A temática sobre a qualidade e preservação das águas é algo que vem sendo debatido há muito tempo. No entanto, ainda percebe-se que há muito por ser feito e melhorado. Para explicar melhor o assunto, o Bom Dia conversou com o diretor da Faculdade Anhanguera de Erechim, professor, doutor em Físico-química, Danilo Giarola.
Conforme o docente, o assunto sempre foi motivo de muita discussão e preocupação, e seria redundante falar que hoje há mais preocupação com estas questões do que há vinte ou trinta anos. “Nas décadas de 70, 80 e 90 achávamos que poluição só existia em algum lugar longe da nossa realidade, e desta forma, não nos sentíamos responsáveis por esta questão. Atualmente, com a facilidade em receber e procurar informações, estamos mais cientes dos problemas que nos rodeiam, que estão presentes na nossa cidade, no nosso bairro”, comenta.
No entanto, ao passo que estamos mais cientes, Dr. Danilo alerta que continuamos na mesma situação de não nos sentirmos responsáveis. “Sempre achamos que o agente causador da poluição é o outro, é o vizinho, é a indústria e nunca paramos para refletir que eu também “sou” um agente causador de poluição. Ainda temos muito a evoluir como cidadãos, como responsáveis pela coletividade, precisamos nos importar mais com o bem comum”, relata, citando ainda, que podemos perecer muito com as consequências da poluição das águas.
Ações de 'preservação da água'
De acordo com o professor, quando fala-se em preservação, vem à mente que alguma ONG fará a parte de cada cidadão, ou que o governo é o único responsável por estas questões. “Claro que preservação é o melhor caminho, mas não a única saída para o problema. Precisamos urgentemente de ações que visão a remediação do que já está poluído, ou seja, “limpar o que já está sujo”. Precisamos de políticas sociais, econômicas e educacionais eficazes na nossa sociedade. Precisamos de cidadãos que assumam sua responsabilidade cívica, que tomem para si o problema, bem como a busca pela solução destes problemas”, reforça.
Ele acrescenta que muitas políticas são elaboradas e, ao mesmo tempo, pouco exploradas. “Temos a Agenda 21, o Pacto das Águas, a Legislação Ambiental, mas nada disto é o suficiente para desacelerar a poluição das águas. De fato precisamos ficar alertas, fazer uso consciente, conservar e principalmente recuperar os nossos recursos hídricos”, explica.
De acordo com Dr. Danilo, é necessário planejamento de curto, médio e longo prazo, além de “políticas eficientes, fiscalização, combate ao uso indiscriminado e principalmente educação ambiental a população são as ações que precisamos colocar em prática”.
Principais desafios na preservação desse recurso tão precioso
É inegável, afirma o professor, que vários são os desafios que a sociedade tem pela frente nessa missão de preservar a água. “Infelizmente levará um bom tempo para que consigamos cuidar de fato dos recursos aquáticos. Sempre responsabilizamos as políticas governamentais pelas ações da população, mas não adianta investir apenas em políticas públicas como única forma de evitar a poluição. Na realidade, se as pessoas não tomarem para si o problema e assumirem sua responsabilidade como cidadãos, nada irá mudar. Ainda somos negligentes demais para assumir nossa culpa e responsabilidade ambiental”, salienta.
Estatísticas
Em pesquisa divulgada pelo IBGE, 90% dos municípios brasileiros sofrem com algum tipo de poluição, onde municípios de regiões mais urbanizadas e economicamente mais desenvolvidas, sofrem mais com as mazelas da poluição hídrica: região sudeste (43,6% dos municípios) e Sul (43,2%).
Já a escassez de água foi mais apontada pelos municípios do Sul (53,5%) e do Nordeste (52,3%). Apesar do elevado índice de municípios com problemas ambientais, o IBGE afirma que apenas 18,7% dos municípios brasileiros dispõem de estrutura adequada para enfrentá-los.
Uma realidade não distante encontra-se no nosso estado, pesquisa encomendada pelo Cenatec, apontou que "entre os dez rios mais poluídos do Brasil, três estão no RS: Sinos, Gravataí e Caí”.
“A realidade está na nossa frente e ainda não queremos encará-la”, enfatiza professor Danilo.
Mais sobre o professor Danilo
Professor de Química Ambiental
Licenciado em química pela Universidade Estadual de Maringá
Bacharel em Química pela Universidade Norte do Paraná
Mestre em Química dos Recursos Naturais pela Universidade Estadual de Londrina
Doutor em Físico-Química Universidade Estadual de Londrina