As associações de moradores têm o papel de colaborar com o crescimento organizado da cidade e, principalmente, apresentar as carências dos bairros e ser a interlocutora com o poder público, para juntos definir os rumos do município.
O presidente da União das Associações dos Moradores de Erechim (Uame), José (Zé) da Cruz, vereador por três mandatos e líder comunitário, está ligado à instituição desde 1991, quando foi fundada. Hoje, Erechim tem 58 bairros oficiais e 60 associações de moradores.
Transporte público
Para o líder comunitário, o transporte público do município chega hoje a todos os bairros, contudo, é preciso ser feito ainda alguns ajustes em itinerários e horários. Mas de um modo geral está funcionando.
“Tínhamos dificuldade de transporte público, por exemplo, nos Bairros Liberdade e Tigre, mas na medida que foi sendo ampliado o perímetro urbano, a administração pública e a empresa de transporte foram se adequando para prestar esse serviço nos bairros”, diz.
Infraestrutura
Segundo Zé da Cruz, os bairros de Erechim têm uma boa infraestrutura, o que falta muitas vezes é manutenção, fazer tapa-buraco, reparos na iluminação. “Os loteamentos têm infraestrutura, somente alguns foram entregues de forma inadequada, precisando reparos na via pública e em bueiros”, afirma.
Em alguns pontos da cidade há alagamentos nos bairros, mas são pontuais. Isso se dá em função dos loteamentos terem sido feitos com esgoto de uma forma inadequada, com diâmetro menor, não conseguindo dar vazão a água, e, também, em função de ter lixo e objetos jogados pela própria população na rua.
Recolhimento do lixo
Ele diz que o lixo tem sido recolhido de forma satisfatória nos bairros. “Mas nada é perfeito”, afirma.
Saúde
A saúde é uma das demandas dos bairros.
Energia elétrica
Conforme o presidente da Uame, a energia elétrica é uma das deficiências dos bairros, e muitas vezes há quedas de luz. “A cidade tem crescido não só em número de indústrias, empresas, mas também em residências. Isso automaticamente, acaba colaborando para a queda da chave do transformador, que não é mais adequado para o número de habitantes que ali está morando”, explica.
“Por mais que a Uame tente informar e alertar sobre os direitos e deveres do cidadão, ainda há pessoas desinformadas sobre seus direitos quando queima uma geladeira, televisor, e não sabem aonde ir para reparar os danos”, diz.
Segurança
Para Zé, o país vive uma insegurança e Erechim está no contexto do Brasil, no entanto, na medida do possível a Brigada Militar exerce o seu papel. “O problema está na falta de efetivo na Polícia Civil como na Militar. Há muitos entraves na própria legislação. É uma situação bem complicada e a população se sente insegura”, afirma.
Crescimento da cidade
Zé acredita que a forma do crescimento da cidade deveria ter tido no passado um ordenamento melhor das vias públicas, iluminação, esgoto pluvial e cloacal. Para ele há uma organização mas que não é adequada, “porque a cidade cresceu e se expandiu de uma forma extraordinária de uns 20 anos para cá”.
Conforme ele, a Uame colaborou para a organização dos bairros passando de 32 para 58 bairros oficiais, tudo realizado com audiências públicas, delimitando espaços e a população decidindo o nome dos bairros. “Organizamos praticamente o perímetro urbano da cidade e todos bairros têm denominação hoje”, afirma. E, acrescenta, “a cidade expandiu, se fomos comparar com outras cidades temos uma estrutura boa, inclusive nos bairros, mas temos que dar manutenção”.
A Uame tem uma representatividade muito grande nas mais diferentes áreas, participando de mais de 10 conselhos do município.
Erechim antes e depois
A presença da Uame foi importante para o município, que tem contribuído para o crescimento e organização da sociedade civil. “E a partir do momento que a sociedade se organiza ela tem vez e voz. É preciso pensar o nós antes do eu”, diz.
Dificuldades
O líder comunitário afirma que se está vivendo um período de carência de novas lideranças no trabalho voluntário. Há muitas exigências legais para se manter uma associação, em muitos casos a direção tem que tirar dinheiro do bolso para manter a instituição. A Lei Federal 13.019/2014 prejudicou todo o segmento social, associações e entidades assistenciais do Brasil inteiro. “Daqui a pouco vamos ter apenas o poder público decidindo pela população”, afirma.