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Sinal de alerta: Falta de tratamento de esgoto é o que mais prejudica qualidade da água

Se os planos e ações fossem implantados hoje se levaria entre 15 e 20 anos para dar resultados

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Rio Tigre no espaço urbano de Erechim
Professor Vanderlei Decian
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Arquivo

O município de Erechim está literalmente num divisor de águas quando o assunto é recurso hídrico, está situado entre as Bacias do Rio Passo Fundo e do Rio Apuaê Inhandava. Os erechinenses não vão ter problemas de quantidade de água no futuro para os mais diversos usos, não haverá falta deste recurso, afirma o palestrante e professor do curso de Ciências Biológicas da Uri Campos de Erechim, Vanderlei Decian. “A não ser em caso de estiagem e situações muito pontuais. Em Erechim faltou água porque tinha um reservatório e uma bacia pequena de captação”, diz. A questão principal será sobre a qualidade da água que se terá disponível para o consumo humano.

“O grande problema é que sempre que a água passa por cidades com grande criação de suínos, aves e por cidades sem tratamento de esgoto, ela tem perda de qualidade, cai de classe”, afirma.  

O professor cita o exemplo do Rio Tigre em Erechim, o Rio Napoleão em Três Arroios e o Cerquinha em Vacaria. “São vários rios regionais que passam por cidades e acabam indo para classe 3, uma das piores classes que temos hoje. A melhor seria a classe especial, que praticamente não existe mais na região”, comenta. E, sentencia, “de modo geral, a nossa água está entre a classe 2 e 3, é praticamente ruim”.

Segundo Vanderlei, para se ter uma melhora efetiva e gradativa na qualidade da água da região é necessário implantar os planos e ações do Plano de Bacia Hidrográfica do Apuaê Inhandava. A questão preocupante é que a água da região nunca mais vai voltar a ser classe especial. E, se tivesse os recursos hoje para executar todo o plano, se levaria entre 15 e 20 anos para recuperar a qualidade da água que a região consome.

E uma das principais ações, previstas no plano, que precisam ser implantadas é o tratamento do esgotamento sanitário. “O esgoto sanitário é o principal fator que degrada a qualidade da água, e em termos práticos é o que tem de maior deficiência”, afirma.

Plano

De acordo com Vanderlei, o Plano da Bacia Hidrográfica do Apuaê Inhandava é uma cartilha que tem todos os parâmetros técnicos, que elencou sete temas para ser trabalhado daqui para frente. O plano foi elaborado por mais de 30 entidades, universidades, sindicatos rurais, associações comunitárias, ONGs e a própria Corsan, que tiveram como objetivo buscar a melhor gestão do uso da água.

Sete pontos principais

O professor que participou da construção do plano afirma que o primeiro ponto a ser trabalhado seria a recomposição de mata ciliar, principalmente, para frear o carreamento de sedimento, erosão e agrotóxicos.

A questão da readequação e destinação dos resíduos sólidos, seria o segundo ponto, para que esse material não acabe se espalhando, tenha um destino adequado.     

Conforme Vanderlei, o terceiro ponto é o esgotamento sanitário urbano, que acaba sendo um dos que mais diminuem a qualidade da água nos rios. “Já foram realizadas análises para embasar todo esse trabalho. Inclusive existe cidades que a gente está tendo problemas com hormônios, pelo descarte de medicamentos ou mesmo pelo consumo via trato digestivo, urinário, que acaba indo para as águas”, diz.

O quarto foi a questão de educação ambiental, trabalhar com a conscientização da população, em escolas, inclusive com ações de replantio de árvores.

O quinto tema seria elencar em cada município as propriedades rurais modelo, inclusive fazer a preservação das nascentes nessas propriedades para que agricultores e prefeituras possam reproduzir essas ações. 

Segundo o professor, o sexto item seria a instituição de cobrança pelo uso da água por alguns setores para ajudar a custear esses projetos.  

O sétimo seria uma rede de monitoramento nos municípios inclusive com estações de pluviometria, entre outros aspectos.

Vanderlei afirma que o Plano da Bacia Hidrográfica Apuaê Inhandava, que envolve Erechim e mais 51 municípios, foi terminado neste ano. “A próxima etapa é priorizar os planos de ações”, afirma.

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