O sorriso da neta Isabela, de dez meses, faz brilhar os olhos do comerciante Marcos Antonio Lando (PDT), que por 20 dias (até 9 de setembro) responde pelo comando do executivo erechinense substituindo o prefeito Luiz Francisco Schmidt (PSDB), de férias em Londres, na Inglaterra.
‘O nascimento da Isabela representou minha renovação de vida. Ela é minha alegria’, comenta o entusiasmado avô, antes do início desta entrevista que fala de política e avalia sua quarta passagem interina pela chefia do paço municipal.
Contudo, não é apenas a neta que cativa o marido da servidora pública Ana Paula, pai da advogada Maryah e genro do empresário Diogo. A perspectiva de ser eleito prefeito, em outubro de 2020, também motiva o experimentado político de 53 anos, que tem no currículo três mandatos como vereador titular, sendo o primeiro deles em 1996 pelo antigo PPB (hoje Progressistas), e dois períodos como suplente no legislativo municipal.
Para vencer a disputa do ano que vem, porém, Marcos Lando sabe que o caminho é duro – e uma série de definições estratégicas devem se somar aos atos de governo. A seguir, ele antecipa (e avalia) alguns destes movimentos. Confira:
O Sr ‘entrou’ na política em 1996, quando se elegeu pela primeira vez vereador. O que te fez ingressar na esfera pública?
À época, lideranças do PPB me convidaram para ser candidato a prefeito, com a ideia de que eu poderia representar uma ‘cara nova’ naquela eleição. Estava, então, com 30 anos e decidi que deveria começar pela Câmara de Vereadores, a fim de construir uma trajetória, sem deixar de lado minha atividade profissional. Deu certo. Fui eleito vereador e continuei com meu comércio (rede de postos de combustível) – que segue até hoje.
Como veio a decisão de ser candidato a vice-prefeito, em 2016?
Estava exercendo mandato na Câmara de Vereadores e, analisando o cenário, entendi que o eleitor pedia mudança. Trabalhei internamente para ser o nome do PDT que pudesse representar essa possibilidade de alternância. A partir daí, buscamos compor com outros partidos. Acabamos fechando uma ampla coligação, capitaneada pelo PSDB e o prefeito Schmidt, que já trazia a experiência de ter administrado o município. Fomos felizes nas urnas.
Em 2020 será a sua vez de encabeçar a chapa do governo?
Posso dizer que sou o pré-candidato a prefeito pelo PDT. Em relação às futuras alianças, ainda é cedo para afirmar. O que sei é que o governo terá candidato a prefeito ano que vem.
Como é sua relação com o prefeito Schmidt? Ele, que diz não concorrer em 2020, apoiará o Sr?
Nossa relação é nota 10, marcada pela amizade e o respeito. Sempre compartilhamos ideias e algumas tarefas com o propósito de trabalhar por Erechim.
Certo. Mas, o Sr é o candidato dele?
Quando formamos a coligação não tivemos nenhum acerto neste sentido. Penso que o prefeito está deixando para declarar quem será o candidato no momento apropriado. Temos, também, outros nomes do governo que podem ser candidatos.
Entendi. Mas, para deixar claro: como o Sr pensa em amarrar outras siglas em torno de seu nome (do governo ou de fora dele), caso dispute a prefeitura?
Penso que devemos reunir o maior número possível de partidos, pensando em 2020 e também em 2022. Veja: podemos ter dois partidos disputando prefeito e vice, ano que vem, e outros dois indicando nomes para deputados estadual e federal, em 22.
Foi sob esta lógica que o Sr compareceu à convenção do oposicionista MDB, dia 24 de agosto?
Sim. É uma indicação de abertura.
Essa proposta de ‘frentão multipartidário’ é antiga e necessária, mas jamais vingou. Por que agora daria certo?
Creio que estamos amadurecendo. Em 2018, por 1800 votos ficamos sem um deputado federal. Com isso, perdemos todos. Não termos representantes em Brasília e, também, em Porto Alegre faz muita falta.
Se prefeito eleito, qual seria sua primeira ação em janeiro de 2021?
Precisamos implantar conceitos da administração privada na gestão pública. A coisa pública deve andar melhor. Também estimularia o estabelecimento de mais parcerias-público-privadas.
Do futuro, voltemos ao presente. Como estão sendo esses dias na cadeira máxima do palácio?
De bastante trabalho. Me reuni com diversos empresários, vereadores e com todos os secretários do governo para alinhar ações e dar andamento a projetos importantes na área da saúde e outros, além da celebração da parceria com o Acampamento Farroupilha e com o Ypiranga Futebol Clube, uma vez que estamos levando o departamento de esportes da prefeitura para uma sala do Colosso da Lagoa. Penso que uma de minhas principais características seja ter posição definida – o que ajuda na tomada de decisões.
Na sua opinião, qual é a marca deste governo?
Temos a marca da transparência e da responsabilidade na execução de ações e serviços com recursos próprios.
Em relação a obras, quais se destacariam?
Não há uma obra específica. Atuamos em diversas frentes, com a melhoria da malha asfáltica em todas as regiões da cidade, que era uma necessidade; a reformulação das praças, pensando em dar melhores opções e condições de lazer às famílias; a autorização de início da nova UBS do bairro Progresso, num investimento de R$ 3,2 milhões; e o projeto de lei que reduziu o ITPU. Houve também a aquisição da área da Aurora para instalação da secretaria de Educação, o que deve ocorrer em 2021, conforme contrato que prevê dois anos para que eles cedam o local, enquanto recebemos aluguel da área; sem falar das melhorias na prefeitura e no chafariz, zelando pelo patrimônio público e histórico do município.
E o prometido Distrito Industrial Norte. Alguma perspectiva?
Estamos trabalhando com cuidado para garantir segurança jurídica e as melhores condições aos empresários que lá investirão. O novo distrito é fundamental para gerarmos renda e trabalho para os cidadãos.