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Bairro Altos da Colina: Há quatro anos moradores lutam por transporte público

O bairro não tem transporte público, essa situação fica mais ainda difícil nos dias de chuva e, à noite, pela insegurança

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Adelar Estrai há anos luta por transporte público no bairro
Quando chove os moradores não conseguem cruzar pelo carreiro e têm que dar uma volta ainda maior até
Cristiane comenta que tudo que a empresa de ônibus pediu aos moradores foi feito
“A nossa principal necessidade, hoje, é ter ônibus"
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Os moradores do Bairro Altos da Colina não sabem mais a quem recorrer, já faz quatro anos que estão solicitando uma linha de transporte público no bairro, mas não são atendidos. Para conseguir pegar o ônibus os moradores precisam andar por ruas escuras, caminhar muito para chegar até as paradas. Saindo do bairro, tem que descer ruas íngremes, uma delas, um carreiro entre dois terrenos, completamente inacessível. O Altos da Colina não tem transporte público, essa situação fica mais ainda difícil nos dias de chuva e, à noite, pela insegurança.

Mais de 100 famílias

“Quero sair de lá, não aguento mais”. Essa é a afirmação de Adelar Estrai, morador do Altos da Colina, que há anos vem batalhando por melhorias e pelo transporte público no bairro, que não sai do papel. Ele conta que já foi feito abaixo-assinado, conversado com a empresa concessionária do serviço, prefeitura, promotoria e o bairro continua sem ônibus.    

“Sou cidadão erechinense, porque não podemos ter ônibus aqui?”, questiona. Adelar acrescenta que se a situação não se revolver vai vender a casa e ir morar em outro lugar. “O ônibus é uma necessidade”, diz.

Segundo Adelar, as mais de 100 famílias que moram no bairro têm necessidade de horários de manhã, meio-dia e à tardinha. “Seria das 6h30 até as 8h, horário em que a maioria vai para o serviço; das 11h30 até as 13 horas; e, das 17h30 até as 19h, na volta do trabalho”, comenta. Ele acredita que assim que começar a circular o ônibus no bairro mais pessoas devem embarcar ali.  

O morador afirma que o ônibus da “linha Poletto” já chega perto do bairro, a três quadras dali, e poderia atender a comunidade, só teria que andar uns metros a mais que já resolveria essa situação. “O que não demoraria mais que dez minutos”, diz.  

A principal necessidade

“A nossa principal necessidade, hoje, é ter ônibus. Estamos abandonados aqui em cima, passa ônibus da prefeitura, de outras empresas, mas o urbano não pode passar. Isso que a gente não entende”, questiona Zenilde da Silva, que mora há cinco anos no Altos da Colina, e afirma que durante todo esse tempo o bairro nunca teve transporte público. “Fomos em todos os lugares, na prefeitura, promotoria, e até agora nada? Então, fizeram um loteamento sem ter planejamento”, observa.

Segundo Zenilde, para ir trabalhar tem que sair as 6h20 da manhã de casa. “Numa escuridão total, sempre correndo risco, descer até a rua Santa Bárbara, com chuva, frio, e lá embaixo pegar o ônibus. Para voltar faço o mesmo trajeto”, comenta.

A moradora, indignada, afirma que está na hora de alguém fazer alguma coisa pelo bairro, já que paga em dia seus impostos. “Nem todo mundo tem carro para ir trabalhar, eu não tenho, dependo do transporte público”, afirma.

“Nosso imposto não vale”

Segundo Cristiane Estrai, desde que ela foi morar no bairro, há cinco anos, é um transtorno. “Da prefeitura para a empresa de ônibus, da empresa para a prefeitura, e eles empurram de um lado para outro”, afirma.  

Cristiane comenta que tudo que a empresa de ônibus pediu aos moradores foi feito. “Conseguimos ampliar cinco metros a largura da rua, porque eles disseram que o ônibus não passaria por ali. Pediram para colocar uma placa de ‘pare’ em frente à escola Cristo Rei, e colocamos. A comunidade foi atrás e conseguiu fazer o que a empresa pediu. Agora, estão alegando que o muro do escola atrapalha a passagem do ônibus. Cada vez que vamos conversar com a empresa eles inventam uma desculpa e colocam um obstáculo”, destaca.

Ela ressalta que os impostos que os moradores pagam também vão para o município. “Isso é um descaso com a gente, nosso imposto não vale, também somos erechinenses, pagamos nossos impostos”, afirma.

Conforme Cristiane, pelo menos 30 pessoas utilizam diariamente o transporte público do Altos da Colina. Ela observa que é longe para pegar o ônibus para ir ao serviço. “Quando volto, tenho que parar numa escuridão total, às vezes, o meu pai precisa ir me encontrar, sem contar o frio e a chuva, e tem que fazer esse mesmo trajeto todos os dias”, desabafa. Ela enfatiza que essa é a última alternativa que os moradores estão buscando. “Queremos o nosso direito”, diz.

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