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‘Gestão é resultado!’

Bom Dia Entrevista: Adalberto Coimbra

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Coimbra é sócio-fundador do Grupo Agros, empresa de Erechim que atende clientes nos principais estad
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Considerando as últimas duas décadas, os clientes do Grupo Agros apresentaram ganho de produtividade médio superior a 105%. Na raiz dos números está o compromisso da empresa – que tem sede em Erechim e atuação nacional – em garantir os melhores resultados e a sustentabilidade do negócio rural a partir de relações marcadas pela confiança, conhecimento, transparência e a quebra de paradigmas.  Nesta entrevista, o sócio fundador Adalberto Coimbra fala do momento do agronegócio brasileiro, reforça a importância da gestão na propriedade, avalia a safra 2018/19, reforça que o tripé solo, genética e gente é determinante para garantir melhores resultados e antecipa os próximos passos do Grupo – que atua exclusivamente na área do Agro com serviços de consultoria, assessoria, produção/validação e tecnologia da informação. Confira:

Apesar das novas tecnologias, pesquisa realizada pelo Sebrae em 2017 indica que cerca de 50% dos produtores brasileiros ainda usam papel e caneta para fazer a ‘gestão’ do negócio rural. Como mudar essa mentalidade?
O Grupo Agros completa 32 anos no mercado do agronegócio em 2019. Neste tempo, percebemos e participamos de inúmeros avanços em diferentes setores. Contudo, como indica o levantamento, alguns produtores relutam em adotar princípios mais eficazes de gestão – e, ao controlarem apenas indicadores simples, como produtividade, disponibilidade de estoque e de crédito, perdem oportunidades importantes para obterem melhores resultados, especialmente, em momentos como a venda da produção. Veja bem,
quando há gestão financeira estabelecida, é possível encontrar até cinco momentos de venda numa safra. Sem este olhar, se trabalha com ocasião única de negócio, que pode ser traduzida pela busca desesperada pelo pico do preço, o qual nem sempre representa o melhor resultado. Necessidade e oportunidade não andam juntos.

O que impede a profissionalização da gestão?
Acredito que o fator cultural ainda emperra alguns avanços. No entanto, a partir do momento em que aqueles que encaram a mudança começam a obter mais rentabilidade e melhorar a produtividade, o entorno também adere ao processo. Com a nova geração de produtores entrando no mercado, ciente de que gestão é resultado, o cenário tende a se alterar mais rapidamente.

Qual é o papel da Agros neste contexto?
É mudar a realidade do cliente. Criamos as condições e participamos ativamente da construção do melhor caminho. Costumo dizer que somos obstinados pelo resultado sem nada que macule a relação, numa verdadeira parceria do tipo ‘ganha-ganha’. A relação é pura. É única.

O Grupo tem como mantra a crença no tripé solo, genética e gente. Qual é a essência deste pensamento?
O trinômio nunca esteve tão atual quanto agora. O solo é a base de sustentação da fazenda. A partir do momento em que o solo é bom, é preciso conhecer a genética (cultivares, ciclos e demais variáveis) para que se alcance o melhor potencial produtivo. No entanto, quem dá a qualidade final é a operação - semeadura, colheita - enfim, tudo o que depende das pessoas. Treinamento, boa remuneração, condições adequadas de trabalho e a identificação de perfis com a vocação para exercer a função são elementos definitivos.  A tudo isso, damos o nome de gestão do negócio.

E onde entra a tecnologia?
Somos uma empresa altamente tecnológica, com soluções de ponta para diferentes mercados e clientes. Mas, é preciso entender que a tecnologia é uma ferramenta que sustenta as bases conceituais de aplicação do conhecimento com foco no resultado. Por exemplo, em relação ao solo, temos o uso de agricultura de precisão, uso de imagens para avaliação de variação de desenvolvimento da cultura – o que respalda o processo de tomada de decisão. Este, no entanto, não é substituído pela tecnologia, e, sim, amparado por ela. Ferramentas, sistemas e aplicativos são elementos que ajudam a tornar a decisão mais racional e aprimorada, porém, a decisão depende da capacidade intuitiva do ser humano.  

Como o Sr avalia a safra 2018/19?
Sob um olhar macro, a safra 2018/19 no RS foi marcada pela dificuldade de implantação das lavouras na fase inicial, em virtude da combinação de chuva e frio no estágio de estabelecimento, com necessidade de replantio. Na fase final, foram registradas perdas na metade sul e em outras regiões do estado. Considerando as últimas cinco safras, tivemos a terceira melhor média (atrás dos períodos 16/17 e 14/15). Em relação ao Grupo Agros, colhemos, em média, de 6 a 7% menos do que na safra 16/17, a melhor da recente série histórica. Diante da situação inicial, podemos dizer, contudo, que o resultado pode ser considerado positivo, pois acabamos revertendo situações delicadas na operação. É nessas horas, aliás, que o uso de uma assessoria técnica especializada faz a diferente ao minimizar os efeitos negativos e, ao mesmo, tempo potencializar as questões ambientais.

Como o Sr encara a onda da servitização (aumento da oferta de integração de serviços e produtos) no setor agrícola?
Vejo que é um dos assuntos do momento e que deve ser compreendido a partir do conhecimento das reais necessidades do cliente, evitando atuações redundantes e que consumam recursos que poderiam ser alocados em outras áreas. Particularmente, para a Agros o conceito não é novo. Nascemos com esta proposta e temos tal princípio está em nosso DNA o que, certamente, ajudou a construirmos nossa trajetória permitindo capacidade de intervenção superior aos demais players do mercado. A Assessoria do Grupo, por exemplo, não se restringe à tecnologia de produção. Tratamos a propriedade de maneira sistêmica - com destaque às pessoas, olhando, também, a parte financeira, o que autoriza dizer que fazemos gestão efetiva da propriedade.

Quais são os próximos passos do Grupo Agros?
O fortalecimento da marca passa pela manutenção do aprendizado, aperfeiçoamento do conhecimento científico e melhorias nos processos. Temos como meta, nos próximos cinco anos, nos posicionarmos como uma referência ainda maior para produtores e demais stakeholders, potencializando as condições para provermos produtividade, lucratividade e sustentabilidade do negócio. Neste momento, estamos implantando uma plataforma de conhecimento para sermos um guarda-chuva de validação da ampla gama de tecnologias que estão chegando e que se não forem bem entendidas/aplicadas acabam tendo uma relação de custo benefício negativa. Nosso papel, nesta transição, é o de dar suporte para tradução dos novos conhecimentos e do uso da tecnologia em benefício dos clientes e das propriedades atendidas.

Nesta perspectiva de futuro, como a AGRO1 se posiciona?
O crescimento médio da AGRO1 é de 30% ao ano e devemos avançar ainda graças ao projeto de expansão no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais – onde queremos, até 2022, nos posicionarmos como o principal fornecedor de sistema de informação e plataforma de conhecimento. Muito desta trajetória se deve ao Agrogestão, ERP considerado por muitos como o melhor do mercado pelo conhecimento agregado em mais de 20 anos, abrangência, capacidade de adaptação e facilidade de uso construídos por meio da experiência dos agricultores. O Agrogestão não é uma ferramenta adaptada à realidade agrícola que nasceu para atender postos de combustível ou hotéis; ele nasceu para atender o produtor rural e melhorar sua vida. Além do Agrogestão, oferecemos o Aqila – plataforma de conhecimento que traduz e comunica as principais rotinas realizadas dentro da propriedade, como acompanhamentos e vistorias de lavoura, controle de estoque, identificação de perdas e pragas, alerta para manutenção de máquinas e outros. Nossas soluções tecnológicas já atendem mais de 330 produtores e 1,2 milhão de hectares – e vamos seguir expandindo.

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