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Segurança no campo: Agricultor poderá comprar armas com poder de fogo maior

O produtor rural poderá comprar armas de maior calibre, como, por exemplo, um 357 Magnum, uma pistola 45, uma espingarda calibre 12 e até mesmo um fuzil, diz Volnei, comerciante de armas

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Espingardas calibre 12 e pistola 45
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Quando se fala em compra de armas sempre há muita polêmica em torno desse assunto e, também, informações desencontradas. Segundo o proprietário de uma loja de armas em Erechim, Volnei Kuskoski, que há mais de cinco anos atua nessa área, a situação em relação a compra de armas no país está passando por um período de transição e indefinida. “Hoje, praticamente, não mudou nada para o comércio de armas, até embaralhou a cabeça do lojista e do cidadão”, afirma.

Produtor rural

Segundo Volnei, o produtor rural pode comprar arma normalmente como qualquer outro cidadão, valendo a regra anterior, mas para isso, o produtor vai ter que passar por aptidão psicológica, teste de tiro, registro pela Polícia Federal. “Seguir todos os trâmites”, diz.  

Ele acrescenta que a sua loja auxilia em todas as etapas para a compra do armamento. “Providencia tudo, não precisa se deslocar para nenhuma outra cidade, é a única que faz todo trabalho, porque tem loja, o clube de tiro e os instrutores de tiro”, afirma.  

Conforme Volnei, o tempo médio para o produtor adquirir a arma demorava de quatro a quarenta dias, contando a partir do momento que ele terminou todos os testes e entregou a documentação. “Com essas novas normativas do governo, hoje, a Polícia Federal está pedindo 90 dias, aumentou o tempo, ao invés de facilitar, dificultou, o que estava bom atrapalhou, mas acredito que seja até a polícia se adequar ao novo sistema”, comenta.

Arma de maior calibre   

De acordo com Volnei, a novidade para o produtor rural é que segundo o novo decreto ele poderá ter acesso a armas mais potentes. O cidadão vai ter acesso a uma pistola 380, uma espingarda calibre 12, já o produtor rural poderá comprar armas de maior calibre, como, por exemplo, um 357 Magnum, uma pistola 45 e até mesmo um fuzil, isto é, armas com um poder de fogo maior. “O agricultor vai ter acesso a uma arma com poder de parada maior, a longa distância”, diz.  

E, segundo ele, o produtor rural já deveria ter acesso a esse tipo de armas há muito tempo. “Qual é a segurança que o agricultor tem no campo? Uma lâmpada para o lado de fora, um ou dois cachorros que protegem o pátio e, até pouco tempo atrás, uma espingarda 36 ou uma 32, que herdou do vô e, às vezes, não está nem legalizada”, afirma. Volnei ressalta que o produtor vai ter acesso a uma arma que possibilitará segurança, defender sua família e propriedade, amparado pela lei.

Custos

O comerciante de armas afirma que para o produtor rural ter uma espingarda calibre 12 na propriedade, por exemplo, vai gastar em torno de R$ 3.600. “Esse valor envolve a compra da arma, teste de tiro e documentação para 10 anos”, comenta. E, acrescenta, “para fazer uma planta o agricultor investe em insumos R$ 50 mil a R$ 100 mil”.

Munição 

Volnei explica que, segundo a legislação velha, o produtor ou cidadão pode adquirir 50 munições para arma curta por ano, e 200 munições por mês para arma longa. “Um número razoável. Estamos trabalhando ainda com a legislação velha, mas pela nova estão falando até mil munições por ano de arma curta, e a longa continuaria igual”, comenta.

O comerciante afirma que a realidade do Brasil não é de fácil acesso às munições e de alto custo. “Hoje, a munição de calibre 12 é cara, gira em torno de R$7 a unidade. Uma caixa de munição 9 mm com 50 projeteis fabricado aqui no Brasil, enviado para os EUA custa U$ 10 dólares em torno de R$ 40, aqui no Brasil essa mesma caixa de munição custa R$ 240, sendo que é fabricada no país. Isso significa impostos em cima de impostos”, diz.   

Mercado

Conforme Volnei, a procura por informação por armas é 80% maior, hoje, do que a quatro anos atrás. “Só que ainda a informação para nós está indefinida, não tem como informar 100% certo o que vai acontecer, temos que aguardar para ver o que vai ser definido no Congresso Nacional”, observa. Mas que até o fim do ano essa situação deve se normalizar.

Ele comenta que as pessoas estão procurando armas, o clube de tiro, principalmente, o público feminino que está buscando mais informações sobre armamento. “As pessoas estão assistindo ao campeonato de tiro, querendo saber como comprar, sobre posse e porte de arma”, diz. E, acrescenta, “o cidadão de bem não está amparado em nada, tem uma faca na gaveta, um bastão atrás da porta, mas o bandido está pronto, armado, com munição e pronto para matar”.  

O empresário destaca que, hoje, quem mais compra armas são os agricultores, seguido dos empresários. “O cidadão, trabalhador, não está comprando porque para ele é caro”, diz.

Aptidão

O comerciante comenta que para comprar uma arma a pessoa tem que estar apta. “Se não estiver psicologicamente preparada, a psicóloga não vai liberar; e mesmo a psicóloga liberando se chegar no teste de tiro e não souber aprender a manusear a arma, não vai ser aprovada. O cidadão não vai chegar no balcão de qualquer loja do Brasil e sair com uma arma no bolso. Isso não existe”, afirma.

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