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Adoção: quando amor, carinho e destino se encontram

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Por Salus Loch
Foto Divulgação

"Sou o que eles precisam e eles são o que eu preciso. Nos completamos". É assim que a gestora financeira, que atua na área da beleza, Miriam Batistella define a relação com seus pais Faustino e Teresinha Maria Batistella.

A história deles começou no dia 22 de dezembro de 1981, quando uma enfermeira do Hospital onde Miriam nasceu comunicou Faustino que havia um bebê para adoção. Em acordo com a esposa, Faustino não perdeu tempo e tratou de realizar o sonho do casal: ter um filho. Miriam foi adotada com 16 horas de vida.

Mais de 9,5 mil crianças e adolescentes na fila

Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), vinculado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram, no entanto, que nem todas as crianças têm o mesmo destino de Miriam.
Atualmente, há 9.540 crianças e adolescentes aptos para adoção no País, além de outras 47 mil em situação indefinida e inseridas em programas de acolhimento institucional, abrigadas em locais como o Lar da Criança, em Erechim. Ao mesmo tempo, existem 46.008 pessoas interessadas em adotar - 6.238 no Rio Grande do Sul.

Incentivo à adoção

A realidade castiga especialmente as crianças com mais de cinco anos - que representam 73,5% da lista de adoção. Diante da situação, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, informou que o governo federal deve lançar, até o segundo semestre, uma campanha de incentivo à adoção de crianças e adolescentes, com foco na adoção tardia.
Mudanças na lei de adoção também devem acontecer. De acordo com Damares, a intenção é fazer com que todo o procedimento dure nove meses - entre a destituição do pátrio poder e o deferimento da adoção.

Você sabia?

A lei de adoção foi modificada em 2017, mas ainda é considerada burocrática e lenta. A legislação atual determina, entre outros, que a reavaliação da situação das crianças em programa de acolhimento familiar ou institucional ocorra de três em três meses. Também estabelece prazo de um mês sem contato da família para que recém-nascidos e crianças sejam incluídos no cadastro de adoção.

Adoção tardia e preferências

A realização da campanha estimulando a adoção tardia é saudada pelo juiz da Infância e Adolescência do Fórum de Erechim, Samuel Borges. Segundo o magistrado, toda ação que seja capaz de discutir o assunto com o propósito de conscientizar as pessoas interessadas em adotar é válido. Mudanças na lei para acelerar o processo também são bem-vindas, diz Borges. "A consumação da adoção é um dos momentos felizes que nós (juízes da Infância e Juventude) temos. Ações que trabalhem na construção do melhor encaminhamento para crianças, adolescentes e candidatos a adoção são necessárias e merecem ser saudadas", observa o juiz - que completa: "é impressionante ver o efeito positivo que a adoção trás à criança. Muitas mudam radicalmente em questão de poucos dias ou meses. É incrível", resume.

Miriam Batistella também saúda a proposta de estímulo à adoção tardia. Ela, que ainda não tem filhos, revela que pretende adotar um criança, de preferência, de 'mais idade'. "Não tenho preferência por idade, mas fico muito tocada pelos que têm mais de cinco, seis anos e que têm irmãos, por que com o passar do tempo as possibilidades de adoção infelizmente vão diminuindo", observa a jovem, para quem a adoção pode ser sintetizada por uma frase que a marcou: "o amor é mais forte que o destino".

 

Saiba mais:

# Neste sábado (25) é comemorado o Dia Nacional da Adoção - data que visa lembrar a importância do acolhimento de crianças e adolescentes por novas famílias.

# De acordo com o CNJ, a demora no procedimento de adoção no país se deve, em boa parte, ao perfil indicado pelos adotantes: crianças recém-nascidas, com um, dois ou três anos de idade e brancas. Os números do cadastro mostram que 14,74% do pretendentes aceitam somente crianças brancas, outros 61,95% não aceitam adotar irmãos. Os números do CNJ mostram ainda que 61,95% das crianças que estão em abrigos são pardas e negras; 25,68% tem algum tipo de deficiência ou doença crônica; e 55,46% tem irmãos ou irmãs.

# Conforme informações do Lar da Criança de Erechim, há, no momento, uma criança e quatro adolescentes aptos à adoção na casa.

# Neste ano o CNJ lançou a campanha #AdotarÉAmor no Facebook, Twitter e Instagram, uma forma de incentivar a adoção.

# Psicopedagogos destacam que os novos pais devem buscar orientação quanto ao desenvolvimento e relacionamento com o adotado. No ambiente escolar e na rotina diária deve haver comunicação franca e transparente, para que o desenvolvimento e a adaptação sejam efetivos. No caso de Miriam Batistella, ela explica que desde os três anos começou a receber informações a respeito da adoção. "Cresci tendo ciência do que aconteceu, e por isso acredito que o tudo tenha sido mais fácil", diz.

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