Quando se fala em compra de armas sempre há muita polêmica em torno desse assunto e, também, informações desencontradas. Segundo o proprietário de uma loja de armas em Erechim, Volnei Kuskoski, que há mais de cinco anos atua nessa área, a situação em relação a compra de armas no país está passando por um período de transição e indefinida. “Hoje, praticamente, não mudou nada para o comércio de armas, até embaralhou a cabeça do lojista e do cidadão”, afirma.
Produtor rural
Segundo Volnei, o produtor rural pode comprar arma normalmente como qualquer outro cidadão, valendo a regra anterior, mas para isso, o produtor vai ter que passar por aptidão psicológica, teste de tiro, registro pela Polícia Federal. “Seguir todos os trâmites”, diz.
Ele acrescenta que a sua loja auxilia em todas as etapas para a compra do armamento. “Providencia tudo, não precisa se deslocar para nenhuma outra cidade, é a única que faz todo trabalho, porque tem loja, o clube de tiro e os instrutores de tiro”, afirma.
Conforme Volnei, o tempo médio para o produtor adquirir a arma demorava de quatro a quarenta dias, contando a partir do momento que ele terminou todos os testes e entregou a documentação. “Com essas novas normativas do governo, hoje, a Polícia Federal está pedindo 90 dias, aumentou o tempo, ao invés de facilitar, dificultou, o que estava bom atrapalhou, mas acredito que seja até a polícia se adequar ao novo sistema”, comenta.
Arma de maior calibre
De acordo com Volnei, a novidade para o produtor rural é que segundo o novo decreto ele poderá ter acesso a armas mais potentes. O cidadão vai ter acesso a uma pistola 380, uma espingarda calibre 12, já o produtor rural poderá comprar armas de maior calibre, como, por exemplo, um 357 Magnum, uma pistola 45 e até mesmo um fuzil, isto é, armas com um poder de fogo maior. “O agricultor vai ter acesso a uma arma com poder de parada maior, a longa distância”, diz.
E, segundo ele, o produtor rural já deveria ter acesso a esse tipo de armas há muito tempo. “Qual é a segurança que o agricultor tem no campo? Uma lâmpada para o lado de fora, um ou dois cachorros que protegem o pátio e, até pouco tempo atrás, uma espingarda 36 ou uma 32, que herdou do vô e, às vezes, não está nem legalizada”, afirma. Volnei ressalta que o produtor vai ter acesso a uma arma que possibilitará segurança, defender sua família e propriedade, amparado pela lei.
Custos
O comerciante de armas afirma que para o produtor rural ter uma espingarda calibre 12 na propriedade, por exemplo, vai gastar em torno de R$ 3.600. “Esse valor envolve a compra da arma, teste de tiro e documentação para 10 anos”, comenta. E, acrescenta, “para fazer uma planta o agricultor investe em insumos R$ 50 mil a R$ 100 mil”.
Munição
Volnei explica que, segundo a legislação velha, o produtor ou cidadão pode adquirir 50 munições para arma curta por ano, e 200 munições por mês para arma longa. “Um número razoável. Estamos trabalhando ainda com a legislação velha, mas pela nova estão falando até mil munições por ano de arma curta, e a longa continuaria igual”, comenta.
O comerciante afirma que a realidade do Brasil não é de fácil acesso às munições e de alto custo. “Hoje, a munição de calibre 12 é cara, gira em torno de R$7 a unidade. Uma caixa de munição 9 mm com 50 projeteis fabricado aqui no Brasil, enviado para os EUA custa U$ 10 dólares em torno de R$ 40, aqui no Brasil essa mesma caixa de munição custa R$ 240, sendo que é fabricada no país. Isso significa impostos em cima de impostos”, diz.
Mercado
Conforme Volnei, a procura por informação por armas é 80% maior, hoje, do que a quatro anos atrás. “Só que ainda a informação para nós está indefinida, não tem como informar 100% certo o que vai acontecer, temos que aguardar para ver o que vai ser definido no Congresso Nacional”, observa. Mas que até o fim do ano essa situação deve se normalizar.
Ele comenta que as pessoas estão procurando armas, o clube de tiro, principalmente, o público feminino que está buscando mais informações sobre armamento. “As pessoas estão assistindo ao campeonato de tiro, querendo saber como comprar, sobre posse e porte de arma”, diz. E, acrescenta, “o cidadão de bem não está amparado em nada, tem uma faca na gaveta, um bastão atrás da porta, mas o bandido está pronto, armado, com munição e pronto para matar”.
O empresário destaca que, hoje, quem mais compra armas são os agricultores, seguido dos empresários. “O cidadão, trabalhador, não está comprando porque para ele é caro”, diz.
Aptidão
O comerciante comenta que para comprar uma arma a pessoa tem que estar apta. “Se não estiver psicologicamente preparada, a psicóloga não vai liberar; e mesmo a psicóloga liberando se chegar no teste de tiro e não souber aprender a manusear a arma, não vai ser aprovada. O cidadão não vai chegar no balcão de qualquer loja do Brasil e sair com uma arma no bolso. Isso não existe”, afirma.