naquela época Santos Dumont disse: ‘há hoje quem duvide das minhas previsões sobre o futuro dos aeroplanos, porém, quem viver, verá’. Com o passar dos anos, surgiram novos estudos sobre aerodinâmica, sistemas de propulsão, combustíveis, e a aviação se tornou o que é hoje, com grandes aeronaves que atravessam continentes sem fazer parada, sinalizando muita autonomia”, resgata.
De acordo com Guilherme, o setor apresenta evolução constante em diferentes questões como: motores, redução dos níveis de ruído nos aeroportos, estudos sobre uso de biocombustíveis para redução de gás carbônico na emissão de gases de efeito estufa.
Mais sobre a Escola de Aviação Civil
A Escola de Aviação Civil (ACE) desde sua fundação em 19 de Fevereiro de 1941, atua como um centro de instrução, sendo referência em todo o País, fomentando a aviação civil por meio da formação de profissionais capacitados que atuam em diversas companhias aéreas nacionais e internacionais.
Atualmente são oferecidos os seguintes cursos: 1. Piloto Privado Avião (PP-A) – Teórico e Prático; 2. Piloto Comercial (PC-A) – Teórico e Prático; 3. Voo por Instrumentos (IFRA) - Teórico e Prático; 4. Instrutor de Voo Avião (INVA) – Teórico e Prático; 5. Piloto de Planador (PLAN) – Teórico e Prático; 6. Instrutor de Planador (INPL) – Teórico e Prático e 7. Rebocador de Planador (PRBP) – (Avaliação para exames de proficiência).
Mais sobre a data
No dia 23 de outubro de 1906, Alberto Santos Dumont tornou-se o primeiro ser humano a voar. A bordo do 14-Bis, sua criação, Dumont faz um voo no Campo Bagatelle, na França, que ficaria registrado como o início de uma grande revolução nos meios de transporte: o avião.
A Lei nº 218, de 4 de julho de 1936, decretou o dia 23 de outubro como Dia do Aviador no Brasil, em homenagem ao primeiro voo feito na história e graças a um brasileiro.