Nesta terça-feira (27) é celebrado o Dia do Psicólogo, data de publicação da Lei 4.119/62 que regulamentou a profissão no Brasil. Um momento de reforçar as homenagens aos profissionais da área de saúde responsáveis por estudar e orientar o comportamento humano. Por falar nisso, o Bom Dia conversou com o psicólogo, coordenador do curso de Psicologia da URI Erechim, professor Felipe Biasus, o qual avaliou e comentou um pouco mais sobre esse processo que envolve a relação entre pessoas: envolta nos desafios da convivência em uma sociedade cada vez mais digital.
Se por um lado, as tecnologias são capazes de auxiliar na comunicação do dia a dia, por outro, o contato presencial entre as pessoas, está se tornando cada vez mais “raro”. Nesse sentido, o professor salienta que “sem dúvidas, a tecnologia facilita, "aproxima", encurta distâncias, entretanto a hiperexposição, a indiferenciação entre o que é público e o que é privado, tem distanciado as pessoas daquilo que realmente são”.
A era tecnológica contempla as diferentes faixas etárias, e, considerando os “sinais de alerta para possíveis problemas”, Felipe reforça que todos os públicos merecem atenção. “Temos observado adultos, idosos, bem como adolescentes e crianças, dependentes de seus smartphones, redes sociais e conexão com a Internet "full-time". Observamos portanto comportamentos dependentes em todas as fases do ciclo vital”, alerta.
Conforme o psicólogo, o controle da disponibilidade de telas (TV, tablet, celular) para crianças pequenas (menores de três anos) é recomendado inclusive pela Sociedade Americana de Pediatria, a qual indica que nas idades posteriores seja feito uso das telas em geral de maneira contida e sob acompanhamento de adultos (pais ou responsáveis).
Ao passo que as amizades e relações, de um modo geral, se tornam mais digitais, quando são presenciais, muitas vezes encontra-se desafios de compreensão, tolerância e até mesmo respeito. Felipe explica que o sujeito que tem se constituído atualmente, é marcado pela dificuldade em lidar com a frustração, com o limite. “A ideia de felicidade, marcadamente presente no mundo virtual, tem favorecido a construção de uma ideia da realidade como necessariamente ligada ao hedonismo (doutrina que determina que o bem supremo é o prazer), ao sucesso. Entretanto, cada vez mais nos deparamos com sujeitos vazios de significados, de sentido. Sem dúvida este sujeito poderá apresentar dificuldade em estar com o outro. Terá de lidar com os limites do outro e também com seus próprios limites”, acrescenta.
No que se referem às características que precisam ser melhoradas quando o assunto é: ‘relações entre pessoas’, o professor reforça que é fundamental uma reflexão. “Em tempos em que relações amorosas iniciam por aplicativo, há entrega afetiva e as vezes até sexual; em que verdadeiras catarses são realizadas em postagens no Facebook, além de imagens carregadas de edição no Instagram, penso que precisamos pensar a relação interpessoal, afinal, o ser humano é um ser social e necessitamos do outro, desde o nascimento para que possamos ser gente!”.
Repensar a rotina
Mesmo em um cotidiano agitado, com inúmeros afazeres, desafio de dividir o tempo, Felipe ressalta uma dica essencial: repensar a rotina. “Penso que é necessário assumir as “rédeas” da vida. Desconectar para conectar-se. Conectar-se consigo, com o outro, realmente. É deixar de dar um like para entregar-se a um abraço!”.