A falta de chuva vem trazendo preocupação a muitas pessoas na região Alto Uruguai, especialmente nos últimos dias. O site Portal de Marcelino Ramos registrou em foto, no domingo (15), a situação da estiagem pelo nível dos rios.
Muito além da angústia à comunidade que reside na área urbana, os riscos ao dia a dia da população do campo são ainda mais expressivos.
No município de Marcelino Ramos, por exemplo, o problema está retardando o plantio do milho.
O extensionista rural da Emater local, Antônio Pandolfo, explica que no caso do trigo, a falta de chuva não vem causando prejuízos em razão de ser uma cultura que não exige quantidades expressivas de água na planta.
Segundo Pandolfo, o último período de chuvas significativas foi registrado no fim do mês de maio e início de junho. Com isso, em algumas regiões foram registradas algumas dificuldades. “O mês de setembro vem sendo o mais problemático, sendo que foram registrados oito milímetros. Em junho choveu 35 milímetros; em julho menos de 100 e em agosto, menos de 42 milímetros”, pontua.
De acordo com o extensionista, na área da bovinocultura de leite, quem não trabalha com irrigação pode registrar algumas perdas na produção em razão da falta de pasto para os animais. “Contudo, a expectativa de chuva a partir de hoje (18), proporciona um pouco mais de tranquilidade”, frisa.
Entre as medidas que estão sendo tomadas no município para fornecer suporte às comunidades em momentos como este, estão as redes comunitárias. O trabalho é desenvolvido pela prefeitura.
Impacto no campo e na cidade
O prefeito de Marcelino Ramos, Juliano Zuanazzi, concedeu entrevista ao Bom Dia e relata sobre essa questão da carência de chuva e escassez de água, que atinge principalmente a região Norte do Estado. “As chuvas abaixo da média vem causando preocupação a muitas pessoas, especialmente do meio rural, sendo que este é um período de formação de culturas de inverno. Ao mesmo tempo é o início do período de plantio das culturas de verão. Nos córregos no interior há pouca água. Do mesmo modo, o lago da barragem está reduzido, próximo a 50% da capacidade, à medida que rios, lagos também não possuem um volume de água suficiente para manter o abastecimento e a vasão que havia anteriormente”, comenta.
Com relação às redes de abastecimento comunitárias, há quase 20 que atendem as comunidades. “São muito importantes pois contribuem para a sustentabilidade da família, para o consumo humano, que é objetivo central. Há, também, redes que atendem demandas de produtores de suínos, aves, e que oportunizam que eles possam desenvolver suas ações”, cita o chefe do executivo.
Em Marcelino Ramos, são cerca de 50 estruturas entre aviários e chiqueiros. “Se não houver uma fonte muito segura da água ou mesmo um poço artesiano, a situação fica muito grave, considerando a necessidade de 10, 15 mil litros de água por dia”, acrescenta.
Zuanazzi enfatiza que o quadro preocupa os produtores e isso reflete em todo o município que também possui um caminhão tanque que faz a busca de água no lago e muitas vezes faz o abastecimento de caixas de água para produtores em razão da escassez. “Estimamos que isso se regularize nos próximos dias e possibilite mais tranquilidade aos produtores e a toda comunidade”, ressalta.