Os desafios e preocupações sobre a conservação da água, geram reflexões por toda parte. Em Erechim, a discussão também acontece e o objetivo é chamar a atenção da comunidade para esse tema.
Nesse sentido, a vereadora Sandra Picoli, organizou um projeto que prevê a obrigatoriedade de instalação de um sistema de captação e reuso da água da chuva, em todas as edificações com cobertura de telhado acima de 300 metros quadrados. A medida seria essencial para a liberação do Habite-se.
Na justificativa, Sandra reforça que a água potável disponível no planeta está se tornando cada vez mais escassa e o crescimento populacional é um grande fator para o aumento de consumo da água. “Cerca de 3% de toda a água existente no mundo é potável, e com a poluição cada vez maior, esse índice tende a baixar”, cita.
O texto aponta, ainda, que a água pluvial, com tratamento simples é uma alternativa concreta para o uso em descargas de vasos sanitários, irrigação de jardins, limpeza de veículos, pisos e roupas. “Além das vantagens já citadas, o armazenamento da água em cisternas pode ser visto também como uma forma de contribuir para a redução de enchentes, pois a água armazenada não irá para as ruas”.
Em entrevista ao Bom Dia, a parlamentar relembra que essa ideia já foi discutida e apresentada, inicialmente, como um Projeto de Lei ao Legislativo em 2018. “Naquele momento, a equipe do executivo me chamou e disse que não era possível viabilizar o projeto pois não estaria contemplado no Plano Diretor. Diante disso, encaminhei como um projeto sugestão, o qual previa que todas as edificações com cobertura de telhado acima de 200 metros quadrados, deveria contar com um sistema de captação”, destaca.
Quando surgiu a questão do Plano Diretor, Sandra pensou que era o momento para que essa ideia se transformasse em lei. “Em conversa com os colegas vereadores, chegamos a um consenso de que o limite passaria para 300 metros. Agora a fase é de expectativa. Estou confiante de que o projeto não seja vetado pelo Executivo”, explica.
Inúmeros benefícios
Conforme a vereadora, o investimento não chega a 5% do valor total da obra e isso retorna posteriormente em benefícios, sendo que gera uma economia da conta de água.
Ao mesmo tempo, o projeto está focado na sustentabilidade, pois Erechim enfrenta problemas na questão da água. “As pessoas nem sempre percebem isso, mas agora, com esses dias de tempo seco, a Corsan já realiza a captação do Rio Cravo. Surge o sinal de alerta e por isso há essa necessidade de contribuir. Não adianta pensarmos no futuro, em uma cidade desenvolvida, se não temos a água para abastecer a população”, ressalta, ponderando ainda: “não consigo entender como esse trabalho não ganha tanta importância. Na votação de segunda-feira, a aprovação aconteceu por apenas um voto a mais”, frisa.
A vereadora acredita, ainda, que esse projeto poderá motivar outros municípios a desenvolver o mesmo trabalho. “Muitas pessoas já praticam essas ações mas nem sempre da forma certa, pois não há uma regulamentação. Por isso o projeto poderá oferecer mais segurança. Vale ressaltar que a obra deverá contar com uma estrutura correta para que possa ser feita a captação de forma segura”, esclarece.
Próximos trâmites
O prazo é a partir da aprovação da lei do novo plano diretor. Os projetos em andamento não terão a exigência, mas os novos, em diferentes áreas, incluindo escolas, hospitais e todos os tipos de obras, privadas ou públicas.
Possíveis “alianças”
Na entrevista ao BD, Sandra citou também, que o vereador Lucas Farina encaminhou uma emenda sobre o IPTU Verde, a qual pode conceder subsídios na quitação do Imposto. “Nesse sentido, se houver interesse, é possível haver uma espécie de ligação entre os dois projetos, com o intuito de reconhecer as atitudes de pessoas que desenvolvem projetos nesse campo da preservação ambiental e, ao mesmo tempo, conceder descontos no IPTU, por exemplo”.
A parlamentar reforça que o desafio essencial é gerar essa consciência na comunidade, mostrando que a água é escassa na região e é preciso encontrar alternativas para melhorar e preservar os recursos hídricos.