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Visita necessária para entender o passado e a construção de um futuro melhor

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Museu do Holocausto de Curitiba é um espaço de memória, pesquisa e educação
Os sobreviventes Gitta Heilbraun Schwartz e Andor Stern, em visita realizada na sexta-feira (5) - e
Por Salus Loch
Foto Salus Loch

Histórias que não podem ser esquecidas e que devem ser transmitidas, no presente, às próximas gerações. Foi com esse objetivo que nasceu o Museu do Holocausto de Curitiba/PR.

Inaugurado em novembro de 2011, sendo o primeiro do País com tal característica, o espaço já recebeu mais de 150 mil visitantes, entre adultos e alunos de escolas públicas e particulares de diversos estados brasileiros, além de estrangeiros vindos de dezenas de nações.

Por semana, cerca de 800 pessoas procuram o local para saber mais a respeito dos horrores cometidos pelo governo nazista durante a Segunda Guerra Mundial - quando seis milhões de judeus foram assassinados por Hitler e seus seguidores, no episódio que leva o nome de Holocausto, ou Shoá (em hebraico).

Mostras dos acontecimentos daquele período, através de testemunhos de vítimas que ligam o genocídio com o Brasil ou Paraná, marcam os 400 m² do Museu, aberto à visitação gratuita mediante inscrição prévia no site www.museudoholocausto.org.br.

Para se ter uma ideia da procura, até o fim de 2019 a agenda para escolas e grandes grupos (com mais de 20 pessoas) está lotada, informa a coordenadora de Comunicação do Museu, Laura Nicolli. Já para pequenos grupos ou visitas individuais, a espera varia. Laura explica que pode ser de um dia paro o outro, caso o guia seja dispensado. Com guia, vai depender da demanda.

 

Humanização

O Museu, em essência, é ferramenta valiosa contra a desumanização nazista, pois, por meio da valorização da vida procura humanizar as vítimas.

O espaço também destaca a luta contra a intolerância, o ódio, a discriminação, o racismo e o bullying, presentes no cotidiano.

Conforme o coordenador geral do Museu, Carlos Reiss - responsável pela construção da proposta - o espaço não cumpriria sua missão caso não promovesse uma discussão abrangente sobre o preconceito e a violência ao longo dos séculos XX e XXI. "Simon Wiesenthal (escritor e caçador de nazistas) dizia que os sobreviventes devem ser como sismógrafos para detectar ameaças. Nós também podemos funcionar como sismógrafos, desde que conheçamos nossa história", pontua Reiss.

Aliás, esta é, sem dúvida, uma das mensagens que o Museu deixa ao público: que a humanidade aprenda a conviver melhor e a respeitar as diferenças de cor, fé, etnia ou posições políticas. Sob esta perspectiva, vale ressaltar o painel (estrategicamente colocado à saída da visitação) listando outros crimes contra a humanidade cometidos na história recente, em diversos cantos do planeta.

 

Como é mantido?

O espaço é sustentado pela Associação Casa de Cultura Beit Yacov, fundada por Miguel Krigsner - filho de judeus que sobreviveram à Segunda Guerra. Nascido na Bolívia, Miguel, que também é o criador do Boticário, revelou em entrevista à rádio Nederland lembrar que seu pai lhe contava a história de como ele havia perdido 23 pessoas de sua família no Holocausto. "Quis fazer uma obra para que isso realmente nunca fosse esquecido. A pessoa que visita um espaço como este toma uma consciência muito grande.

Visitei duas ou três vezes o Museu Casa de Anne Frank, em Amsterdã. Cada vez que a gente entra ali, percebe o que foi o Holocausto, e infelizmente no Brasil não tínhamos um espaço onde isso estivesse documentado", destaca Miguel.

 

Acervo e novos projetos

Conforme a coordenadora Acadêmica do Museu, Rafaela Courbassier, a montagem inicial do acervo passou pela busca dos sobreviventes da perseguição nazista instalados no Paraná. De uma lista de 82 nomes, 15 foram localizados, de acordo com reportagem publicada pela revista Morashá, em dezembro de 2011. "Fizemos contato, buscamos fotos, documentos, certidões, tudo o que pudesse nos ajudar a resgatar a história dessas vítimas e sobreviventes", lembra o coordenador geral, Carlos Reiss - que também é autor do livro 'Luz sobre o Caos - Educação e Memória do Holocausto'.

Hoje, o Museu possui 1.500 relatos de sobreviventes. Boa parte já está disponível no portal oficial na internet, sendo que o restante logo integrará a plataforma digital da instituição. No entanto, apenas parcela está exposta 'fisicamente'. Em razão disso, os projetos de expansão incluem, além de uma nova entrada, a ampliação do acesso ao acervo físico e uma biblioteca. Parcerias que permitam tornar o Museu mais 'itinerante' também estão no radar da Associação mantenedora do espaço.

 

Tecnologia para resgatar a memória

O Museu oferece aos visitantes os mais modernos recursos multimídia, permitindo, via aparatos tecnológicos, um marcante encontro com o passado.

Computadores oferecem consultas digitais de documentos e arquivos de áudio e vídeo sobre a história de peças da exposição. Jogos de luzes e de som recriam ambientes opressores da época do nazismo.

Objetos montam uma narrativa ampla. A abordagem histórica tem início no período pré-2ª Guerra Mundial, por volta de 1933, até os dias atuais.

A montagem do acervo contou com a colaboração de instituições como o Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém, responsável por ceder um fragmento de Torá, queimada na trágica "Noite dos Cristais", ocorrida na Alemanha nazista em 1938. Há a réplica de uma boneca que pertenceu a uma criança encarcerada em guetos na Polônia, assim como a cópia de um violino usado por um menino de 12 anos quando de sua prisão pelos nazistas.

Uma ala própria também destaca àqueles que se arriscaram para salvar a vida de judeus e outras minorias - os chamados 'Justos entre as Ações', na qual figuram dois brasileiros: Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Luiz Martins de Souza Dantas.

Horários:

Segunda, terça e quarta: 8h30 às 11h30 e 14h30 às 17h30. Quinta: 19h às 20h30 (somente para escolas). Sexta: 8h30 às 11h30. Domingo: 9h às 12h. Sábado: fechado. O Museu fica na Rua Cel. Agostinho Macedo, no Centro Cívico de Curitiba.

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