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Perto do fim: escola pública não aguenta mais “apanhar” do Estado

“Situação das escolas estaduais está muito grave”, diz diretora do Cpers

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“A categoria como um todo, funcionários, está adoecida porque se veem sem perspectiva”, afirma.
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O 15º Núcleo do Cpers de Erechim juntamente com diretores das escolas estaduais pertencentes a 15ª Coordenadoria Regional de Educação (15ª CRE) organizaram um abaixo-assinado para expor as dificuldades que as escolas públicas estaduais vêm enfrentando e que estão inviabilizando a gestão das escolas. Segundo a diretora geral do 15º Núcleo do Cpers Erechim, Marisa Betiato, a situação das escolas está muito grave no Rio Grande do Sul, a educação pública estadual está comprometida e vem sofrendo muitos ataques.

As escolas têm prazo até hoje (19) para entregar ao 15º núcleo o abaixo-assinado, que foi uma iniciativa regional. Um total de 20 escolas e comunidade escolar da região participaram dessa manifestação, principalmente, as maiores escolas. As informações serão repassadas ao governo do estado.

“Isso é muito importante porque divulga para a comunidade escolar e a sociedade, como um todo, as demandas que o estado não está atendendo. A sociedade critica as escolas, mas não sabe realmente o que está acontecendo lá”, afirma.

Ela afirma que a estrutura da escola está defasada, tanto no que diz respeito a funcionários, professores como a parte material. E essas são demandas há muito tempo solicitadas que não são atendidas pelo estado.

“Estão desmantelando as escolas. Uma escola não é somente o professor e o aluno, tem toda uma estrutura que ampara e dá condições para o ensino”, explica.

A diretora do Cpers ressalta que os professores não têm mais liberdade de expressão e as escolas não estão tendo autonomia para organizar o seu ano letivo e suas atividades. “As cantinas foram fechadas que eram uma forma de arrecadar recursos para manutenção da escola. O estado está tirando a autonomia das direções das escolas públicas estaduais e isso é muito grave”, diz.

Conforme Marisa, são muitos agravantes à situação do ensino público, não há mais limites, os problemas são de toda ordem. “Hoje, os professores estão sendo contratados só para o período letivo. No ano seguinte, o profissional não tem garantia que vai ser contratado novamente”, afirma. E além disso, o estado está exonerando os servidores contratados por tempo indeterminado.    

Marisa enfatiza que essa situação dificulta o funcionamento interno da escola porque a pessoa não se sente comprometida, não se sente parte da instituição, dificultando inclusive o trabalho de organização escolar.   

Outro ponto muito preocupante é a desistência de professores e servidores por falta de pagamento. Somado a isso, o salário do profissional da educação não é atrativo, não chama novos professores.

Valores

O professor de 20 horas iniciante ganha em média R$ 630,10 tendo como formação o magistério, para o professor com 20 horas e curso superior completo o salário é de R$ 1.165,69, sendo o dobro desse valor para o profissional de 40 horas. “Esse é o salário bruto, depois tem desconto”, diz. E, acrescenta, a reforma trabalhista está agravando a situação dos professores sendo que está faltando profissionais nas escolas.

“A categoria como um todo, funcionários, está adoecida porque se veem sem perspectiva”, afirma.    

A diretora do Cpers afirma que o estado não dá condições para trabalhar e muitos professores têm que tirar dinheiro do próprio bolso para comprar materiais atrativos, do mísero salário que recebem atrasado, parcelado. “Já são cinco anos sem reposição indo para o sexto”, diz.    

Com a reforma do ensino médio, explica Marisa, será obrigatório as disciplinas de português e matemática, as demais serão trabalhadas a distância. Isso vai exonerar muitos professores, no Congresso já passou um projeto em que cai a estabilidade do servidor público, inclusive professores, no momento que não precisa mais o estado exonera”, observa. E, acrescenta, “quando os gaúchos dizem que não reelegem governadores porque são politizados, não reelegem pessoas, mas o mesmo modelo”.

Ela ressalta que não tem ainda na região casos de funcionários contratados exonerados em licença saúde. “Mas no estado sim, já são vários casos de professores exonerados em licença saúde, quando retorna não tem mais o seu contrato ou até antes dele terminar”, afirma.  

A educação pública também está sofrendo muito com enturmações, fechamento de escolas, bibliotecas, coordenações e vice direção, além de que o estado não vai ter mais obrigação de oferecer vaga nas escolas públicas de ensino para os alunos de maior idade.

Ela enfatiza que esse desmonte da educação pública não é de agora, vem ocorrendo há muitos anos. “O governo convenceu a sociedade que é melhor privatizar, terceirizar o ensino”, afirma. 

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