A proposta, que tem como único objetivo colaborar com o aprimoramento do serviço público, abordou um assunto muito delicado e custoso aos cofres municipaise, que normalmente, é considerado a “menina dos olhos” das prefeituras: obras de asfaltamento.A avaliação é resultadode um trabalho desenvolvido sobre restaurações de asfalto no município ao longo de um ano em 11 ruas de Erechim.
A pesquisa foi feita pela acadêmica do curso de Engenharia Civil daURI – Erechim, Emanuela Pansera, como parte do Projeto Final de Curso 2, com a orientação do engenheiro civil e professor da URI – Erechim, Fabiano da Silva Jorge.
Resultados
A, hoje, engenharia civil, Emanuela Pansera,se sensibilizou com o assunto, porque no Bairro Três Vendas, onde ela mora, acontecia com muita frequência, repetidamente, a manutenção do asfalto. “O problema se repetia mês a mês e eu queria entender o porquê disso”, afirma.
Emanuela afirma que foram analisadas a Avenida Tiradentes (Bairro Esperança e Centro), Rua Emílio Grando (centro), Rua Distrito Federal (centro), Rua Saule Pagnoncelli(centro), Rua Pernambuco (centro), Rua Caldas Júnior (Bairro Três Vendas e Frinape), Rua João Paulo 1º (Três Vendas), Rua Jaco Luiz Busatta (Bairro Koller), Gomercindo Zaffari (Koller), ao longo de um ano num total de pouco mais de três quilômetros de pavimento.
Segundo ela, foram feitas cinco inspeções que envolveram a análise de 20pontos técnicos e importantes para indicar possíveis problemas no pavimento. “Todos receberam o mesmo procedimento para ser analisado”, afirma.
A engenheira afirma que entre as causas que mais geram problemas no asfalto, em primeiro lugar, está a execução incorreta da obra, seguido da ausência de drenagem e, em terceiro lugar, a dosagem incorreta de revestimento, dosagem incorreta de mistura efalha no teor de ligante.
Ela ressalta que em determinados trechos, com várias manutenções,a camada colocada piorou ainda mais a situação do pavimento.E cita o exemplo da Rua Emílio Grande,em que não haviam problemas na inspeção anterior e apareceram posteriormente devido a restauração no local.
Emanuela observa que o restauro deveria durar em média cinco anos, e em alguns casos não duram um ano.“Às vezes, chegam somente a três meses e já é feito uma nova manutenção. Nas Três Vendas eu vi pelo menos umas cinco vezes a manutenção num período de um ano”, comenta.
Segundo ela, para cada trecho analisado foi gerada uma resposta, um procedimento correto para solucionar o problema, e, partir disso,criado um Plano de Restauração. “Por exemplo, as ‘panelas’ são muito recorrentes nas ruas de Erechim, assim,se apontou as prováveis causas, como trincamento por fadiga, desgaste superficialda camada de asfaltogerando erosão ao ponto de virar panela,e a manutenção recomendada, o reparo técnico, reestabelecer e compactar a base de acordo com a técnica para depois colocar o revestimento, entre outros”, diz.
Uma das coisas que chamou atenção da engenheira civil foi o fato de que dois, três meses depois de ser feitaa manutenção, o resultado é pior do que antes dos reparos. Além disso, ela encontrou muito desgaste do pavimento nos trechos em que tinha sido recuperado. Um ponto importante, acrescenta Emanuela, para evitar a reincidência dos problemas é necessário fazer uma análise do local antes da efetiva manutenção. “Importante diagnosticar o problema”, afirma.
Professor
Segundo o engenheiro civil e professor, Fabiano da Silva Jorge, as verificações constataram que os procedimentos técnicos para restauração da pavimentação não foram seguidos adequadamente. “Esse problema não é somente de Erechim, mas em todo o estado, o que acaba gerando um custo excessivo aos cofres públicos e um asfalto de baixa qualidade”, afirma.
Ele acrescenta que o correto seria fazer uma manutenção preventiva, e em caso de corretiva tem que ser bem executada para ter mais durabilidade o pavimento.
“O tapa-buraco é uma correção paliativa, para tirar o problema do buraco e evitar um possível acidente, mas no momento em que o clima melhorou tem que se fazer a manutenção corretiva. O problema que enxergo em muitos municípios, até em pavimentos rodoviários, é que a correção paliativa virou corretiva, mas não é a certa e não resolve o problema, mas agrava”, afirma.
O professor enfatiza que com qualificação profissional se resolveria muitos problemas, haveria diminuição de custos ao município e um melhor serviço à população. “A durabilidade dos reparos técnicos seria maior,e esses recursos destinados repetidamente em reparos mal executados, poderiam ir para novas obras, outros investimentos.Não se garante segurança aos munícipes e se joga dinheiro pelo ralo porque oreparo técnico não é barato”, afirma.
Segundo Fabiano, os financiamentos nos municípios para esse tipo de obras variam de quatro a 10 anos. Assim, depois do município investir milhões em obras de asfaltamento “não é possível um ano depois ter que fazer novamente manutenção. Aí, vira uma boa de neve, o município ainda está pagando aquele investimento e tem que fazer outro para refazer o que foi recuperado”.